Desde que a atual direção do Flamengo assumiu em 2013 o time ficou marcado pela ausência de craques, desde a saída de Renato Abreu, carente de ídolos e, para sermos sinceros, desde as saídas de Petkovic e Adriano sem alguém capaz de decidir jogos perdidos em um lance individual de habilidade e genialidade. Alguns até podem citar Ronaldinho Gaúcho como um gênio que fez grandes atuações como o histórico Santos x Flamengo, mas a realidade é que foram brilhos isolados, um jogo ou outro, mesmo numa campanha de briga por título em 2011.
Como observação pertinente, quem me conhece sabe que eu não gosto do uso das palavras craque, gênio, ídolo e afins, acho que o uso delas está banalizado e fora de contexto nos dias de hoje e, principalmente no futebol, totalmente fora de medida. Qualquer um que jogue duas ou três partidas já é craque, jovens sobem com esse estigma, um jogo em que o jogador decida e já é ídolo, fora aqueles que só ganham a alcunha por estar há muito tempo no clube, mesmo sem ser decisivo em algo.
Mas é fato notório que a atual gestão queria trazer alguém que pudesse assumir esse posto, o qual teve alguns candidatos como Carlos Eduardo em sua chegada, Hernane na fase artilheiro e Elias ao ser base do time, mas o fato é que nenhum deles reunia todas as características necessárias e por um ou outro motivo acabaram não chegando ao posto incontestável. Foi então que, aproveitando a Copa do Mundo no Brasil e as férias do elenco e do então treinador, Ney Franco, que Ximenes foi a procura de um jogador quase desconhecido no Brasil: Eduardo da Silva, brasileiro naturalizado croata que estava aqui com sua seleção.
Ainda jovem, Eduardo foi para Europa, onde passou mais de 15 anos. Começando a carreira no Dinamo de Zagreb, foi convocado para atuar pela seleção croata já nas categorias de base e seguiu defendendo o país na seleção principal, pela qual é o 2° maior artilheiro da história. No Arsenal, da Inglaterra, viu sua carreira em risco ao sofrer uma lesão gravíssima que quase o tirou dos gramados e, ao superá-la, acabou afastado dos principais centros do futebol europeu. Jogava pelo Shakhtar Donetsk da Ucrânia quando veio para a Copa do Mundo e escolheu o Flamengo, time de coração de sua família, para encerrar sua carreira.
Chegando sob desconfiança pelas contratações da Era Pelaipe, que adorava jogadores “velhos”, em baixa na carreira e com histórico grave de lesões, Eduardo começou treinando em separado para entrar em forma, foi sendo colocado aos poucos no 2° tempo e, por puro talento e merecimento, conquistando espaço no coração da torcida rubro-negra. O jogador tímido, que derrapa no português pelos anos na Europa, já pediu para ser chamado apenas de Eduardo (reparem que não tem o da Silva em sua camisa) e já disse que joga como 2° atacante, pelos lados de ataque e às vezes ajudando na armação, mas prefere ser 2° atacante.
Em campo, Eduardo mostra não só disciplina como conhecimento tático, visão de jogo, seu modo de se posicionar e mover pelo campo transpira a escola europeia denunciando sua verdadeira formação futebolística, seus passes são acurados com um índice baixíssimo de erro mesmo não se limitando aos passes fáceis, pro lado e pra trás, que tantos enganadores adoram. Mas o que de fato mais impressiona é sua capacidade de decidir, seja colocando o companheiro em condição de marcar um gol ou ele mesmo fazendo, sendo inclusive o jogador mais decisivo da Era Luxemburgo. Seu fiel escudeiro é Mugni, com quem geralmente vê o jogo do banco e que o acompanha ao entrar, ajudando a dar robustez ao meio e criar chances de gol, algo que o time sem eles pouco faz.
Chamado inicialmente de da Silva, apelidado de Croata e, agora, aclamado como Deusduardo por parte da torcida, o jogador novamente foi decisivo na classificação heroica contra o Coritiba no Maracanã, participando da criação da jogada do 2° pênalti, marcando o 3° gol e convertendo seu pênalti na série de cobranças. Procurado pela imprensa, Eduardo, que tem nome de rei, confessou ter sido apelidado na Europa de matador de sangue frio e, sendo o artilheiro dos Vatreni (Ardentes), só posso dizer aos adversários do Flamengo: Tremei, pois o Dragão Rubro-Negro é impiedoso, frio, e tem o poder de com o fogo avivar a mais mortal das forças, a torcida do Flamengo!
Saudações Rubro-Negras
Em tempo: Contra o Grêmio sem Éverton, Cáceres, Wallace, Paulinho e Luiz Antônio, eu iria de: Paulo Victor – Léo Moura, Marcelo, Samir, João Paulo -Márcio Araújo, Chicão (de 1° volante), Canteros, Mugni – Eduardo e Alecsandro. Quando Eduardo cansar, basta trocar por Gabriel.
Fonte: Flamengo em Foco

