Vou ser bem objetivo. Não quero falar sobre seleção porque fica parecendo que você não virou a página. Era uma etapa difícil, tinha que fazer uma nova seleção depois da Copa de 2010. Escolhi um caminho, fiz o trabalho que achei que deveria fazer e é bom registrar que nunca tive nenhum problema dentro da CBF. E o trabalho na minha maneira de ver foi bem feito, até porque a continuidade dele comprova isso. Hoje, com Felipão e Parreira, mas baseado naquilo que foi construído inicialmente, o que me deixa satisfeito.
O diretor-técnico Parreira elogia você pela forma como fez a transição…
É. Minha relação com ele é muito boa. Durante o momento em que estive lá, sempre que conversamos ele foi muito colaborador, passando algumas coisas importantes da experiência que teve. E retribuí. Penso que essa deve ser a atitude, mesmo traumática, por ter um trabalho interrompido no meio. Tinha todos os dados armazenados do que havia sido feito naquele período e passei a ele para que servisse de base.
Tem mais afinidade com o Parreira?
Neste momento, sim.
Conversou com o Felipão?
Não.
Tem algum ressentimento dele?
Não. Não houve nada, não.
E com a CBF, ficou magoado?
Não. Não guardo mágoa. Não tenho tempo para isso. Sou muito bem resolvido, sou feliz. Não tenho mágoas, nem raivas.
Conversou ou esteve com o Marin após a demissão?
Não.
Gostou da Copa das Confederações?
Gostei.
Fred falou que você não foi o Mano dele. O que achou da declaração?
Ah, é uma declaração só. A vida de técnico exige muitas tomadas de decisão. E nem todas agradam. É impossível agradar a todo mundo. E eu procuro seguir aquilo em que acredito. A pior coisa é quando você perde e vai para casa sem ter seguido as suas convicções. Aí, você não se perdoa. Se você as seguiu, a derrota faz parte do esporte, mas você está com a sua consciência tranquila.
A exclusão do Fred da seleção tem a ver com o pai dele ter dedurado uma simulação de contusão para não jogar pelo Brasil?
Você vê como essas histórias vão se distorcendo. Não excluí o Fred. Na minha última convocação, Fred estava lá e fez gol. Perdemos para a Argentina por 2 a 1 e ele fez o gol. Apenas a partir de um determinado momento, preferi montar a equipe sem um centroavante de referência porque queria utilizar Kaká, que era um jogador mais experiente que a gente trouxe de volta para a seleção. E eu entendia que para manter aquela filosofia de jogo, de marcar na frente, aquela era a formação ideal naquele momento. Mas eu nunca disse que iria jogar todos os jogos sem um centroavante. Iria criar uma alternativa diferente do que costumeiramente a gente vinha utilizando.
E a história do pai do Fred, sobre o filho ter desprezado a seleção para jogar pelo Fluminense?
A história do pai não existiu. Fred jogou um jogo pelo Fluminense, e nós tínhamos feito a convocação para um jogo contra a Argentina, em Córdoba. Abel deu uma entrevista dizendo que o Fred tinha sentido e que provavelmente não iria para a seleção. A gente não podia abrir um precedente em cima de uma declaração pós-jogo, deixando o jogador fora. Entramos em contato com o Fred, pedimos que se apresentasse e viajasse com a seleção para Córdoba. O doutor Rodrigo Lasmar examinou o Fred, e a gente sabia que se colocasse ele em campo havia o risco de agravar a lesão. Então, a gente decidiu não colocá-lo em campo e o liberamos, mesmo sabendo que no domingo seguinte era bem provável que estivesse em campo, como realmente esteve. Então, não existiu o fato do pai. O pai entrou para o folclore do futebol. São muitos pais, muitos representantes… Agora temos também esposas que postam no Twitter (risos)… (Nesse momento, o assessor de imprensa que acompanhava a entrevista, lembrou: “Tem o pai do Moreno…”) É. Tem um monte de pai.
Fonte: Extra Globo

