Em entrevista, Wallim Vasconcellos não se esquivou de qualquer pergunta, respondeu a todas com serenidade e firmeza, falando das indisciplinas de jogadores que não estão rendendo.
FDF – Por quê um profissional com grande experiência na área financeira foi buscar um cargo de futebol e não de finanças do clube?
Wallim – Na minha saída da disputa para a Presidência, sendo substituído pelo Bandeira, a chapa já possuía Rodrigo Tostes indicado para a Vice Presidência de Finanças. Como na composição do grupo não tínhamos um VP de Futebol definido, o cargo foi oferecido. Apesar de ser uma posição de maior cobrança, seguido ao cargo do Presidente, aceitei o desafio. Como dizia Vicente Matheus: “Quem está na chuva é pra se queimar.” (risos)
Nessa nova gestão do Clube, qual é o organograma no futebol?
Eu na Vice Presidente de Futebol; seguido de Paulo Pelaipe como Diretor Executivo de Futebol; Sérgio Helt (supervisor); Mano Menezes e Marcos Biasotto na base.
E o Conselho Gestor do Futebol, como funciona?
Com a saída do Godinho (Flávio Godinho, ex VP de Relações Externas), o Conselho Gestor do Futebol acabou. Oficialmente o conselho gestor do futebol não existe mais, porém para qualquer decisão, mesmo que informalmente, eu opto por compartilhar com Bap, Bandeira e Tostes. As decisões técnicas são tomadas por mim, Pelaipe e Mano, e compartilhadas com o Presidente Bandeira, com o Bap que é a pessoa de marketing que monta os projetos para trazer o profissional, e o Tostes que viabiliza a parte financeira.
O Paulo Pelaipe e você são os nomes fortes do futebol do Clube. Como foi a decisão de contratá-lo já que durante a campanha os nomes cogitados eram os do Pet e do Fabio Luciano? O Pelaipe tem o perfil executivo que o clube deseja?
Entrevistamos, além do Pelaipe, mais duas pessoas e o conselho gestor definiu que para o momento que o Flamengo se encontrava, o Pelaipe teria a melhor postura e experiência para organizar. A postura do Pelaipe é de cobrar do atleta comprometimento, tem que vestir o uniforme, cumprir procedimentos, horários… e também disciplinadora, estabelecendo organização, principalmente no CT, onde a circulação e o acesso eram livres, filhos, parentes, amigos de funcionários do clube…
Hoje, o nome do Pelaipe é consenso dentro do Conselho Gestor do Clube?
O nome do Pelaipe é total consenso entre todos os VPs do clube. O trabalho dele vem sendo feito, porém é difícil trabalhar com orçamento restrito. Quando ele foi contratado sabia das limitações financeiras. Todos os jogadores foram aprovados pelos treinadores da época, não foi uma decisão minha ou do Pelaipe apenas, todos os treinadores sempre participaram das contratações.
Falando da base: Houve um momento no inicio do ano, em que jogadores que subiram para o profissional tiveram oportunidade e destaque como o Matheus, Rodolfo, Thomás… O quê está efetivamente por trás do retorno deles para os times de base? O Flamengo não perde com isso?
Isso vem desde a época do Jorginho e também é, hoje, uma decisão do Mano. Se não está treinando, e não está jogando, mas tem idade para estar na base, melhor deixá-lo jogando na base, para continuar com ritmo de jogo, para num momento em que for demandado poder ser utilizado e responder. Eles estão na base por uma circunstância, a partir do momento que for demonstrado no treino em alguma situação que o Mano precisa de um deles, eles já estarão em ritmo de jogo e serão aproveitados, não quer dizer que foram descartados.
Todos os jogadores que foram contratados vieram com aval do técnico. E os que saíram?
Os que saíram foram por questões financeiras, ou disciplinares. Os que saíram por questões disciplinares o técnico avalizou e a gente concordou. E isso não é apenas com atleta. Mas cabe com qualquer funcionário. Não teve uma boa conduta disciplinar será mandado embora. Questões disciplinares vão ter sempre este fim.
Apesar da irregularidade do time, a torcida apoia bastante o técnico Mano Menezes e acredita na seriedade do trabalho dele. Ter postergado a contratação com a tentativa com o Jorginho foi um erro de estratégia?
O Mano não estava disponível na ocasião.
E o que foi preponderante para o Mano vir para o Flamengo?
O projeto, o processo de convencimento do Pelaipe com ele, falando sobre a equipe gestora, sobre a seriedade do projeto. Sobre nossa proposta de reconstrução do Flamengo. O Mano é um profissional de primeira linha, já tinha dirigido a seleção e o Flamengo precisava de um cara deste, que se impõe com os atletas e que os atletas respeitam, pois é um cara que sabe o que quer. Já tinha reconstruído o Grêmio e o Corinthians.
Com a saída do Dorival quando o Flamengo optou pelo Jorginho, no momento a justificativa era contenção de custos. Por quê com a saída do Jorginho, o clube optou por investir em um técnico que esta em um patamar mais alto financeiramente?
Não tínhamos muita opção, e ai o que a gente faz? Vamos tentar um treinador que fez sucesso em time de menor expressão, ou a gente trás um treinador qualificado como o Mano? Como o Mano topou, concluímos que valia o investimento para um trabalho completo, para não correr o risco de daqui a três meses mudar novamente. Assim como acontece com atletas que contratamos, que chegam aqui e não aguentam a pressão e não rendem. O mesmo acontece com o treinador. É preciso ter um cara que sabe o que quer.
Falando em Jorginho, ele foi fritado pelo elenco? Isso pode ter relação com algumas dispensas de jogadores que tinham alguma importância no time?
Não sei se ele foi fritado pelo elenco, mas com o mau desempenho nos quatro primeiros jogos, identificamos que algo de errado estava acontecendo. Optamos por trocar.
Então como realmente se deu a dispensa de Ibson, Love e principalmente de Renato Abreu? A postura e as últimas atitudes do Renato em campo foram a gota d’água ou teve mais fora das quatro linhas? E o Flamengo errou na condução do caso?
Ibson e Love foram por questões financeiras. O Ibson não vinha sendo aproveitado pelo Jorginho, não era um jogador essencial, e por este motivo e por questões financeiras achamos melhor dispensá-lo. A questão do Renato foi disciplinar. Já tínhamos decidido internamente que o clube não tinha mais interesse no Renato. Os jogadores tiveram um período de férias, justamente quando contratamos o Mano, que seria apresentado no dia em que os jogadores estavam retornando das Férias. Para não acontecer de apresentarmos o Mano e no dia seguinte demitirmos o Renato, e assim criar a noticia de que o Mano dispensou o Renato, o Pelaipe ligou para o procurador do atleta e avisou para ele que o Flamengo não teria mais interesse na permanência do jogador e que esse fato não tem nada a ver com a chegada do novo técnico. O jogador ajudou bastante ao Flamengo, o Clube é grato pelo que ele fez, mas o tempo dele aqui acabou. Sem ressentimentos. Conversei com o procurador do Renato sobre a mudança comportamental, que já vinha sendo recorrente, e isso desestabilizava o grupo. Se não temos disciplina em qualquer grupo ou empresa, seguindo as normas e as condutas estabelecidas, certamente teremos problemas.
Vemos que dois jogadores desagradam a torcida mesmo antes de entrar em campo: um é o Val e o outro é o Cadu, sendo que esse custa, pelo que se sabe, uma fortuna. Como o futebol do clube pretende dar a volta neste fato?
Na época que contratamos o Carlos Eduardo estávamos tentando montar um time para o Campeonato Carioca. Numa fase de vários atletas terminando contrato. Tínhamos que montar um time para tomar fôlego para o Campeonato Brasileiro e o Carlos Eduardo era um atleta que, apesar de estar um tempo fora, vindo de contusões, tinha performado muito bem no Grêmio e tinha ido até para seleção. Havia vários clubes interessados nele. Levamos algum tempo negociando. Da mesma maneira que convencemos Carlos Eduardo, convencemos o Elias. Mas tem o jogador que vai para o clube e se identifica de imediato, e tem jogadores que não se identificam, isso não quer dizer que é um mau jogador. Pode sair daqui e ir para um outro time e dar resultado. Isso você não consegue acertar. O investimento foi feito num atleta de ponta, mas não vem rendendo o que rendeu no passado, mas acho que ainda pode render. O que pesou para ele não render a gente não sabe, pois é um atleta dedicado, que treina.
O investimento acabou não compensando?
Neste sentido esperávamos um rendimento maior dele. No caso do Val, fez um excelente campeonato no Mogi, excelente desempenho, e quando chegou no Flamengo, ainda não rendeu. Mas é muito bom jogador. A camisa aqui pesa, tem muitos jogadores aqui do Rio de Janeiro que passaram por aqui e não conseguiram e em outros times deram resultados. A camisa aqui pesa uma tonelada! O Samir, parece um veterano. Se sente muito a vontade com a camisa do Flamengo. Não é que o atleta tenha esquecido de jogar futebol. Tem alguma razão que ele não consegue render no Flamengo. Temos uma rotina de conversar com os atletas, eu, o Pelaipe , o Mano, para explicar a grandeza do Flamengo. A importância de conquistar o torcedor Rubro Negro. O jogador que entende a grandeza do Flamengo e se fizer bem feito dentro do campo, perde a bola corre atrás e toma a bola, dá carrinho, a torcida abraça.
Fonte: Falando de Flamengo

