Em nenhum momento o Atlético-PR mostrou a intensidade esperada na Vila Capanema. A execução do 4-3-1-2 dependeu demais da velocidade e da contundência de Marcelo. O atacante começou procurando as costas de André Santos, depois foi para o lado de Léo Moura e por ali marcou um golaço. Mas não teve a companhia de um inspirado Ederson.
A bola passou pouco por Paulo Baier, bem marcado por Amaral. No segundo tempo, Vagner Mancini repaginou a equipe num ofensivo 4-3-3 com Dellatorre, Ciro no ataque com Marcelo e Maranhão na lateral-esquerda, liberando Zezinho para articular no meio com Everton. O time viveu de bolas levantadas e não teve criatividade para o último passe que vira assistência. Ainda assim, deu trabalho a Felipe com jogadas aéreas e chutes de fora da área.
O Flamengo, como esperado, veio com duas linhas de quatro para liberar Carlos Eduardo junto a Hernane. Mas só teve a velocidade de Paulinho no segundo tempo com espaços e marcação mais frouxa de Juninho. O gramado e a disputa dura e tensa, típica de uma decisão, prejudicaram a proposta de fazer a transição ofensiva com toque de bola, apesar da superioridade na posse (52%). Também a boa marcação de Deivid sobre Elias.
Mais ainda Carlos Eduardo, em tese o homem da retenção de bola, que se arrastou em campo e jogou algumas rotações abaixo dos companheiros e adversários. Totalmente fora de sintonia até dar lugar a Diego Silva.
Ainda assim, o time carioca conseguiu controlar o jogo e esfriar a torcida rival. As saídas de Chicão e André Santos, lesionados, acabaram tornando a última linha defensiva mais rápida com Samir e João Paulo pela esquerda.
Ofensivamente, contra-atacou à base de lançamentos e teve a bola do jogo nos pés de Léo Moura e de Hernane, sem contar a cobrança perigosa de falta por Luiz Antonio. A virada não teria sido nenhum absurdo. Foram 13 finalizações contra doze do Furacão. Mas apenas três na direção da meta de Weverton, duas a menos que o adversário.
O golaço de Amaral, primeiro do volante com a camisa do Flamengo, surpreendeu a todos. Inclusive Paulo Baier, que não voltou no combate e os volantes, que não saíram para dar o bote. O “cão-de-guarda”, essencialmente marcador que virou titular com Jayme de Almeida, fez gol fundamental. Coisas do futebol.
E é exatamente por ser o esporte mais apaixonante por sua imprevisibilidade, que a final segue aberta. Mesmo com o favoritismo natural do Flamengo iniciando a partida de volta no Maracanã com resultado favorável, contando com o apoio da torcida e o pesado desfalque de Everton, suspenso, no Atlético.
Os 4 a 2 no Brasileiro que causaram o pedido de demissão de Mano Menezes não devem servir de parâmetro, pelo clima de decisão de agora. Mas mostram que o time paranaense é forte, principalmente se tiver campo para os velozes contragolpes. Quem sabe a intensidade não volta longe de casa?
Assim como o toque de bola do Fla, ocupando o campo de ataque e com um gramado mais favorável. Se mantiver a seriedade que marca a campanha até aqui e não entrar no “oba oba”, frequentador sempre perigoso da Gávea, o terceiro título da Copa do Brasil pode ficar mais perto.
Fonte: Olho Tático




























