É Nação, só falta um jogo para levantarmos mais uma taça. E uma taça em um ano em que no máximo esperávamos nos manter apenas na primeira divisão. Mas apesar de termos conseguindo um bom resultado na primeira partida, a garantia de título não existe.
Exemplos têm vários, Santo André, América do México, e até mesmo na era Zico, tivemos alguns tropeços colossais, mas vejo um momento diferente desta vez, não vejo ninguém da Diretoria, comissão técnica ou jogador no clima de oba-oba da torcida.
Vejo sim um time com pinta de campeão, com espírito vencedor e com vontade de ganhar. Um time que não se abala quando sai atrás no placar, mantém a mesma pegada e quando não consegue virar, empata e coloca o adversário sempre em perigo.
Nossa trajetória nesta Copa do Brasil tem nos mostrado isso, a partida de ida contra o Cruzeiro poderia ter nos matado na competição, poderíamos ter sofrido uma goleada monstruosa, mas um gol do sonolento Carlos Eduardo nos deu um então último suspiro. E aí foi hora do principal jogador entrar em campo, a nossa torcida. Na partida de volta o Cruzeiro parecia um time pequeno, acuado e assustado com o tamanho de nossa força, e um gol nos últimos minutos matou o “melhor time do Brasil”.
Depois enfrentamos o “melhor time do Rio” e sapecamos uma sonora chinelada no cachorrinho de madame. Na semi-final o time da moda, do gordinho Walter e deitamos e rolamos no periquito do cerrado.
Chegamos na final com o furacão que na primeira partida não passou de um brisa leve, poderíamos ter saído do estádio padrão rua Bariri com uma vitória, e isso nos deixou com o sinal de alerta ligado, e isso é bom.
Ao final da partida era claro o descontentamento no rosto de jogadores e comissão técnica do Atlético, eles tinham certeza da vitória e não esperavam outro resultado que não fosse a vitória e elástica. Esse era o pensamento deles, e ao ver os 1.700 flamenguistas fazer mais barulho que a torcida deles, a percepção de derrota ficou estampada.
Podemos sim perder o título na quarta-feira, mas pelo que vejo e sinto dos nossos jogadores, o Atlético-PR teria que virar um misto de Bayern e Barcelona para nos vencer. E superar nossa vontade, nossa raça e nossa disposição é praticamente impossível, e isso se deve a força que vem da arquibancada.
O argentino mais carioca que existiu
Horácio Narciso Doval chegou ao Flamengo em 1969, foram 263 jogos e 94 gols, foi também o primeiro grande parceiro de Zico no time profissional. Doval era a verdadeira Raça dentro de campo e se possível dava o sangue pela vitória do seu time.
Doval venceu o carioca de 1972 e em 1974 formou um trio infernal ao lado de Zico e Geraldo. Saiu do Flamengo em 71 porque o então técnico Yustrich queria que o gringo cortasse o cabelo, voltou logo após a saída do técnico.
Doval surgiu no San Lorenzo da Argentina, mas parecia que tinha nascido na Gávea, a vida dele foi o Flamengo e morreu comemorando uma vitória do Flamengo em Buenos Aires no dia 12 de outubro de 1991, após o Flamengo ter vencido o Independiente pela Super Copa.
Autor: Marcelo Neves.
Fonte: Flamengo RJ



























