O Campeonato Brasileiro desse ano está derrubando mais um dos dogmas do futebol: o de que as maiores receitas, invariavelmente, levam à formação dos melhores times e, consequentemente, às melhores colocações. O campeão Cruzeiro foi apenas o décimo terceiro em faturamento em 2012; o Atlético Paranaense, o oitavo e Goiás e Vitória nem aparecem na lista das receitas mais polpudas.
Maurício Prado crítica gastança no futebol e ingressos do Flamengo.
Detalhe: o Corinthians, o primeiro do ranking da grana, embolsou quase o triplo do que amealhou o Trem Azul: R$ 358 milhões x R$ 120 milhões. E, no entanto…
É óbvio que, bem administrado, um poderoso orçamento ajuda — e muito. Mas gestão eficiente, como se sabe, é artigo raríssimo nos nossos clubes de futebol. Principalmente nos mais ricos.
Exemplos gritantes desses desvarios financeiros são os salários dos chamados “supertécnicos” (sempre entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão/mês). É incrível como mantêm intactos seus prestígios, apesar dos seguidos fracassos! Ganham mais que a maioria de seus pares na Europa — só perdem para estrelas como Mourinho, Guardiola, Capello etc.
A absurda remuneração dos “professores” encontra paralelo entre os chamados jogadores “de ponta” — quase todos, veteranos que voltam do exterior porque por lá não têm mais mercado.
Dá pra admitir, por exemplo, que o Flu tenha se comprometido a pagar salários de R$ 1,1 milhão por mês a Conca, para que ele volte, em 2014, três anos mais velho do que quando saiu? E alguém duvida de que tal contratação implicará, obrigatoriamente, em equiparação salarial para Fred (que já embolsa algo entre R$ 800 e 900 mil mensais)?
Pois é… Quanto ganharão Marcelo Oliveira, Vágner Mancini e Enderson Moreira, técnicos bem menos badalados que deram banho nos “famosos”?
E Ederson (Atlético Paranaense), Gilberto (Portuguesa), William (Ponte Preta), Hernane (Flamengo), Walter (Goiás) e Dinei (Vitoria)? São eles os principais artilheiros do torneio!
Somados, aposto, não recebem nem metade dos ganhos de Alexandre Pato — outro dos flagrantes casos de insanidade do nosso futebol. Custou R$ 40 milhões, fora os salários mensais!
Fato é que nossos maiores clubes, mesmo imersos em dívidas gigantescas, parecem se esmerar para desperdiçar fortunas. Por isso podem ser superados por rivais com muito menos dinheiro mas planejamento e administrações mais eficientes.
O ranking da grana
Eis as maiores receitas do futebol brasileiro,em 2012, segundo estudo feito pela BDO, empresa de consultoria e auditoria que atua na área esportiva e se baseou nos balanços das 24 equipes da série A:
Corinthians: R$ 358,5 milhões (2) São Paulo: 282,8 (3) Inter: 252,8 (4) Palmeiras: 241,1 (5) Flamengo: 212 (6) Santos: 197,8 (7) Atlético PR: 187 (8) Atlético MG: 162,9 (9) Fluminense: 151,1 (10) Vasco: 139,4 (11) Botafogo: 122,8 (13) Cruzeiro: 120,3.
Alvo errado
O futebolzinho medíocre que o Flamengo jogou contra o São Paulo vale ingressos entre R$ 250 e 800? E se é verdade que 80% dos ingressos vendidos nos jogos são de meia entrada, é evidente o roubo colossal, graças à total ineficiência do controle nas roletas do Maracanã. Este é um ponto a ser atacado, não o bolso do pobre torcedor.
Fonte: Blog do Renato Maurício Prado
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