O Flamengo chegou na decisão de maneira mais cardíaca.
A vitória nos acréscimos contra o Cruzeiro, o massacre no rival Botafogo e a semifinal contra o Goiás no Maracanã lotado explicam isso.
O Furacão, que negou o estadual para ter fôlego até o fim do ano, colheu os frutos e jogou o futebol mais atraente do segundo semestre no país, atrás só do Cruzeiro.
Bateu o Palmeiras, o Inter e passou pelo Grêmio num jogo muito difícil.
Duelo de técnicos
Em 2008, Vagner Mancini foi demitido do Grêmio após 8 jogos e nenhuma derrota. O responsável pela canetada foi Paulo Pelaipe, diretor gremista que hoje, ironicamente, comanda o futebol da equipe carioca.
Pelaipe e cia têm no banco de reservas Jayme de Almeida. O Mengão perdeu Mano Menezes e Jayme, que era o remendo, virou roupa de gala: ele acertou a equipe.
O mesmo aconteceu no Paraná, quando Mancini assumiu após poucas rodadas do Brasileirão e colocou o time nos trilhos.
Comportamento e ideias distintas que deram certo na campanha da Copa.
Lados esquerdos
Mancini inverteu Juninho para a lateral direita na escalação inicial. Pedro Botelho assumiu o outro lado e Jonas sentou no banco.
Os boatos de que Jayme escalaria André Santos no meio para proteger sua lateral com alguém mais marcador não viraram realidade.
O duelo de Marcelo, na ponta direita paranaense, contra o lateral flamenguista de marcação deficiente, se mostrou interessante desde o começo.
Luís Antonio, volante flamenguista, marcou bem o lado esquerdo rival onde Botelho e Everton trabalhavam juntos.
Por Baier e por Marcelo
Deivid atrás, Zezinho e Everton à frente, fizeram o triângulo no meio-campo que favorecia Paulo Baier, o armador.
Ainda que Everton aparecesse pela esquerda, foi em Marcelo, mais pela direita porém livre para buscar o outro lado, que o anfitrião apostou mais.
O 4-2-3-1 flamenguista, moroso e cauteloso, tinha Elias, o cérebro do time, mais perto dos volantes que dos homens de ataque.
Golaço
Numa arrancada aos 16, Marcelo engoliu Léo Moura, que precisou bater e tomar amarelo. Uma vez pendurado, o lateral veterano já sabia que Marcelo não lhe daria mais sossego.
No minuto seguinte, Marcelo teve espaço e chutou de fora. Marcou um golaço. O chute, muito forte foi o primeiro de perigo na partida.
Felipe, que voltou hoje de artroscopia, tocou na bola, mas não falhou no lance.
Contusão e outro golaço
Aos 28, João Paulo substituiu André Santos, lesionado. Desde o gol até então, pouco aconteceu na partida.
Logo em seguida, Amaral, cuja função era marcar Baier, se arriscou no ataque e bateu do meio da rua. Empatou com outro belo gol. Ele teve espaço pra ajeitar e bater.
Em suma, as duas primeiras bolas chutadas na direção da baliza entraram. Marcelo teve chance boa aos 34, mas isolou.
O ritmo da partida voltou ao dos tempos de 0×0, concentrado no meio do gramado e com poucas chances de gol ou jogadas trabalhadas. Aos 41, Chicão, também lesionado, deu lugar a Samir.
Ao cabo do primeiro tempo, as estatísticas: chutes a gol, só 1 de cada lado. 100% de aproveitamento.
2º tempo
Aos 2 minutos Luiz Alberto testou e Felipe espalmou. O lance veio em escanteio provocado por Marcelo. Na resposta, Hernane chutou de fora e Weverton defendeu em 2 tempos.
Os 45 finais prometiam mais emoção. No desenho tático, isso se devia á forma que o Furacão voltou do vestiário. Pronto para pressionar e atacar com velocidade.
Exposto, o dono da casa mais jogou que deixou jogar. O Flamengo ficou acuado mas pronto para o contragolpe.
Para tristeza dos cariocas, Paulinho estava numa má noite, e Carlos Eduardo pouco apareceu. Hernane, esforçado, não tinha muito o que fazer, mas voltou a concluir, pra fora, aos 9.
Em 15 minutos Felipe fez ao menos 4 intervenções, parando cruzamentos ou defendendo chutes não muito fortes, como o de Marcelo aos 12.
Ainda mais solto
Aos 17, saiu Botelho, entrou Dellatorre e Zezinho passou para a lateral esquerda. O anfitrião passou então a ter dois volantes de origem nas laterais.
Mancini sempre explorou muito seus laterais em outros trabalhos. No Atlético, prefere que eles sustentem seus atacantes. O time da casa continuou na ousada pressão.
Dellatorre atuou aberto na esquerda, em cima de Léo Moura.
Luis Antonio, aos 19, explorou contragolpe e chutou pra fora. Foi o segundo lance do tipo em 5 minutos. Resta saber se o risco atleticano era ou não calculado.
O Flamengo tinha muito espaço e em alguns momentos o anfitrião dava sinais de bagunça tática misturada com pressa exagerada.
Aos 26 e 29, o Flamengo desperdiçou boas chances, a segunda delas numa falta em que Luis Antonio tirou tinta da trave. A torcida da casa esfriou. O Mengo estava melhor e amadurecia até a virada.
É possível afirmar que as substituições atleticanas tiveram um efeito ruim e mudaram o encontro em favor do visitante.
A entrada de Maranhão na vaga do cansado e obtuso Paulo Baier não mudou o panorama.
Final
As estatísticas vão apontar muitos chutes a gol e cruzamentos do Furacão na etapa final. Mas isso maquia a atuação atabalhoada da equipe.
O Flamengo consegue resultado melhor: foi levemente superior na partida.
Destaques
Wallace, zagueiro do Mengão, foi o melhor jogador. Impecável. Gostei também do Luis Antônio pelo Fla, e destaco Marcelo pela equipe paranaense.
Ederson, Paulo Baier, e principalmente Elias decepcionaram na decisão.
Milagre
Paulo César de Oliveira apitou corretamente e não apareceu mais do que a partida.
Fonte: Leandro Iamin



























