Noventa minutos em que tudo vai se decidir. Apesar da possibilidade natural, não consigo ver a decisão da Copa do Brasil entre Flamengo e Atlético indo para os pênaltis. São dois times que sabem marcar, mas que têm ataques com condições de fazer os gols que transformariam o jogo do Maracanã num daqueles eventos que ficarão pra posteridade. Nenhum lugar seria melhor pra essa finalíssima que o “maior do mundo”.
De um lado está o Mengo. Um time que se reinventou durante a temporada, e esse é o grande mérito do Jayme de Almeida. Como muitos torcedores escreveram nos comentários (e agora eles já podem ser moderados, o que é ótimo), treinador e time carioca mantêm a serenidade, evitando falar em favoritismo. O ambiente do “já ganhou” não entrou na Gávea. Em campo, o Flamengo é uma equipe bem organizada, o que ficou evidente no jogo de ida da final da Vila Capanema. Luís Antônio e Elias dão solidez ao meio-campo, Léo Moura e André Santos jogam para o time, Paulinho é excelente e Hernane é definidor, ainda mais no Maraca.
Do outro lado da final está o Furacão. Um time que já é vencedor nessa temporada, pois nadou contra a corrente, enfrentou as críticas (e eu me incluo, claro) e atingiu muito mais que os objetivos traçados pra essa temporada. Não só não correu riscos no ano como está perto de conquistar a vaga na Copa Libertadores – e por méritos chega próximo desse objetivo em duas competições, Brasileiro e Copa do Brasil. Tudo que se viu dos jogadores nos últimos dias foi concentração e seriedade. Tudo pra tentar reduzir o impacto da vantagem flamenguista e da imponência do Maracanã. Vágner Mancini certamente vai manter nessa quarta a forma do Atlético atuar, com forte marcação, lá na frente, pra tentar roubar a bola e sair em velocidade.
Até o momento em que escrevo, não há a certeza absoluta de que Léo vai jogar. Mas como a parte mais difícil foi conseguida (colocar a dúvida nos auditores do SJTD), ele deverá estar em campo. Eu apostaria na volta de Juninho à lateral-esquerda e iria com Zezinho e Felipe no meio-campo – a não ser que João Paulo esteja liberado, aí ele tem que jogar. É inevitável que o Atlético precisa conter o ímpeto inicial do Fla, que será empurrado por quase 65 mil pessoas (teremos mais de 70 mil no estádio, sendo que cinco mil ou mais atleticanos). Marcelo precisa ser acionado, o jogo tem que passar por Paulo Baier, é preciso ter a cabeça no lugar.
Para o Atlético, o título coroa uma estratégia – que deverá ser seguida por outros clubes. Marcará também a “era Paulo Baier” com um triunfo de grandeza, colocará Marcelo, Éderson, Léo e Manoel definitivamente no cenário nacional, vai confirmar a reabilitação de Luiz Alberto e mudará o patamar de Vágner Mancini. E fará o futebol paranaense ser campeão pela primeira vez de um.
Copa do Brasil. Se o título não vier, nenhuma das situações acima deixará de ser verdade.
Tão grande quanto a conquista é o legado do Atético para o seu próprio futuro. Esse fica com qualquer resultado. Mas que nessa quarta o futebol paranaense seja feliz no Maracanã.
Fonte: Futebol Mutante



























