Se por um momento fosse possível para um rubro-negro desconhecer o lugar onde estamos agora bastaria olhar para trás, fazer a contagem dos corpos pela paisagem inóspita e imediatamente iria identificar o adusto rincão. O Flamengo, como já vem se tornando um salutar hábito, está no meio da travessia do mais íngreme, pedregoso e traiçoeiro trecho do deserto que separa os grandes times dos times gigantes. Estamos em casa.
O ar é rarefeito, o clima é francamente insuportável para quem não está acostumado. As estatísticas mostram que é exatamente nesse ponto da travessia que os mais fracos desistem, batendo com a mão no tatame e pedindo pra sair. Ao Flamengo não é oferecida tal opção. O Flamengo e o torcedor rubro-negro podem até, na doideira, esquecer de onde estão, mas nunca esquece de quem são. E por mais alucinado, adrenalizado ou esquecido que estejam, sabem que a única maneira de chegar em segurança é avançar. Sempre em frente, sempre adiante, sempre avante. Retroceder nunca, render-se jamais.
O pobre adversário já perdeu o controle e começou a caça às bruxas antes mesmo do jogo começar. Nas fileiras inimigas o desespero impôs a autofagia. Já começaram os julgamentos por covardia e os processos sumários por deserção. Não é mesmo pra qualquer um, não adianta forçar a barra. Como se portar em tais situações sem tremer? Como enfrentar tal desafio sem renunciar a nenhum dos seus valores? O Flamengo sabe. Azar de quem não aprendeu. Porque daqui em diante não tem mais volta. É rumo ao topo e só vai que se garante.
Alguém tá a fim de ficar de fora? Nem precisamos perguntar. Nós, flamengos, vivemos para esses momentos. Quer ser campeão sempre, independente do resultado? Pergunte-nos como. Mas só depois que o jogo acabar. Agora é hora de ser Flamengo.
Fonte: urublog

