Depois da intermediação feita pelo governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, nas reuniões de segunda-feira com os clubes cariocas, Flamengo e Consórcio Maracanã S.A. parecem estar a caminho de acertar os ponteiros. Após a briga declarada na última semana, as partes tentam acordo e a aproximação parece se refletir nas palavras do técnico Mano Menezes após a partida diante do Vitória disputada no estádio.
O comandante rubro-negro fez a linha do mistério inicialmente. Mano deixou nas entrelinhas que a falta de partidas em casa pesou ao time no primeiro turno do Brasileiro e teve consequências diretas na tabela. Por isso, classificou que a diretoria foi “inteligente” ao permitir que mais jogos sejam disputados pelo time no Maracanã a partir deste segundo turno. Na estreia na nova fase do Campeonato Brasileiro, diante do Santos, daqui a uma semana, o Flamengo voltará a jogar no Maracanã. E ao que parece será uma rotina
“Tivemos dificuldades (no Brasileiro) de não pode jogar no Maracanã, jogar em Brasília, não conseguimos fazer valer tanto fator mando de campo. As equipes mais bem posicionadas estão fazendo valer isso. Então vamos fazer isso a partir de agora. o Flamengo entendeu a partir desse momento como instituição, que vai valer a pena”, disse Mano Menezes.
Em seguida, o técnico rubro-negro foi indagado de forma objetiva se ele já havia sido informado pela diretoria que um novo acordo estava alinhavado para a disputa de todos os jogos do restante do Brasileiro e da Copa do Brasil no Maracanã. Mano tentou adotar uma linha enigmática, mas acabou indicando novamente a proximidade entre as partes.
“A diretoria do Flamengo é bastante inteligente, capaz para entender o momento de cada coisa. Então tem grandes chances de estarmos aqui mais vezes, principalmente no segundo turno. Isso era muito importante para a equipe, muito importante para o torcedor. E muito importante para todo mundo. Agrada a gregos, troianos e todos mais”, disse o treinador, com um sorriso no rosto.
O estopim para a crise entre as partes foi a partida da última semana, entre Flamengo e Cruzeiro, pela Copa do Brasil. Mesmo com os 47.103 pagantes da partida, o Flamengo abocanhou apenas R$ 624.429,68 de uma renda bruta de R$ 2.266.070,00. Ou seja, 27,5% do total. Os números e as altas taxas que constavam no borderô irritaram de vez o clube, que divulgou uma carta aberta na qual tornava pública a insatisfação. E pressionou o Governo do Rio pelo fim da concessão de 35 anos.
O Consórcio, por sua vez, rebateu em nota oficial, afirmando que os termos firmados (divisão de 50% de receitas) foram propostos pelo Flamengo. Na última segunda-feira, o Flamengo e os outros três grandes clubes cariocas tiveram reuniões com o governador Sérgio Cabral Filho para intermediar a questão. Durante o encontro, os rubro-negros voltaram a pressionar pela diminuição das taxas. O custo operacional do estádio chegou a custar R$ 380 mil nas partidas nas quais o clube teve o mando.
Na proposta, o Flamengo cogitou assumir as operações do Maracanã em dias de jogos. Inicialmente, o Consórcio mostrou-se contrário à operação, mas disposto a conversar. Uma das queixas do Flamengo, o cartão-ingresso do sócio-torcedor, antes não disponível, já teve tecnologia para ser utilizado diante do Vitória e assim foi realizado.
A questão de ativação de patrocinadores, sobre a qual o Consórcio se mostrava irredutível, já passou a ser conversada. Mas, pelas palavras de Mano, o lado técnico, com o desempenho de pior mandante da competição até pouco tempo, parece mesmo ter pesado sobre o financeiro.
Lado do banco de reservas
Nas partidas nas quais o Flamengo foi o mandante no Maracanã, diante de Botafogo, Cruzeiro e Vitória, um detalhe chamou a atenção dos torcedores do clube. Tradicionalmente, o banco de reservas do time era posicionado à esquerda da tribuna de imprensa, no lado da torcida rubro-negra. Mas desde a volta ao Maracanã, Mano Menezes comandou o Flamengo na área técnica à direita, próxima ao auxiliar.
Perguntado se a decisão de mudar o lado do banco de reservas do Flamengo fora devido a um pedido seu, o técnico Mano Menezes se esquivou da responsabilidade.
“Eu não tenho preferência sobre lado o campo. Fomos jogar no Maracanã e me disseram que o lado que eu deveria ficar era aquele. E fiquei. Não sou supersticioso a ponto de (mudar de lado). Respeito tradição. Se acharem que é melhor o banco de lá, vou estar do lado de lá e vou trabalhar do mesmo jeito”, afirmou Mano Menezes.
Funcionários responsáveis pela administração do Maracanã garantem que a decisão para que o banco de reservas rubro-negro mudasse de lado foi tomada pela diretoria do clube.
Fonte: ESPN

