O circo já não é mais capaz de parar a cidade. Os malabaristas são de péssima qualidade. Há muito palhaço em volta querendo roubar o protagonismo. Para completar, o domador acabou de ser mordido pelo leão e avisou que está fora da trupe. Itinerante, o Flamengo tentou levar seu espetáculo a vários estados. O público logo percebeu que o valor cobrado para ver as travessuras não compensava.
O circo já não consegue um lugar para fixar estada. A lona está mais furada do que a meia da mulher barbada. O dever do trapezista agora é se equilibrar para não cair da corda bamba. Não tem rede embaixo. A queda pode significar um prejuízo nunca antes visto na história deste picadeiro. Sempre tão folclórico, o circo rubro-negro acumulou, ao longo dos anos, administrações desastrosas, mas era capaz de mover multidões. Quando o povo passou a ficar em segundo plano, numa espécie de seleção (financeira) natural, a arena passou a ficar vazia. O elenco, outrora tão vistoso, agora não merece ser visto.
Tentaram trazer um domador com experiência no mais famoso circo do mundo. Ele chegou, viu que a terra era infértil e pulou fora do barco antes que a tempestade chegasse. A saída dele acabou sendo a dança da chuva. O tempo fechou de uma forma assustadora e cada integrante desta companhia agora corre para um lado diferente. Todos fogem dos trovões, mas ninguém protege o que há de mais sagrado, o circo. Onde está o Flamengo? O picadeiro já não traz a alegria de outros tempos.
Fonte: Lancenet