Vanderlei Luxemburgo chegou ao Flamengo, em julho, após seis meses desempregado e evitando falar em “projeto”, como tornou-se comum em sua carreira. O objetivo era apenas salvar o rubro-negro da “confusão” do rebaixamento, insistia o comandante. Três meses depois, com o bom rendimento alcançado e a equipe praticamente livre da queda, o discurso mudou. Agora, Luxa admite ter planos para o futuro do time. Após o empate contra o Sport, no domingo, o treinador criticou duramente o comportamento dos jogadores e afirmou que pretende colocar o rubro-negro no top 5 dos times brasileiros em 2015.
“Esse perfil que eu vi hoje não serve. Estou buscando um perfil de jogador para estarmos entre os cinco melhores do país no ano que vem”, acentuou. Mas o que é estar entre os cinco melhores do Brasil? Para tentar responder a pergunta, o Correio elencou cinco motivos que colocam um time entre os principais do país: aproveitamento no Brasileirão, valor de mercado do elenco, faturamento anual, estrutura física e quantidade de torcedores que atrai ao estádio.
Nesses quesitos, o Flamengo aparece no top 5 apenas duas vezes — e muito disso por causa do apelo da torcida. O rubro-negro carioca tem bom faturamento e é o que conta com a melhor média de público do Campeonato Brasileiro desde o surgimento dos pontos corridos, em 2003. Uma média de 26.485 torcedores acompanham o time a cada jogo anualmente, empurrando a equipe para cima dos adversários.
O peso da torcida, porém, não tem sido suficiente para colocar o Flamengo entre os principais em outros quesitos. Mesmo quando o assunto é faturamento — valores arrecadados com patrocínio, cotas de tevê, bilheteria e produtos licenciados —, o time da Gávea não consegue superar adversários com torcidas menores, tais como Internacional e São Paulo. O tricolor, por sinal, tem a presença mais regular no top 5, junto do Cruzeiro. Não é à toa que estejam sozinhos na disputa pelo troféu deste ano.
OS TOP 5
Campanhas recentes
A adoção do sistema por contos corridos, em 2003, passou a exigir maior planejamento dos clubes anualmente e fez com que os times mais preparados abrissem vantagem. Neste formato, ninguém supera o São Paulo, três vezes campeão. O Cruzeiro, com dois títulos, tem o segundo melhor rendimento neste formato.
1. São Paulo — 57%
2. Cruzeiro — 54,1%
3. Internacional — 51,9%
4. Santos — 51%
5. Fluminense — 49,2%
Estrutura física
A estrutura é determinante para o bom rendimento. Para definir os clubes mais avançados nesse quesito, o Correio deu pontuação de 1 a 5 para cada item a seguir: condições do estádio, trabalho com as categorias de base (títulos nos últimos anos e número de jogadores revelados) e qualidade dos centros de treinamento.
1. Atlético-PR — 13,5
2. Cruzeiro — 13
3. São Paulo — 12,5
4. Corinthians —12
5. Internacional —11
Média de público
Nenhum clube se coloca entre os maiores do país sem o apoio da torcida. Nas 12 edições do Campeonato Brasileiro desde 2003 — quando a competição começou a ser disputado por pontos corridos —, o Flamengo teve grande presença de público, apesar de contar com a quarta média deste ano.
1. Flamengo — 26.485
2. São Paulo — 23.383
3. Corinthians — 21.793
4. Cruzeiro — 20.642
5. Grêmio — 20.466
Valor dos jogadores
Na teoria, quanto mais caro o elenco, melhor o time. A tabela do Brasileirão de 2014 comprova a teoria: o valor de mercado do elenco faz diferença. Dos cinco times de jogadores mais bem avaliados financeiramente, o Santos de Robinho e Damião é o único que não está na zona de classificação para a Libertadores.
1. São Paulo — R$ 193,1 milhões
2. Cruzeiro — R$ 167,7 milhões
3. Santos — R$ 156,9 milhões
4. Atlético-MG — R$ 149,1 milhões
5. Grêmio — R$ 137,6 milhões
Faturamento anual
As receitas movem a montagem de times competitivos. Assim, os valores arrecadados com cotas de televisão, bilheteria, venda de produtos licenciados, vendas de jogadores e patrocínios ganham muita importância. Os números se referem a 2013, quando foram divulgados os últimos balanços financeiros dos clubes.
1. São Paulo — R$ 364,7 milhões
2. Corinthians — R$ 316 milhões
3. Inter — R$ 276,7 milhões
4. Flamengo — R$ 272,9 milhões
5. Atlético-MG — R$ 227,9 milhões
Fonte: Superesportes

