A sensação de incerteza sobre o futuro do Botafogo revelada pelo goleiro Jefferson nesta sexta-feira no Redação SporTV remete a um momento semelhante do Flamengo em 2004. Em participação no programa do Cartola, na tarde desta sexta-feira, o goleiro Getúlio Vargas, de 31 anos, relembrou os apertos que passou quando o clube da Gávea adotava os “meses de 120 dias”.
– Na época, a gente ficou com quatro meses de salário atrasados e o Felipe, o meio-de-campo que encerrou a carreira recentemente, ajudava muito. Eu, Ibson e Diego (goleiro) almoçávamos na casa dele quando o treino era integral. Existem esses jogadores que ajudam, mas isso não justifica. O fair play financeiro tem que ser pensado com carinho. O clube precisa se organizar e mostrar que tem orçamento para cumprir com suas obrigações – disse.
Getúlio atuou fora do país na África do Sul, Portugal e Bélgica e sempre recebeu em dia. Mas no Brasil a situação foi diferente. Ele revela que os últimos quatro clubes em que atuou – ABC, Duque de Caxias, Boavista e Bangu – pagaram-no com meses de atraso ou ainda o devem.
– É preciso tomar providências. Tem jogador que ganha muito, mas isso não interessa. Também tem os que ganham pouco. O Jefferson pode chegar e falar. Mas tem menino que se falar sabe que em algum momento pode prejudicá-lo na carreira. Processo é esse, a gente sabe que o sistema funciona assim, mas precisa mudar. É horrível estar fora do país e olhar no noticiário, ver jogador sentar e não jogar (por causa de atrasos). O estrangeiro não entende isso. Desvaloriza o nosso mercado – declarou Getúlio.
Fonte: GE

