Dias atrás tomamos conhecimento de uma articulação de alguns grupos oposicionistas impedindo que houvesse quorum uma sessão no Conselho de Administração que apreciaria e votaria uma proposta de permuta da obsoleta e onerosa Mansão de São Conrado por salas comerciais que renderiam receitas de aluguéis para o Flamengo. E, na última quinta-feira, veio a público declaradas rejeições desses mesmos oposicionistas em pagar uma cota extra de R$35,00 referente a uma dívida antiga, na ordem de R$2,2 milhões, com a Cedae (água) e com a Prefeitura do Rio (IPTU), cota essa que fez com que o Conselho Diretor enviasse uma carta aos associados explicando as razões da cobrança extraordinária, ocasião em que se reforçou as dificuldades financeiras vividas pelo clube, o que exigia a colaboração daqueles que, legalmente, usufruem das instalações do clube.
Entrevistado sobre o assunto, o presidente do Conselho Deliberativo, Sr Delair Dumbrosck, que recentemente externou a seu desejo de ver os situacionistas longe da Gávea, declarou que faltou habilidade ao Conselho Diretor, e que isso (a tal cobrança) nunca havia ocorrido no Flamengo, tendo finalizado, de forma infeliz, indagando se no futuro, caso o clube venha a ser condenado a pagar R$40 milhões ao Ronaldinho, se os associados também terão que pagar a conta? Que comparação absurda! Sr Delair, o que seria ter habilidade? Não cobrar? Consultar previamente o senhor? Fazer uma pesquisa junto aos associados? São comportamentos vaidosos como esses que não suportamos mais. O Flamengo e a Nação Rubro-Negra não merecem pessoas que colocam os interesses pessoais acima dos do clube. Com todo o respeito ao Sr Delair (se é que ele merece), um presidente de um dos poderes do Flamengo não pode responder em nome do cargo que exerce com a cabeça oposicionista. Ele está ali para defender, acima de tudo, os interesses do clube, e não os pessoais. A sua resposta deveria estar pautada na legalidade ou não da cobrança e não na sua posição pessoal (que, para mim, de nada vale).
Quanto ao caso da Mansão é óbvio que ninguém tem a obrigação de votar a favor da permuta. Mas impedir que o assunto seja sequer apreciado é, no mínimo, um jogo sujo. E quanto a tal cota extra, é bem provável que seja realmente a primeira vez que isso tenha ocorrido. Sabem porquê? Porque não é uma atitude simpática com os associados, como muitos sempre fizeram pensando em se perpetuar no poder. Trata-se de uma medida que, em princípio, não capitaliza votos, muito pelo contrário. Mas, lembremos que nem todas as medidas populares são as mais acertadas. Agir com austeridade é fazer o que é certo, mesmo que isso implique em possíveis prejuízos eleitorais. Só espero que os associados independentes, aqueles que, efetivamente, querem o bem do clube, que, aliás, é a grande maioria, tenham esse discernimento.
E agora, qual será a próxima atitude desses grupos para tentar prejudicar o Flamengo?
Por outro lado assistimos a Nação Rubro-Negra dando exemplos de apoio ao time e ao clube, lotando os estádios, aderindo aos programas de fidelização e de contribuições financeiras. E tudo isso com o time ocupando a décima-segunda posição na tabela de classificação. Imaginem se estivéssemos brigando pelas primeiras posições? Isso é Flamengo. É por isso que somos tão odiados pelos adversários, que não conseguem entender tamanhas devoção e paixão.
Temos motivos para criticar a atual diretoria? Sim, temos, principalmente no futebol, pois muitos erros foram cometidos. Por outro lado, hoje há grandes expectativas de dias melhores. Estamos recuperando a nossa dignidade e credibilidade, apesar da baixíssima repercussão que a mídia dá a isso. Temos mantido as CNDs. Os salários, com muito sacrifício, vêm sendo honrados. Ganhamos o prêmio de clube mais transparente em 2013. Os balancetes são divulgados trimestralmente, e os resultados têm sido elogiados por especialistas. Passamos a ter acesso as verbas de incentivos fiscais, o que nos está nos permitindo voltar a investir e crescer nos esportes olímpicos sem depender das receitas oriundas do futebol. Temos hoje a maior receita do Brasil em patrocínios, e um programa de ST que, apesar de ainda distante do ideal, já nos rende R$30 milhões/ano. As obras do CT foram retomadas, com previsão de conclusão no final de 2015. O nosso museu, um antigo sonho rubro-negro, será inaugurado no próximo mês. Estamos em fase final para a aprovação de uma arena para abrigar os esportes de quadra, que, certamente, gerará ganhos esportivos e financeiros para o Flamengo. Estabelecemos diversas parcerias que estão nos permitindo revigorar os equipamentos e as instalações esportivas da Gávea (futebol, remo e ginástica olímpica). Enfim, estamos enxergando consistentes evoluções, e para que isso chegue ao futebol é só uma questão de tempo.
Este texto não tem a pretensão de defender as reeleições dos chamados “azuis”. Se surgir um outro grupo em condições de oferecer mais para o Flamengo não titubearei em apoiar. O verdadeiro objetivo do que aqui exponho é chamar a atenção da Nação Rubro-Negra, de onde, legitimamente, o poder deve emanar, para que não permitamos que esses que se julgam “donos do Flamengo” continuem nos afrontando, prejudicando o clube e querendo, a qualquer preço, retomar o poder através de um jogo político sujo. Refiro-me ao Sr Delair Dumbrosck, que não está conseguindo administrar o maior desafio do seu mandato, que é o de viabilizar a reforma do estatuto do clube. Também ao Sr Gonçalo Veronese, braço direito do Capitão Léo. E, ainda, ao Sr Francisco Gularte, ex-VP de Finanças do Edmundo Santos Silva (ex-presidente que sofre um processo de impeachment). Esses senhores, e seus poucos mas barulhentos correligionários, estão nos trazendo mais dificuldades do que os nossos adversários desportivos. Será que eles não percebem isso? Ou sabem e o que querem é isso mesmo? Fico com a segunda hipótese.
Silvio Macedo

