É certo que a lei que costuma reger a economia é a da oferta e da procura: quanto mais gente quer uma coisa, maior será o seu preço, principalmente se sua disponibilidade for limitada. É o caso dessa final da Copa do Brasil, no Maracanã, onde só cabem entre 60 e 70 mil torcedores. Entretanto, há algo mais em jogo nesse Flamengo x Atlético Paranaense. Algo bem mais importante…
O Flamengo está praticando um marketing de emboscada.
Há toda uma relação de amor entre o povão e o “Mais Querido” — a alcunha não nasceu à toa e permanece atual. No momento em que a diretoria rubro-negra coloca os preços do segundo e decisivo duelo contra o Atlético Paranaense em níveis de Liga dos Campeões da Europa, deixa o torcedor comum sem possibilidade de compra, assumindo uma atitude elitista que, além de antipática, soa como traição à maioria da “Nação”.
Bola fora. Na arquibancada. Até porque o título vale infinitamente mais do que a arrecadação. E para conquistá-lo (diante das sabidas limitações desse elenco) é fundamental o apoio da massa. Da verdadeira massa (aquela que canta “Festa na favela”, porque mora lá!) e não apenas dos rubro-negros endinheirados, que podem gastar uma “baba” numa única partida de futebol e ainda sair para comemorar ou afogar as mágoas, tomando uísque nos restaurantes mais caros da cidade — onde, certamente, encontrarão a atual diretoria.
Cambistas oficiais?
O argumento de que, no final das contas, os ingressos sairiam mais ou menos por estes preços (entre R$ 250 e 800) porque, fatalmente, cairiam nas mãos dos cambistas é pueril. O que a diretoria deveria fazer era criar mecanismos para evitar ao máximo os atravessadores — e não assumir a função deles, cobrando preços escorchantes.
Os descontos praticados para os sócios torcedores tampouco amenizam o assalto. Ainda assim o preço é alto e a dificuldade de compra, grande — principalmente para quem não mora no Rio.
O que os dirigentes rubro-negros estão praticando não é um marketing inteligente, mas de emboscada. Contra os seus próprios torcedores.
Fonte: Blog do Renato Maurício Prado
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