A vida toda, Thallyson Augusto Tavares Dias teve que conviver com o preconceito. Ele tem uma malformação congênita na mão esquerda, e, por isso, tem os dedos bem pequenos. No entanto, o lateral esquerdo do Flamengo dá de ombros para as provocações e piadas maldosas. Decidido a vencer na vida desde que deixou Campo Alegre, no interior de Alagoas, ainda jovem, ele lutou como poucos para derrubar a discriminação.
“Nasci com essa deficiência na mão, mas isso nunca me impediu de fazer nada. O preconceito existe, isso é óbvio, experimentei a vida toda. Infelizmente, a discriminação faz parte do Brasil. Mas eu sempre fui forte. Por mais que tentassem, isso nunca me atingiu. Só me deu mais motivação para batalhar e chegar longe”, diz o ala, ao ESPN.com.br.
Atualmente emprestado à Ferroviária-SP pelo Fla para disputar o Paulistão, Thallyson garante que executa as ações do dia a dia sem nenhuma dificuldade. Até mesmo na hora de cobrar um lateral durante as partidas o jogador garante não tem problemas.

“Eu dirijo normalmente, amarro cadarço, até cobro lateral sem problema algum. Para mim, é como se eu tivesse duas mãos normais. Eu até esqueço de vez em quando”, conta.
A malformação, no entanto, já chegou a causas algumas situações incômodas durante suas partidas. O lateral esquerdo leva tudo com bom humor e procura rir das lembranças.
“Teve um jogo entre ASA e América-MG, em Minas, em que eu fui cobrar um lateral com muita pressa no segundo tempo e a bola escapou. Eu fui, mas a bola ficou (risos). O pessoal brincou demais depos, os amigos fizeram uma resenha boa, ainda mais porque vencemos o jogo. Tem que rir e bola pra frente”, ressalta.
Após se destacar pelo clube de Arapiraca, Thallyson chamou a atenção do Flamengo, que o contratou no final de 2014. O ala foi uma aposta do técnico Vanderlei Luxemburgo, que o marcou com um apelido carinhoso, que Luxa usava para ajudar o garoto tímido a “quebrar o gelo” e se entrosar com os novos companheiros.
“O professor Luxemburgo me chamava de ‘Cotoquinho’, sempre na brincadeira. Ele é muito engraçado, sempre conta piadas boas Eu gostava, o pessoal dava risada”, elogia.
“Ele foi um dos caras que mais me ensinou no futebol. Ele me mostrou tudo o que sei de tática, posicionamento, tenho um carinho enorme pelo Luxa. O ambiente no Fla era bom demais, todos sempre me abraçaram de forma surpreendente. Fui muito feliz”, lembra.
A falta de experiência, no entanto, acabou pesando para o lateral esquerdo, que não conseguiu se firmar na Gávea. Em que pesem as poucas partidas pelo time rubro-negro, Thallyson diz guardar apenas boas recordações de seus tempos com a camisa flamenguista.
“O momento mais marcante para mim foi minha estreia contra o São Paulo. Ganhamos o campeonato lá em Manaus, naquele estádio lindo, de Copa do Mundo. Foi uma emoção muito grande, isso ficou marcado na minha memória”, recorda o atleta.
Treinando forte para representar bem a Ferroviária em seu retorno à elite do Campeonato Paulista, o lateral esquerdo agora só tem um pensamento: realizar um bom Estadul e tentar uma nova chance no Flamengo, para enfim se firmar em um dos maiores clubes do país.
“Eu não estava tão bem preparado como estou hoje, não estava maduro quando cheguei ao Rio de Janeiro. Foi tudo complicado para mim, vim do interior de Alagoas, tive dificuldades para acostumar com o trânsito, as distâncias, a violência… Quando eu tiver uma nova oportunidade, garanto que vou estar melhor preparado”, garante.
“A expectativa agora é a melhor possível. Quero voltar para a vitrine e fazer um ótimo campeonato junto com a Ferroviária. Nosso time está muito forte e vamos com tudo para ajudar no que for preciso”, finaliza.
Fonte: ESPN

Eu gosto desse cara, ele tem força de vontade não se deixa abalar pela deficiência, tomara que tenha boa continuidade na carreira.
Grande exemplo de vida, espero que tenha toda sorte do mundo na continuidade da carreira. Mais no momento, não está a altura do Flamengo.