Quatro vezes campeão brasileiro e outros tantos títulos estaduais conquistados no eixo Rio-São Paulo, Vanderlei Luxemburgo alcançou sua fama na época em que a principal competição do país misturava pontos corridos numa fase classificatória e jogos eliminatórios a partir de emocionantes oitavas-de-final.
Era a década de 90 e o então técnico que revolucionava o tal planejamento tático e administrativo do futebol brasileiro atribuía parte do sucesso ao best seller “Inteligência Emocional”, do ex-redator de ciência do New York Times, o americano Daniel Goleman.
À beira do campo de terno e gravata, utilizando termos corporativos em suas entrevistas, Vanderlei estabeleceu planos e metas em seus contratos, exigiu profissionalismo dos dirigentes e trabalhou o que se chamava de QE (coeficiente emocional) dos atletas…
APOGEU.
Deu certo, até que o próprio se deixasse trair pelas vaidades e se transformasse num profissional com mais defeitos do que virtudes, com suas teses e frases de efeito virando motivos de gracejos e chacotas.
Ainda assim, é até hoje o único a ganhar, num único ano e num mesmo clube, os títulos do Estadual, da Copa do Brasil e do Brasileiro, e o primeiro (também o segundo!) a vencer a edição por pontos corridos e o maior colecionador de títulos nacionais em atividade.
Como se não bastasse, ainda experimentou a fama de dirigir um galáctico Real Madrid…
E QUEDA.
Mas desde 2004, quando levou o Santos de Robinho, Diego, Elano e Ricardinho ao título brasileiro, que Vanderlei não vive o doce sabor da conquista nacional.
Seguiu vencedor de um título estadual aqui, outro ali, mas seus métodos e seus discursos jamais foram levados a sério ou até mesmo respeitados diante de tantos infortúnios, em meio a tantos acontecimentos extracampo.
AMÉM.
E, curiosamente, foi neste Flamengo que o acolheu há dois meses num misto de desconfiança e beatificação, que Vanderlei festejou sua última conquista, levando o Carioca de 2011.
Nesta quarta-feira, defendendo em Belo Horizonte a vantagem de dois gols que seu time pôs sobre o Atlético-MG no primeiro jogo da semifinal da Copa do Brasil, imagino o quão seco por chegar a mais uma final deva estar o “amaldiçoado” técnico _ o único, talvez, a se transformar num catalisador de energia para o modorrento futebol brasileiro…
Fonte: Blog do Gilmar Ferreira

