Está salvo o ano do Flamengo. O primeiro da nova gestão, que chegou cercada de enorme expectativa, mas após um Estadual medíocre e um Brasileiro igualmente sem brilho (lutar contra o rebaixamento foi sua única preocupação), estava prestes a perder o crédito, apesar da propalada seriedade administrativa que tem caracterizado seus atos.
Esta seriedade, segundo os próprios dirigentes, foi o motivo principal de o clube não ter realizado contratações de peso. Mas se o time montado esse ano não tivesse dado ao menos alguma alegria seria muito difícil manter a política de pés no chão.
Curiosamente, foi do pior momento na temporada que nasceu a reação que levou ao melhor. Após a humilhante virada sofrida diante do Atlético Paranaense (4 a 2, em pleno Maracanã), Mano Menezes se demitiu de forma surpreendente (sem sequer falar com a diretoria), alegando que não conseguia passar aos jogadores o que entendia de futebol.
Tal qual aconteceu com Andrade, no Brasileiro de 2009, Jayme de Almeida assumiu (inicialmente, como interino) e o grupo se uniu em torno dele. Convidado, Abel Braga recusou e Jayme acabou efetivado. Começava a metamorfose, como bem explicou o goleiro Felipe, após a conquista da Copa do Brasil:
– Quando Mano saiu, conversamos muito, inclusive com o Jayme e com a diretoria, e ficou claro que precisávamos de uma mudança radical de atitude. E foi esse compromisso que todos assumiram, levando a equipe a crescer de produção de forma rápida e surpreendente.
Tão surpreendente que os resultados começaram a aparecer, principalmente, na Copa do Brasil, onde surgiu a possibilidade de um título redentor. E ele veio com direito a eliminações de times que faziam campanhas muito melhores no Brasileiro (Cruzeiro, Botafogo e Goiás) e, por fim, o Atlético Paranaense.
No jogo no Paraná, o Flamengo conseguiu anular a pressão do Atlético e, no Maracanã, apesar de um certo sufoco, em determinado momento do segundo tempo, teve a tranquilidade necessária para resistir e contra-atacar com eficiência, chegando aos dois gols que garantiram a vitória e a conquista.
Nota 10 para o ano rubro-negro em 2013? Tudo pronto para 2014? Nada disso. O melhor da noite, além do título, foi a declaração do vice-presidente Walim Vasconcelos, garantindo que, para o ano que vem o clube fará grandes contratações e formará um time capaz de lutar , de fato, pela conquista da Libertadores.
Se o título da Copa do Brasil iludir o torcedor e a diretoria, não terá servido para quase nada. Ele pode, sim, ser um início importante de uma nova era. Desde que todos tenham a noção de que, apesar dos méritos inegáveis de Jayme de Almeida, de Elias, Paulinho, Leonardo Moura etc, o grupo ainda tem sérias deficiências e se a idéia é mesmo reconduzir o Flamengo aos seus tempos de glória, muita gente boa precisa chegar e muita coisa ainda precisa ser feita.
Fonte: Blog do Renato Maurício Prado



























