Poderia falar da covardia que se apossou de nossos jogadores, poderia falar dos erros na escalação do time, poderia falar das substituições infelizes do nosso técnico. Poderia falar da tentativa frustrada dos torcedores rivais em nos achincalhar.
Poderia (e deveria) enaltecer o belíssimo futebol praticado por nosso adversário, poderia apontar os problemas em nossa diretoria, em nossa política, em nosso clube. Poderia falar simplesmente que o nosso grupo é fraco e que chegamos até onde foi possível.
Poderia, mas não vou.
Vou falar que acordei ainda mais Flamengo, pois percebi, nas duas horas de insônia posteriores ao jogo, que até o sentimento de raiva, quando relacionado ao clube, me fazia sentir mais vivo, mais forte, mais humano. Vou falar que, ao sair nas ruas, aumentei o meu amor pelo Flamengo, ao perceber que vários envergavam o Manto Sagrado, como se o mesmo respondesse silenciosamente aos olhares invejosos dos que pouco tem a sorrir.
Vou falar que encontramos na torcida rubro-negra, pessoas que responderam à dor da derrota com o enfrentamento, se tornando um novo sócio-torcedor ou garantindo o ingresso e as passagens para o próximo jogo, que pouco vale para a tabela, mas muito representa para o orgulho ferido.
Vou falar que na dor da derrota, cada rubro-negro consegue encontrar uma pequena brecha de esperança, de positividade, de preencher a alma. E isso não tem nenhuma explicação. Talvez por não ter nenhuma explicação e por tudo isso ser subjetivo ao mesmo tempo que completamente real, nós rubro-negros consigamos ser tão especiais, tão únicos, apesar de tão numerosos.
Os próximos dias serão de cobrança, de brados retumbantes, de críticas infindáveis. Separemos o joio do trigo. O tropeço de nada nos serve se não gerar ensinamentos e se estes não forem corretamente absorvidos. È necessário e fortificante. Ao mesmo tempo, o orgulho deve seguir intacto. E, como gigantes que somos, assim o faremos.
Tudo isso porque somos rubro-negros. Mais que isso: tudo isso porque nós somos o Flamengo.
Fonte: Falando de Flamengo

