Entre subidas e descidas de uma campanha irregular no Brasileiro, o Flamengo parece ter entendido que precisa respeitar sua identidade para ter sucesso. Com aproveitamento de 33,3% quando jogou como mandante fora do Rio, contra 77,7% no Maracanã (ou 83,3%, se considerado o jogo contra o Cruzeiro, pela Copa do Brasil), o clube percebeu que não são apenas os números financeiros de cada partida que importam. Em tempo de ajustes dentro e fora de campo, a tradição está em jogo no Flamengo.
Autor de dois dos três gols na partida mais importante da história do clube, quando sagrou-se campeão mundial em 1981, Nunes deu com a cara na porta no Ninho do Urubu. Em nome da tranquilidade dos profissionais de futebol, quem ajudou a escrever a história rubro-negra foi visto agora como “pessoa estranha ao trabalho”, segundo um segurança, que atribuiu a barração a uma ordem do vice-presidente de futebol, Wallin Vasconcelos, para restringir a entrada de “estranhos” no CT. O veto se estende a empresários, assessores e amigos de jogadores e, o dirigente garante, deixaria longe dos treinamentos até Zico, maior ídolo da história do Flamengo. A ordem é evitar o oba-oba.
— A gente não pode abrir exceção, senão vira bagunça de novo — justificou ontem Wallin, em entrevista à Rádio Globo, em que contou que Bebeto, pai de Mattheus, atleta profissional do clube, também já foi barrado.
Outra tradição que tem sido deixada para trás é a posição do banco de reservas rubro-negro no Maracanã. Quando joga no estádio, a comissão técnica já não fica mais ao lado de sua torcida, à esquerda das cabines de TV. Para ficar mais perto de um dos bandeirinhas, o Flamengo optou pelo banco à direita das cabines. Questionado sobre a escolha, Mano Menezes desconversou:
— Eu não tenho preferência sobre o lado do campo. Fomos jogar no Maracanã e me disseram que o banco que eu deveria ficar era aquele, e eu fiquei. Não fiz pedido para isso, e não sou supersticioso — disse.
Fonte: O Globo

