O Maracanã recebeu mais de 500 mil visitas neste ano. Esqueça os jogos. O número inclui somente turistas que visitam o estádio e fazem dele o terceiro ponto turístico do Rio de Janeiro.
Visitar o Maraca numa segunda-feira é surpreendente. Há entre 2.000 e 3.000 visitantes por dia, contraste com o que ocorria até seis anos atrás. Sempre há muita gente querendo conhecer o ex-maior do mundo.
O Maracanã Tour e as cadeiras bem cuidadas são símbolo de que algo melhorou depois que a administração saiu do Estado para a iniciativa privada. Mas a chance de o estádio voltar para o governo durante o ano de 2016 é enorme. Isso em razão do envolvimento da Odebrecht na Operação Lava Jato e da perda de competitividade do consórcio liderado pela construtora, que administra o estádio.
Matérias de Vicente Seda, no GloboEsporte.com, e de Lúcio de Castro, no UOL, tratam como iminente a devolução do Maracanã ao governo. No início do ano, falava-se sobre a possibilidade de nova licitação.
É óbvio que o processo de licitação não foi bem feito. Assim como o Stade de France, em Paris, o Maracanã foi entregue a uma construtora –à Odebrecht no Brasil e à Bouygues na França. Tirar a Odebrecht da operação não é ruim. Só que abandonar o modelo privado do Maraca pode ser definitivo contra a possível reestruturação do futebol brasileiro.
Durante décadas, o Brasil comemorou ter o maior estádio do mundo, o Maracanã, o maior estádio particular do planeta, o Morumbi, o segundo maior estádio público, o Mineirão. Por quase um século, o Brasil foi o país dos maiores estádios vazios do mundo, porque lotavam de quatro a cinco vezes por ano apenas –pode olhar as estatísticas.
O gigantismo representava custo para o Estado e para o contribuinte. Seguia-se no Brasil a lógica das grandes ditaduras. Mussolini fez a Itália ter somente estádios públicos e hoje os italianos lamentam ter ficado para trás dos ingleses com seus palcos particulares.
A ditadura franquista permitiu estádios de prefeituras na Espanha, e Hitler construiu o Olímpico de Berlim, para os Jogos Olímpicos de 1936. No Brasil, a maioria dos palcos municipais ou estaduais foi construída na sequência da ditadura de Getúlio Vargas ou nos governos militares.
Estádio precisa lotar em todos os jogos e isso exige uma operação profissional, com parceria com os clubes e seus sócios-torcedores. Não pode significar ingresso caro nem ser populista. Em média, 10% do público entra sem pagar no Maracanã, tanto no velho administrado pelo Estado do Rio, quanto no novo, pelo consórcio que inclui a Odebrecht.
Os novos estádios melhoraram a qualidade do Brasileirão, por cuidarem dos gramados e ajudarem a aumentar a média de público. Mas nenhuma arena tem ainda um modelo de gestão sustentável. O Grêmio está comprando a parte da OAS, o Corinthians precisa vender os naming rights para pagar o financiamento, o Mineirão recebe subsídios, o Palmeiras tem o modelo mais justo, mas sofre com a crise da WTorre.
O Maracanã era o maior estádio do mundo. Não é mais. Agora precisa ser o melhor. O estádio mais bonito, da torcida mais festiva, no país do futebol, na cidade maravilhosa. Tudo isso exige um novo modelo. Nem ser do Estado, nem da Odebrecht. Precisa ser do novo futebol brasileiro. Aquele com que, utopicamente, ainda sonhamos.
André Amaral
Fonte: PVC

É o Elitismo, que afasta a massa. Não se pode comparar o poder aquisitivo da Europa com o Brasil. Aqui o custo Maracanã é um assalto.
O Maracanã é patrimônio do RJ e deve ser administrado pelos clubes, no caso Flamengo e Fluminense, por exemplo. O Velho Maraca era o grande palco das multidões, de todas as classes. Agora a privatização do Estádio feito com dinheiro publico, ELITIZADO, se tornou inviável. O Maracanã tem que ser administrado pelos clubes (Fla/Flu), ou pelo Fla, que já teria um parceiro para ajudar. Afinal o MARACA É NOSSO, JÁ QUE FOI FEITO COM DINHEIRO PUBLICO.
Como a própria reportagem demonstrou a massa que dava os maiores publicos do mundo não era constante e nem rentável. O que que adianta lotar de vez em quando e não ter um planejamento para o ano todo em todas as partidas. O barcelona e real madrid tem boa lotação mas nem se comparam ao arsenal ou borussia com suas médias de 60 e 80 mil e estádios sempre lotados, uma festa linda!
O segredo não está em preço e sim no custo beneficio do espetáculo. Hoje em dia futebol não é mais banheiro com cheiro de urina e porradaria na saida. O publico é muito mais democratico, engloba bebes, maes, adolecentes, familias inteiras, na época mencionada isso não existia assim e se existia era só na parte mais elitizada do estádio
Eu frequentei arquibancadas onde a maconha era liberada e o alcool era coisa pouca. Hoje em dia não se pode nem fumar um cigarro na arquibancada do maracana. Os tempos são outros e cabe sim uma reformulação. O atual panorama não comporta gratuidade nem meia entrada forjada. A verdade é que não existe um planejamento nacional uniforme de como é organizado o campeonato e quais regras se deve seguir, em alguns lugares o torcedor visitante ainda corre um risco enorme, são januário e em outros ele é recebido como gringo, maracanã, com pompa e vasto espaço, enquanto em outras praças o numero é reduzido e não respeitado.
O maracanã hoje em dia é muito mais que um estádio mas funciona como funcionava quando era só um estádio, seu custo absurdo vem de sua péssima administração e suas desvantagens para o principal consumidor e fiel inquilino a mais de 50 anos, A TORCIDA DO FLAMENGO.
Enquanto o estado e o próprio maracanã nao assumirem que dependem unica e exclusivamente de um Flamengo forte e por consequencia os rivais tambem, o futebol do rio vai decair cada ano mais. O Flamengo tem sim prioridade, o Flamengo é a maior torcida do estado e paga as contas do maracanã a anos, praticamente sozinho. Não existe um sem o outro.
Está mais do que na hora de o Flamengo assumir esse negócio como um verdadeiro negócio que é. Torna-lo rentável e atrativo. Não tenho duvida que com alguns detalhes o maracanã lota todo jogo.
SRN
Creio que o que quis dizer foi que “com alguns detalhes o maracanã lota todo CLÁSSICO com jogo DO FLAMENGO”.
É exagero imaginar que alguma melhoria de estrutura e planejamento vá contribuir para lotar um jogo com algum Boavista ou Tigres-RJ da vida.
Erro meu, o “detalhe”na minha visão é a retirada das cadeiras da Norte e sul, por exemplo. Fazendo áreas como as que tem na arena do CUrintia e do Grêmio! Com barras de ferro que a torcida fica em pé mesmo!
Isso não só aumentaria o público para os setores mais baratos como traria de volta para um público que gosta disso a sensação que se tinha do Maracanã lotado e torcida da antiga arquibancada do Maraca
Falam mal do Estado, como se ele fosse um monstro malvadão, um problema, mas 90 por cento destas arenas novas que o PVC elogia foram construídas ou reformadas por este mesmo Estado.
O problema não é o Estado, mas o modelo neoliberal de PPPs que coloca a empresa apenas como beneficiária e não como investidora.
Se as empresas fossem realmente interessadas em construir estádios sem a participação do Estado, então ótimo, mas elas preferem que o governo faça os gastos e ela fique com os lucros.
Aí é mole meu irmão.
Não foram construidas pelo Estado, foram construidas com o dinheiro do povo, do pagador de impostos. Podiam ter usado para construir hospital e escola, mas usaram pra construir estádio superfaturado.
Dá na mesma.