O clima que rondava o jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil estava tenso apesar do ótimo resultado no jogo de ida – vitória por dois gols e sem levar gol em casa. Porém a lesão de Éverton e, posteriormente, de Gabriel deixaram o torcedor apreensivo e a provável escalação um mistério, do qual Luxemburgo tentou aproveitar relacionando ambos pra partida, mas sem dizer se de fato algum dos dois ou ambos teriam condições de jogo.
Segundo o regulamento da Copa do Brasil, tendo vencido o 1° jogo por 2 x 0 em casa, o Flamengo poderia empatar por qualquer placar ou perder por um gol de diferença para se classificar, o resultado de 2 x 0 levaria o jogo para os pênaltis e, para cada gol marcado pelo Flamengo, o Atlético-MG teria que fazer 2 a mais que a diferença mínima inicial de 2.
Com tamanha vantagem inicial, o Flamengo só precisaria se defender e, numa boa oportunidade, marcar um gol para praticamente garantir a classificação. Jogar com o regulamento sob o braço não é de forma alguma covardia, mas sim um recurso estratégico que um time, principalmente se este for limitado como é o Flamengo, possui para ter chances numa disputa eliminatória.
Por todos os motivos citados, não entendi a escalação inicial de Luxemburgo para a partida, principalmente sabendo que Éverton vinha de lesão e provavelmente não poderia jogar 90 minutos.
Paulo Victor – Léo, Wallace, Chicão, João Paulo – Márcio Araújo, Cáceres, Canteros – Nixon, Eduardo, Éverton
Esse time é bem próximo do titular, cujo jogo é baseado em contra-ataques rápidos em direção ao gol. Basicamente o Flamengo se posta na defesa e quando tem a bola vai ou na base do lançamento ou com um dos corredores conduzindo a bola. Alguns podem perguntar qual o problema desse modo de jogar já que o Flamengo só precisava se defender e a resposta é simples: normalmente os contra-ataques do Flamengo são “bate e volta”.
Com o Barcelona de Guardiola, inspirado no Flamengo de 81, todos pudemos ver que o melhor jeito de se defender é manter a posse da bola. O time que tem a bola controla o ritmo do jogo, faz a bola girar e observa o adversário correr atrás desta, ou seja, aumenta o desgaste físico dos marcadores. E, para ser o dono da bola, o time precisa marcar a saída de bola adversária para recuperar a bola num setor que possui jogadores com menos recursos técnicos, além disso precisa o próprio time ter jogadores com capacidade de cadenciar o jogo.
Portanto, a escalação inicial de Luxemburgo tinha 2 graves problemas, não possuía configuração para cadenciar o jogo e ainda havia trocado um zagueiro rápido e com bom jogo aéreo por um zagueiro lento e com pouca altura e impulsão. Sendo bem clara, não havia motivo algum para trocar Samir por Chicão, inclusive por haver vários outros jogadores experientes em campo.
A consequência da sucessão de erros foi o Flamengo ser atacado o tempo todo, o jogo se passou majoritariamente no campo de defesa do Flamengo, com o Atlético-MG tocando a bola para abrir o jogo e então acelerar pelas laterais buscando um cruzamento para área, onde o gigante Leonardo Silva parecia sempre apostos para cabecear, o que não seria estranho se este não fosse zagueiro.
Quando o Flamengo conseguia recuperar a bola tinha duas alternativas de saída de jogo: chutões dos defensores e bons lançamentos de Canteros mirando um dos 3 atacantes ou um dos ponteiros, Éverton e Nixon, pegar a bola próximo do meio campo e correr alucinadamente na direção da linha de fundo adversária para tentar um cruzamento para Eduardo. Nenhuma das alternativas era boa, um dos motivos era a posição muito recuada do time, o que fazia com que todos os jogadores tivessem que acompanhar a velocidade dos ponteiros, Eduardo rapidamente cansou por justamente não ter um estilo de jogo veloz, o que acabava deixando o condutor da bola bastante isolado e fácil de ser desarmado.
Ainda assim, graças aos esforços hercúleos de Éverton e Nixon na marcação e nas tentativas de desafogo, o Flamengo conseguiu marcar um golzinho e abrir o placar. Sabendo que o Atlético-MG precisava marcar 4 gols para se classificar e já estando na metade do 1° tempo, o Flamengo se encolheu ainda mais, piorando a estratégia já ruim de jogo.
Os times foram pro intervalo com o jogo empatado, o Flamengo muito desgastado fisicamente e o Atlético-MG embalado e motivado, principalmente pelo incentivo da torcida, além de terem de modo evidente dominado o jogo e chegado perto de marcar várias vezes, principalmente nas jogadas de bola levantada na área, ponto fraco reconhecido do Flamengo e ponto forte igualmente conhecido do time mineiro.
O Flamengo teria 45 minutos para segurar o jogo e ainda podia levar 2 gols que ainda se classificaria, era o momento de acalmar os ânimos e corrigir as besteiras feitas antes do jogo. Mas Luxemburgo se superou em todos os aspectos, além de ter mantido a orientação errada de jogo, ainda errou em TODAS as substituições. Era compreensível tirar Éverton após o desgaste e com o jogador tendo recebido cartão amarelo, Nixon saiu exausto, Eduardo fazia uma partida ruim, não só pelo desgaste, mas parecia desconcentrado, tendo até feito uma jogada displicente que deu um gol para o adversário pouco antes de sair (aliás, tal jogada me lembrou a embaixadinha de Alecsandro no jogo contra o Cruzeiro no 1° turno); o problema foi quem entrou.
Com a saída de Eduardo, Luxemburgo poderia ter posto Amaral colado no Diego Tardelli, que jogou muito e subiu ainda mais de rendimento com a entrada de Luiz Antônio (substituto de Eduardo), o que fragilizou muito a marcação na direita. Quando Nixon saiu Luxemburgo poderia ter posto Negueba para manter alguém veloz pelo lado que daria um gás no ataque e na defesa, mas o infeliz colocou Elton, que em NENHUM jogo até agora mostrou ter velocidade ou capacidade de segurar a bola no ataque, pelo contrário, mal dominava a bola e ainda estava quase sempre impedido. Para completar o desastre, Luxemburgo tirou Éverton e colocou Mattheus, que só tinha entrado no finzinho do jogo contra a Chapecoense e, antes disso, não jogava desde o Carioca.
Com um time cansado em campo, sem nenhum jogador veloz, com alguém que era uma nulidade em campo (sim, falo do Luiz Antônio) e outro que era quase um adversário infiltrado (Elton – o perdedor de bola), Luxemburgo continuava na beirada do campo pedindo pro time atacar, correr com a bola, exatamente como fez durante todo o 1° tempo. O áudio do Luxemburgo era terrível, além de não passar calma para os jogadores e discutir com o juiz, o treinador insistia em mandar o time atacar, fazer ligações rápidas com Elton ou Luiz Antônio, mesmo vencendo por 3 x 2 no placar agregado. A punição veio com um direto forte aos 36 minutos completada com um gancho matador aos 39 minutos do 2° tempo, fulminando o Flamengo e garantindo o Galo Forte e Vingador na final da Copa do Brasil.
Era para o Flamengo ter sido Ali, se alternando entre ficar nas cordas e fazer um bom jogo de pés para se afastar do adversário, bastava começar o jogo com uma escalação feita para cadenciar o ritmo e aguentar fortes pancadas, para no 2° tempo por velocidade em campo e nocautear nosso Foreman. Luxemburgo confundiu tudo, enfiou os pés pelas mãos e jogou a Copa do Brasil no lixo ao errar na estratégia, na escalação e nas substituições.
A quem está se perguntando como eu escalaria o time:
Paulo Victor – Léo, Wallace, Samir, João Paulo – Cáceres, Amaral, Márcio Araújo, Canteros – Nixon e Eduardo.
Onde Amaral seria a sombra de Tardelli e Canteros um armador que jogaria próximo a Nixon e Eduardo com a função de tocar a bola no meio, cadenciando, nada de buscar o ataque em contra-ataques rápidos. Pro segundo tempo era trocar Éverton por Eduardo, quando Nixon casasse o substituiria por Negueba (caso Gabriel não tivesse qualquer condição de jogo) e, por fim, poderia trocar Márcio Araújo ou Amaral (dependendo de quem tivesse amarelo) por Muralha ou Mugni (para prender mais a bola).
Saudações Rubro-Negras
Em tempo: Extrema estupidez o que a torcida está fazendo com Mattheus, não o acho craque, mas joga bem com a bola nos pés, seu problema é sem a bola, o que necessita de trabalho para ensiná-lo a marcar e cobrança para se movimentar. Aliás, ele foi o único que jogou certo na semifinal, entrou e segurava a bola, não procurava jogar ela pro ataque, tocando pro lado e para trás num jogo em que o Flamengo já tinha o placar e só precisava parar o jogo e manter a bola.
Em tempo (2): Quando Luxemburgo foi anunciado, eu disse que com ele o Flamengo não cairia, ficaria no meio da tabela, e não ganharia a Copa do Brasil, que era um dos melhores treinadores do Brasil, mas longe de ser alguém que tem o que o Flamengo precisa para brigar por títulos. Mantenho minha opinião e, por mim, pode ir embora em Dezembro para a chegada de um bom treinador estrangeiro, acostumado a trabalhar com plantel menos custoso e jovens jogadores vindo da base.
Fonte: Flamengo em Foco

