Laterais precisam ser maratonistas e fundistas, porque só assim conseguirão percorrer os eternos quilômetros da linha lateral em alta velocidade. Se você reparar bem e puser a imaginação para funcionar, conseguirá vê-los quase como uma linha paralela àquela que dá nome à posição. Mas, na matemática do futebol eles não podem entender só de retas, mas também de diagonais, seja para dentro ou para fora.
Ser lateral é, talvez, precisar ser o jogador mais completo dentro de campo. Tem que marcar, passar, apoiar, cruzar milimetricamente, inverter jogadas, driblar, ser veloz, e, como não, saber chutar. Afinal, é um tiro surpresa vindo do flanco que pode definir uma batalha. E precisa ser técnico também, já que é quem mais escuta, devido à distância, os gritos do “professor” para passar instruções aos companheiros.
Quando os laterais adversários se enfrentam, sai de baixo! É o encontro de dois gladiadores prontos a brandir suas espadas para o enlouquecimento do público. Se transformássemos sua faixa do campo em uma savana, poderíamos dizer que são dois gnus brigando para ser o líder do bando.
Nos estádios acanhados, o jogador que mais sofre é ele. Alambrado pertinho, torcida em cima e toma de xingamento a cada cruzamento ou passe errado, seja da própria torcida ou da rival. Na hora do arremesso manual, mais xingamentos e ofensas. Ele sofre preconceito até na pelada. Domingão, o famoso embate entre casados e solteiros. Os jogadores se conhecem pouco e precisam definir quem fará o quê. “Bom, eu corro bastante”, diz um. A resposta vem em uníssono: “então, vai para a lateral, meu filho!”.
Agora, há de se admitir as vantagens da posição. É quem está mais perto do vestiário, quem menos precisa andar se for substituído, e, reparem, pode ter um membro da família ali pertinho, visto que existe a possibilidade de se criar uma relação quase que fraternal com o bandeirinha.
Ser lateral é tudo isso e mais um pouco. Mas os maldosos, e que Deus lhes perdoe, vão dizer que “só é necessário correr bastante”
Fonte: Doentes por Futebol

