O Flamengo mostrou esforço e comportamento digno ao buscar, no segundo tempo, o empate em 2 a 2 contra o Atlético-PR, em Joinville (SC), após estar perdendo por 2 a 0.
E por pouco a equipe carioca – que há quatro anos não sabe o que é vencer o rubro-negro paranaense num Brasileirão e há inacreditáveis 39 anos não ganha do adversário como visitante na competição – não saiu vitorioso da bela cidade catarinense.
O Fla perdeu várias oportunidades.
Renato Abreu teve um gol anulado por um impedimento milimétrico e, no final da partida, já com 2 a 2 no placar, bateu uma falta na trave direita do goleiro Weverton, do Atlético-PR, que, sem ação, limitou-se a olhar a bola.
Nos quesitos honra e disposição, o time foi o oposto do grupo vergonhoso e descompromissado da derrota por 2 a 0 para a Ponte Preta no Estádio Municipal de Juiz de Fora (MG).
Naquele jogo, a Ponte foi o Flamengo que o Flamengo não consegue mas, ao seu modo, gostaria de ser: um time medium de luxe, sem craques mas determinado, solidário, organizado, fechadinho e rápido nos contra-ataques, oportunista, comprometido e duro de ser derrotado.
O técnico Jorginho queria tudo isso para o Flamengo, mas ainda não conseguiu implantar nada no grupo.
A equipe precisa caminhar muito, em vários aspectos, se quiser evitar a agonia de passar o Brasileirão inteiro namorando a zona de rebaixamento. Ou mesmo dentro dela. Ou, ainda pior, viver o constrangimento de terminar a disputa dentro dela.
Com dois empates, uma derrota e dois pontos, o Fla terminou o jogo com o Atlético-PR em 15º lugar na tabela, a duas posições da zona de degola. Mas poderá ser ultrapassado, ainda nesta rodada, até pelo lanterna da competição, o Náutico, sem nenhum ponto ganho até agora.
O elenco do Flamengo é limitado e medíocre, no sentido de mediano do termo.
A zaga mostra insegurança e a proteção de Luiz Antônio na cabeça-da-área está muito longe da ideal.
Nas laterais, Leo Moura está longe da capacidade que conhecemos e os dois novatos da esquerda precisam evoluir muito, sobretudo no apoio, na qualidade dos passes, cruzamentos e lançamentos no ataque.
Apesar do bom tempo de preparação, com a eliminação precoce do Carioca, os resultados do trabalho do técnico Jorginho ainda não apareceram: o time não mostra um padrão tático definido, alguns jogadores parecem perdidos e o meio campo simplesmente não cria.
A incapacidade do Flamengo de inventar uma boa jogada, concluir no ataque ou mesmo chutar a gol é comovente.
O treinador não consegue mudar o comportamento nulo dos jogadores contratados para resolver o problema da criatividade no meio campo, sobretudo o do até agora nulo Carlos Eduardo.
Com isso, o time, sem qualquer inventividade na meiuca e jogadores incapazes de resolver jogadas com talento individual, roda, roda, roda, roda com a bola no pé, bolinha para lá, bolinha para cá, bolinha-bolinha, bolinha, bolinha até… claro: perder a bolinha.
Irritante.
Cabe lembrar que só agora, na terceira rodada, o time conseguiu marcar seu primeiro gol na competição.
Se Jorginho não conseguir apertar o cinto dessa defesa e fazer o time ao menos compensar a falta de talento com aplicação tática e dedicação, e isso muito rapidamente, o namoro com a zona de rebaixamento nesse Brasileirão será longo.
E com grandes chances de terminar em casamento.
Fonte: Blog do Eduardo Marini



























