Faleceu na semana passada, subitamente, aos 74 anos, o Sr. José Antonio Barroso, conhecido como o professor Juca, lúcido, amante da boa paz, do convívio harmonioso, da história e do futebol, sempre disposto a brincar com seus amigos, quase nenhum desafeto.
Coincidentemente estivemos com ele poucos dias antes do falecimento repentino e entre amenidades conversamos sobre futebol.
Dizia ele: time grande no Brasil, nós temos oito, quatro paulistas, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos, quatro cariocas, Fluminense, Botafogo, Flamengo e Vasco.
Time grande se faz com história, com tradição, com fronteiras que ultrapassam os limites naturais. Assim, São Paulo e Rio de Janeiro tiveram a oportunidade de criarem os times grandes do Brasil, pela sua longa influência política, cultural e econômica que tiveram durante os primórdios do futebol brasileiro, conseguindo espalhar raízes por todo o Brasil.
E sem esta de regionalismos ou nacionalismos, no futebol isto não existe. Caso contrário não veríamos um monte de gente festejando no Brasil uma eliminação do Corinthians pelo argentino Boca Juniors, ou a comemoração de uma leva de paranaenses quando o Coritiba perde para qualquer time de outro estado brasileiro. Portanto é folclore esta de que tem que torcer por time do próprio estado. Os times grandes são brasileiros e possuem torcidas em todos os estados. Nada mais comum do que ter um grande bloco de torcedores do Flamengo, do Palmeiras ou qualquer um dos outros grandes no Pará, Bahia ou Santa Catarina.
Concluiu que o Brasil é mesmo possuidor de um grande futebol, possui oito times grandes, muito mais que a Espanha que possui só dois, o Real Madrid e o Barcelona, o Uruguai que tem também dois grandes, o Nacional e o Penharol, a Inglaterra dois, o Chelsea e o Manchester United, a França três, o Lyon, o PSG e o Olympique, a Argentina e a Alemanha com apenas um cada um, que são o Boca Juniors e o Bayern de Munique, todos pois com muito menos que nós. Os verdadeiros clássicos são aqueles jogos onde os grandes jogam entre si, embora em cada região criem-se também os clássicos regionais. Quem não se lembra do tradicional Come-Fogo em Ribeirão Preto entre Comercial e Bota Fogo?
Comentou que é lógico que não são só os times grandes os ganhadores, pois aí não teria menor graça no futebol, vez por outra aparece um time menor e derrota todos os outros.
Comentou ainda que com o tamanho do Brasil e a profusão de times criados, era natural que todos passassem a ter dois e até três ou mais times de coração. Assim em cada região surgiram os gremistas, os atleticanos, os pontepretanos e muitos outros, agregando mais um time de preferência, incluindo também os times da própria cidade.
Ele como bom vascaíno lamentava que a situação atual na tabela do campeonato do seu glorioso Vasco era muito ruim com prenúncios de nova queda de divisão, mas com o seu segundo time, o Galo Mineiro, estava orgulhoso em ser campeão das Américas e concorrente ao título mundial.
Entre risos, lembrou que há poucos dias foi apresentado a um amigo de um amigo que informou na conversa ser cruzeirense. Ele disse que teve que dar os parabéns ao fulano, pois afinal o Cruzeiro, que é um dos bons times de Minas, faz uma campanha belíssima, com grandes chances de ser campeão neste ano. Emendou que só se esqueceu de perguntar a ele para qual time grande ele também torcia.
Talvez foi melhor ter esquecido, afinal o novo amigo poderia não entender bem a situação. Corre-se o risco de encontrar alguém fanático que possua ideias diferentes do futebol e o coloque num pedestal acima de onde deveria estar. É um perigo pois na escala do fanatismo muitos o consideram como uma verdadeira religião.
Fonte: Clic Folha

