Nós sempre teremos a arquibancada do Maracanã. Não importa o tamanho da sua dor. A sua posição na tabela. Os jogadores que você tenha no banco de reservas. Ou nas laterais. No ataque. Na defesa. Não importa o tamanho da sua dívida. Nem a do clube. Não importa se você se sinta só ou muito bem acompanhada. Afinal, nós sempre teremos a arquibancada do Maracanã. É nela que nosso coração salta pela boca, vai rolando, quicando, escorregando – como nós brincávamos de tobogã, na infância, em dia de jogo de pouco público – e saímos correndo atrás dele gritando: “Pega, pega, pega, por favor, meu coração” que saiu pela boca quando o Paulo Victor pulou todo atrapalhado naquela bola. E aí, com a ajuda de outros torcedores, você recupera o seu coração de novo, e deixa ele batendo acelerado até que o Alecsandro cruza procurando o Da Silva, e o Dedé tenta tirar de carrinho, e empurra para o próprio gol. Mito! Explode Coração. 1 x 0. Quando cruzei o corredor, ao chegar no Maracanã, um filme passou pela minha cabeça. É sempre assim. Vou lembrando das vitórias épicas. Dos jogos inesquecíveis. Dos craques que vi atuando. Daquele que eu amo, e ama o Flamengo. Daqueles pobres coitados que não amam o Flamengo. Tudo isso em segundos de travessia até a arquibancada. E aí, eu vejo o Raul, e seus 70 anos. E sua camisa amarela. Que faz cada lembrança valer a pena.
E o coração fica em desalinho de novo, e o peito cheio de paixão, quando o Nilton comemora um gol que passa por cima do Paulo Victor. Pobre Nilton. As arquibancadas do Maracanã testemunharam um pseudo-gol, um gol-metafísico, um quase-gol. Ela ainda nos surpreende. Tanto quanto o menino Canteros, que recebeu um lançamento do Léo Moura – sim, dele – e aproveitou a lambança do Manoel e do Fábio, roubou a bola e…fez o coração PARAR enquanto o toque dado não balançou as redes. 2 x 0. Nessa hora, lembrei das conversas intensas que tive sobre a política do Clube, durante o pré-jogo, com os amigos. O futuro do Flamengo. E se a eleição para presidência do CRF fosse HOJE? Quem venceria? Com ou sem margem de erro, o Flamengo venceria, eu espero. Mas, aquele jogo estava mexendo comigo. Com as crianças que – maravilhadas – assistiam o Flamengo gigante. O Flamengo que não teme adversários. O Flamengo que CORRE (obrigada preparador físico, seu lindo). O Flamengo que não se apequena diante do líder. O Flamengo que leva 42.171 presentes para mais um jogo da confusão.
O coração quase sossegado, bate forte de novo, ao ver Alecsandro fazendo cruzamento preciso para chegada do menino Gabriel, que toca de primeira pra dentro do GOOOOOOOOLLLLLLLLLLL. 3 x 0. A arquibancada não perdoa: “Não é mole não, no Dia da Criança, CHOCOLATE do Mengão.” Quando o juiz apita o final do jogo, faço um acordo com meu coração rubro-negro: “Não pare. Não pare nunca de bater acelerado, intensamente, loucamente, pelo Flamengo.” Olho para o céu, faço uma foto, penso em Nelson Cavaquinho e na próxima quarta-feira, quando estarei na arquibancada, de novo, com a certeza de que O sol (rubro-negro) há de brilhar mais uma vez.
Vivi Mariano
Twitter: @vivi_mariano
Fonte: Magia Rubro-Negra

