Recebi Mano Menezes, ontem, em meu programa “A Última Palavra” e lhe perguntei qual o trabalho mais árduo: o de treinador da seleção brasileira ou o do Flamengo? Com a elegância e a educação que lhe são características, ele deu uma resposta interessante: “Na seleção, naturalmente, a pressão era maior. Mas no Flamengo, devido as circunstâncias, a tarefa é mais difícil”.
As circunstâncias a que ele se refere são as de montar um time razoavelmente competitivo sem grandes talentos. O técnico garantiu que, ao ser contratado, não exigiu, nem lhe foram prometidos, reforços de ponta ainda em 2013.
— Todos sabem das enormes dificuldades financeiras que o clube atravessa e do sério trabalho de reconstrução que a diretoria vem fazendo. É preciso ter paciência. Buscamos alguns jogadores dentro do possível e da atual realidade em que vivemos. O importante é fazer uma base para que, no ano que vem, já mais estruturados, possamos montar uma equipe à altura das tradições rubro-negras.
A irregularidade no campeonato é, para Mano, uma característica quase geral:
— Exceção feita ao Cruzeiro e ao Botafogo, ninguém consegue emplacar uma boa sequência de vitórias. Daí esse sobe e desce. Do Corinthians, o sexto colocado, para nós, que estamos em décimo terceiro, a diferença é de apenas quatro pontos. E de nós, para o primeiro na zona do rebaixamento (o Vasco), apenas dois. Ou seja, está tudo muito parelho. Só mesmo Cruzeiro e Botafogo se destacam.
Apesar disso, o treinador não vê o título, necessariamente, encaminhado para um dos dois:
— O Grêmio já abriu 13 pontos e acabou perdendo o campeonato para o São Paulo. E o Palmeiras fez parecido, em 2009, e nem foi à Libertadores!
Mas analisando a tabela e os times adversários, sua previsão para o Flamengo é realista:
— Não dá pra sonharmos com nada grande. Mas também não creio em rebaixamento. Há mais de quatro times piores que o nosso. Não vamos cair.
Fonte: Blog do Maurício Prado

