Eduardo Bandeira de Mello e seus blue caps dizem entender bastante de gestão empresarial, embora contratações como as de Carlos Eduardo e Mano Menezes insistam em apontar para custos-benefícios dos mais desastrados dos últimos tempos.
José Ilan: Flamengo, traição à tradição.
Fato é que são executivos com históricos bem-sucedidos em multinacionais. Alguns nem sequer torciam pelo Flamengo, o que talvez aqui nem venha ao caso.
O que vem ao caso é que ser CEO numa grande corporação tem pouco a ver com a tarefa de dirigir um clube de futebol. Sobretudo o clube mais popular do país.
Não é possível pensar o Flamengo sem associá-lo à massa de torcedores que é capaz de trocar o pão de cada dia por uma noite de Maracanã.
Não é aceitável ouvir que o clube “precisa faturar, a procura tá enorme, vai lotar de qualquer jeito” sem se dar conta de que executivos de grandes empresas ignoram a cultura, a alma, a história de uma instituição centenária para privilegiar o lucro frio e cruel, que ressuscita números e esmaga pessoas.
Não é justo virar as costas para o torcedor comum, que foi convocado, à noite, de trem, de metrô, na chuva, no frio, na dificuldade, e trocá-lo na decisão por Reis-do-Camarote abastados e convenientes.
Pôr a culpa em meia-entrada, carteiras falsas, sócio torcedor, cambistas é desviar o foco, estelionato moral. É, sobretudo, punir os honestos.
O Flamengo precisa faturar. Precisa, deve e pode. Se destinasse 10 mil ingressos a preços mais acessíveis, não deixaria de ganhar muito dinheiro. Caberia às suas cabeças iluminadas criar mecanismos eficientes para que os bilhetes não caíssem em mãos erradas. Confessar incompetência nesta missão soa conveniente e incoerente para executivos que se vendem tão bem.
Os cofres ficarão mais cheios depois da decisão. Ou talvez os bolsos de jogadores e técnicos mal contratados. Mas o alto preço pela falta de sensibilidade vai ser pago.
E justamente por quem imagina que está fazendo um bom negócio.
Fonte: Blog do José Ilan
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