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Uma gravação de uma preleção do técnico Joel Santana feita por um dos jogadores do Vasco faz o clube carioca viver há duas semanas um momento de tensão interna. Vítima de vazamentos de informações que ironizam o treinador, o Vasco tenta encontrar quem foi o jogador responsável e já toma medidas punitivas. O problema aconteceu em um clube, mas é uma preocupação de todos os outros grandes do Brasil, e algo que poderia ser controlado de melhor forma caso houvesse imposições por segurança da informação firmadas em contrato.
À medida que a internet virou um mecanismo de interação por meio das redes sociais nos últimos anos, aumentou também a preocupação dos clubes em relação à veiculação de informações. Agora, o alcance de cada comentário feito por jogadores e dirigentes é muito maior. No caso do Vasco, o vídeo foi gravado e compartilhado por um jogador em um aplicativo de telefone celular para troca de mensagens. O que era para ficar entre o elenco, no entanto, tornou-se um viral.
Entre os grandes clubes do Brasil, não há uma cartilha padrão para comportamento em redes sociais, nem uma estratégia comum para evitar exposições prejudiciais ao clube. Cada um adota uma postura. O que definitivamente não é tendência é o limite imposto em contrato, que poderia resguardar o clube de exposições como a do Vasco e em redes sociais, como explica Nelson Leoni, diretor de redes sociais da Agência Isobar Brasil e especialista em marketing digital.
“Acredito que todas as instituições devem se adaptar à era das redes sociais e do conteúdo colaborativo. E não é diferente com os clubes de futebol, onde a exposição é altíssima e a velocidade de propagação de qualquer conteúdo foi alavancada ainda mais por esses canais. Uma simples palestra sobre o assunto e uma cartilha com as principais boas práticas podem evitar transtornos ou crises. Cada jogador deve saber que representa a instituição que está jogando, não somente em campo. Acredito que é possível incrementar o contrato com cláusulas de conduta em redes sociais, mas do outro lado o clube deve fazer sua parte e preparar o jogador para a utilização correta nestes canais”, afirma.
Da cartilha às palestras, os clubes ainda parecem longe de implementar cláusulas no contrato contra a exposição. No Brasil, os clubes tentam confiar no bom senso dos atletas por meio de conscientização. Veja como funciona em cada clube.
Como cada clube controla a exposição?
Corinthians:
Não há cartilha específica de comportamento em redes sociais. O clube dá liberdade aos jogadores para se manifestarem da como desejarem, faz apenas orientações pontuais e divide a atenção com as assessorias pessoais de cada atleta. Um episódio marcante foi o selinho do atacante Emerson Sheik em um amigo, sobre o qual ele foi orientado a não divulgar e discordou do posicionamento do clube.
São Paulo:
O departamento de comunicação do clube não usa uma cartilha, mas faz recomendações diárias e usa episódios como o vazamento do vídeo de Joel Santana no Vasco como exemplos sobre exposição na internet. Há conversas frequentes com os atletas e preocupação especial com exposição de marcas que não sejam parceiras do clube em imagens em redes sociais.
Palmeiras:
Não há cartilha ou recomendações da assessoria de imprensa do clube. Os jogadores têm liberdade de se manifestarem da forma que desejarem, mas há orientação da comissão técnica para que assuntos internos não sejam expostos.
Flamengo:
Há contato diário com os jogadores e orientações sobre comportamento na internet e redes sociais, mas não há cartilha. Nada específico nas recomendações, apenas para que os atletas evitem temas polêmicos.
Fluminense:
O clube tem cuidado especial com todo o material institucional publicado na internet. Há checagem de texto, imagens e vídeos feitos por mais de uma pessoa. Não há grande trabalho preventivo com os jogadores além de orientações pontuais. Quando o clube julga que houve exagero em publicações, conversa com os atletas.
Vasco:
Há uma cartilha de comportamento nas redes sociais e pode haver punição em caso de infração.
Botafogo:
O departamento de comunicação faz reuniões de orientação com os jogadores no início de todos os anos para evitar exposições nas redes sociais.
Cruzeiro:
Não há cartilha, mas orientações quase diárias sobre a forma como os atletas devem se comportar na internet.
Atlético-MG:
O clube tem uma cartilha de comportamento que pede bom senso nas publicações na internet.
Internacional:
Não há cartilha, apenas pedido por bom senso nas publicações.
Grêmio:
Não há cartilha, apenas pedido por bom senso nas publicações.
Fonte: UOL
