Não seria exagero dizer que o segundo Fla-Flu do ano, neste domingo, às 16h, no Maracanã, é carregado de um portunhol que domina o meio de campo dos rivais. Apesar de estrelas dos quilates de Fred e Léo Moura, o clássico mais charmoso do futebol brasileiro chama atenção pelos seus argentinos: Conca e Lucas Mugni. Herdeiros de Doval, que brilhou com as duas camisas na década de 70.
No Fluminense, ainda que Fred e Rafael Sobis, só para ficar por aí, estejam na equipe, é possível dizer que Conca seja a grande referência técnica. Baixinho, invocado com os dribles e para lá de habilidoso, tem o número 11 às costas, mas faz a função de camisa 10. Ao entrar em campo neste domingo, o argentino tricolor vai comemorar os 31 anos.
Idade madura para um jogador de futebol nos dias atuais. Conca, ainda que conserve uma certa timidez em entrevistas, em nada lembra o garoto retraído que chegou ao Vasco em 2007, com 23 anos. Exibe liderança técnica e é ídolo dos tricolores. No primeiro Fla-Flu do ano, vencido por 3 a 0 pelo Tricolor, fez jogada sobre Wallace que levantou torcedores da aquibancada.
“O futebol argentino sempre teve uma cultura de qualidade técnica, como o Brasil. Conca e Mugni são assim. Os clubes agora têm mais possibilidade de trazer mais jogadores”, analisou o técnico tricolor, Cristóvão Borges.
Pois justamente no momento em que a qualidade técnica do futebol praticado no Brasil é tão questionado, o Fla-Flu achou uma brecha para que dois hermanos comandem o espetáculo. Em torno de Conca, Cristóvão não tem problemas. Fred, convocado para a Copa do Mundo na últia quarta-feira, estará em campo, pronto para retribuir o presente de Luiz Felipe Scolari.
Ao seu lado terá Sobis. A dupla de Conca no meio será Wagner. Nos outros setores, sem problemas. Após a derrota para o Vitória na última rodada, o Fluminense, com a batuta de Conca, está pronto para usar o seu argentino e sair sorrindo do Maracanã.
Tática essa utilizada pelo rival, Flamengo, recentemente. Em 2007, o Rubro-Negro, com nove jogadores em campo, venceu um Fla-Flu com um gol único de Maxi Biancucchi, o primo de Messi, atualmente no Bahia. Em 2011, dois gols de Dario Bottinelli tornaram o Fla-Flu, de novo, rubro-negro, em vitória inesperada, nos minutos finais, por 3 a 2. Esperanças, então, para Lucas Mugni.
O garoto vem embalado, com um sorriso no rosto. Os afagos dados pelo técnico Jayme de Almeida após a boa atuação na vitória de 4 a 2 sobre o Palmeiras, no fim de semana, ajudaram. Em um meio de campo escasso de ideias, Mugni, com o número 10 às costas, entrou em ação e participou diretamente da virada rubro-negra. A vaga de titular fora conquistada ali.
“Aqui (no Brasil) é mais difícil do que eu imaginava. OS times são fechados no meio e os laterais atacam. Na Argentina, não. Mas tenho de me adaptar”, admitiu Mugni.
Para ajudá-lo, Jayme de Almeida contará com o retorno de Léo Moura, após cumprir suspensão, à lateral direita. Com isso, Luiz Antonio volta ao meio de campo. Negueba deixa o time. Ainda assim, Jayme não poderá contar com Hernane, Elano, Chicão e Léo, todos ainda em recuperação de lesão.
No meio, Mugni vestirá a camisa 10 para municiar Paulinho e Alecsandro no ataque. Com 22 anos, ele deixou o Colón para assinar um contrato de quatro anos com o clube carioca. Depois de 14 jogos, dez como titular, e três gols, ele garante estar mais bem preparado para dar sequência ao sucesso de argentinos em Fla-Flus.
A mística portenha já encantou os torcedores do clássico carioca, principalmente, na década de 70. Doval, artilheiro dos bons, deixou o San Lorenzo para fazer fama na Cidade Maravilhosa. Primeiro, no Flamengo, onde marcou 93 gols em 264 jogos. Por duas vezes, foi campeão carioca. Virou ídolo, jogou com o então novato Zico e…mudou de lado em meados dos anos 70.
Nas Laranjeiras, o sucesso se repetiu. Título do Carioca de 1976, 68 gols em 143 partidas e integrante da famosa Máquina Tricolor, ao lado de Rivellino, entre outros. Os longos cabelos loiros e o porte atlético fizeram fama nas praias cariocas. Ídolo das duas torcidas, “o argentino mais carioca que existiu” abriu o caminho para seus herdeiros de pátria. Neste Fla-Flu do Dia das Mães, a bola está dividida entre Conca e Mugni.
Fonte: ESPN

