Impérios de um lobisomem
Que fosse um homem
De uma menina tão desgarrada
Desamparada se apaixonou.
No Flamengo, não basta ser zagueiro, tem que ter Raça e Personalidade. No Mais Querido do Brasil, pra jogar na zaga, tem que ser deus. Logo, não deve ser nada fácil ter na sombra da Camisa, nomes como Domingos da Guia, Reyes, Rondinelli, Mozer…O desafio da nossa defesa é enfrentar o ataque dos adversários, que por mais medíocres sejam (e na maioria das vezes são), encaram a possibilidade de uma vitória sobre o Flamengo, como uma conquista de um título de um campeonato pessoal, particular. Por isso, um dos maiores destaques da nossa conquista do Tri da Copa do Brasil, foi o jogador-lobisomem, que se transformava muito antes da meia-noite, com ou sem lua cheia, tão logo o juiz apitava o início do jogo, ele, Wallace Reis da Silva, ou simplesmente, Waaaaaaaallace: O Lobisomen Rubro-Negro. Ele não assumiu seu lugar na zaga: Ele conquistou. Com técnica, garra, disposição e, a acima de tudo, com segurança, o que nós, meras “presas”, precisamos sentir das nossas feras em campo.
De suas atuações, esperávamos o principal, SEM SUSTO, sem enfeite, sem medíocridade, sem chutões bizarros, para garantir que não tomássemos gols desnecessários. E as avaliações e notas no nosso zagueiro, foram sempre a média do “principal nome da defesa rubro-negra”, mesmo com muito trabalho diante de velozes – ou não – ataques adversários. Muitos o consideravam no mesmo nível do Chicão, mas, sem a presença ofensiva deste. Contra o time do Goiás, por exemplo, que abusou do chuveirinho em seus jogos, Wallace foi quase perfeito, jogou muito. Seguro, simplificava. Foi o jogo dele que marcou meu coração rubro-negro. E contou também com performances facilitadas pela inoperância ofensiva, como no jogo contra a cachorrada. A paixão rubro-negra pelo metade lobo, metade homem, só aumentava, e só poderia ser coroada com o título.
Mas, nem só de boas atuações se firma, se garante, um jogador de futebol. Sua postura em relação ao grupo foi fundamental. Afinal, nós rubro-negros, carregamos também a marca dos traíras, dos desagregadores, daqueles que não jogam pro time, mas, pra si. Wallace, provavelmente no auge de sua forma e carreira, protagonizou um dos episódios extra-campo que marcaram esse título. As “vítimas” desse lobisomem, foram os livros, que esse ano foram aproximadamente 60 para conta do Lobisomem. E para coroar, ainda distriubuiu pra TODOS os companheiros, uma obra de Michael Jordan, onde os ensinamentos do cestinha aposentado contribuíram para levantar o ânimo dos jogadores. E nas palavras do Jordan, “Com talento ganhamos partidas; com trabalho em equipe e inteligência ganhamos campeonatos”.
Wallace foi inteligente. Ahhh, esses Homens [e jogadores] com bibliografia…
Mistérios da Meia-Noite
Que voam longe
Que você nunca
Não sabe nunca
Se vão se ficam
Quem vai quem foi.
Texto: @vivi_mariano
Arte: André Costa
Fonte: Magia Rubro-Negra



























