Fundado como um clube exclusivamente de Remo, na Rua Marques de Abrantes, por um grupo de ousados jovens da época, que visavam aproveitar o sucesso que este esporte desfrutava no final do seculo XIX na Capital Federal, buscando competir com a turma de Botafogo, que já tinha seu clube de Remo naquela época, e fazia muito sucesso junto as belas e jovens garotas.
Aqueles seis sonhadores: Nestor de Barros, Jose Agostinha Pereira da Cunha, Felisberto Laport, Augusto Lopes, Mario Spindola e Jose Felix da Cunha Meneses foram os idealizadores e espalharam panfletos pelo bairro convocando outros jovens que pudessem se interessar por aquele projeto.
Naquele momento, sem saber, eles estavam fundando o que seria a maior agremiação esportiva do Brasil e do Mundo, uma paixão inexplicável de amor que uniria todas as classes sociais do país.
O Flamengo nasceu realmente para ser um clube especial e diferente. Tão diferente que na realidade sua fundação se deu no dia 17 de novembro, mas decidida por seus 15 fundadores de ser registrada em ata, em data retroagida de 15 de novembro, para coincidir com o feriado de Proclamação da República, num gesto inteligente e ousado de marketing.
Curiosamente, foi eleito como primeiro presidente o Sr. Domingos Marques de Azevedo, que não fazia parte inicialmente do grupo de mentores e que tinha aparecido na reunião apenas por curiosidade, demonstrando o espirito democrático e liberal que nortearia o Flamengo ao longo de sua história.
Posteriormente, com o crescimento do futebol foi criado no clube o departamento de esportes terrestres, idealizado por Alberto Borgerth, atleta de remo do clube e jogador de futebol no Fluminense. Após uma série de divergências e conflitos com dirigentes das Laranjeiras, Borgerth liderou um momento de cissão, trazendo os amotinados para o Flamengo.
A proposta levada ao conselho do clube foi aceita e em 1912, o Flamengo nascia no futebol. Inicialmente sem estádio próprio, a equipe jogava no velho estádio da Rua Paysandu, pertencente a familia Guinle. Os treinos eram realizados na Praia do Flamengo, permitindo um contato direto do povo com os atletas. Em virtude da proximidade, os jogadores se deslocavam do clube para o estádio a pé, o que despertou na massa o sentimento de acompanhar o cortejo rumo as partidas.
As festas, a alegria e a descontração com as conquistas também foram fatores decisivos para a popularização daquele clube, diferentemente dos demais que treinavam em suas sedes encasteladas e claramente separadas do restante da população, num comportamento bem elitista.
Além da popularidade conquistada, o Flamengo representou durante muito tempo a visão e o símbolo dos valores nacionais, numa luta dura e constante contra o dominio econômico exercido pela colônia portuguesa sobre os trabalhadores e representantes do proletario brasileiro. Neste sentindo a rivalidade entre Flamengo e Vasco, nascida lá no Remo, foi acirrada com o futebol.
O crescimento, as vitorias e as conquistas do Flamengo eram vistas como a superação da colônia explorada contra os antigos dominadores e colonizadores. A conquista do titulo de mais querido, com todas as nuances de como a torcida rubro negra conseguiu atingi-lo é um excelente retrato desse processo.
Acredito que todos este fatores foram decisivos para a formação do que hoje reconhecemos como o padrão e as caracteristicas do torcedor do Flamengo: ousado, devotado, otimista, fiel, apaixonado, que valoriza muito a garra , a entrega a determinação, e que invariavelmente consagra jogadores de tecnica limitada mas com inigualavel espirito de luta.
Esse é o nosso Flamengo que hoje completa 118 de muita alegria, títulos e conquistas, o Clube que mais cedeu jogadores para a seleção brasileira ao longo de toda a sua existência e que tem reconhecido pela FIFA como tendo a maior torcida do mundo, o maior vencedor de campeonatos brasileiros, com seis conquistas e o único clube carioca campeão do mundo. A lista de grandes jogadores e ídolos é imensa, seria até dificil e injusto aqui de serem citados, pois certamente incorreriamos no erro de esquecer alguma relevante nome.
Por Altino Ventura Neto
Fonte: Teckler



























