Alexandre Wrobel: Já penso nisso a mais de dois meses, mapeando o mercado… Eu estive na Argentina a um mês atrás, só que as coisas não são na velocidade que a gente gostaria. Às vezes você procura um jogador que interessa, mas o time vai ter eleição no final do ano e não pode se desfazer do jogador… Então, tem uma séria de questões que envolvem o desfecho dessas negociações. E te digo, estou ansiosíssimo, tanto quanto todos os rubro-negros.
Parcerias com Investidores.
O que eu digo é o seguinte: O Flamengo deixou de ser visto como um bom parceiro ao longo do tempo, e a gente tem tentado recuperar isso. Parceria é parceria, tem que ser bom para tudo mundo. Não adianta um parceiro colocar dinheiro, compra o jogador, colocar no Flamengo e o Clube inserir uma série de cláusulas dizendo que não pode vender e etc, aí não tem jeito, porque tem vários outros Clubes com as portas abertas pra eles. A gente está tentando, sempre preservando a nossa vitrine e o que o Flamengo representa, mas tentando voltar ao mercado sendo um bom parceiro para investidores. Até porque se você faz três ou quatro negócios, a tendência é que isso se perpetue.
Posições mais carentes.
Um 10 é uma prioridade, mas é uma dificuldade também. “O Flamengo precisa de um ídolo”, mas me diga um. Está cada vez mais difícil essa definição de quem seria ele. A gente precisa de um 10, sem sombras de dúvida, mas não é fácil. Se houver a necessidade de passar um pouco do nosso limite financeiro, vamos buscar alguma maneira para essa composição restante.
Alívio na Folha salarial.
O Arthur e o Chicão não ficam e existem alguns outros jogadores que o Flamengo termina de pagar dívidas. Então vai haver uma redução na folha salarial. E fora essa questão da diminuição, vai haver um aumento no investimento. A questão é que quando você vai para a Argentina contratar jogador, eles não querem emprestar, querem vender. E lá, a tributação é de 25% sobre a totalidade do negócio. Por exemplo, se você compra um jogador por R$ 1 milhão, tem que pagar no ato, R$ 250 mil de imposto. E essa é a nossa dificuldade. Eles aceitam parcelar por que? Porque a percepção sobre o Flamengo mudou no Mercado. Eu estive na Argentina há um mês para pagar pelo Canteros, que foi uma negociação extremamente limpa e conforme o que foi estabelecido, e vi que a percepção lá fora e aqui sobre o Flamengo está mudando. É algo positivo, de um Clube que está trilhando o caminho da seriedade, de honrar seus compromissos, da austeridade, e isso é fundamental. E já ouvi isso de jogadores, e é algo que me traz uma satisfação e uma tranquilidade muito grande.
Olheiros.
Quem cuida desse departamento é o Rafael juntamente com o Biasotto, além de outros envolvidos. O pessoal do Fla em Dia conseguiu contribuir para a compra de equipamentos, e deixo aqui o meu agradecimento a eles. Então, estamos trabalhando para fazer contratações criteriosas. Nosso dinheiro é curto e tem que ser bem utilizado. O nosso receio é esse. Lógico que a gente vai errar e dificilmente haverá unanimidade, mas buscamos subsídios que minimizem esses nossos equívocos.
Há a possibilidade de não contratar ninguém para gastar mais na próxima janela?
Não. A ideia é contratar agora, pelo menos um ou dois jogadores. Se não for possível nós vamos continuar trabalhando visando o Campeonato Brasileiro, mas a ideia é de contratações para agora.
Começar 2015 com um time pronto?
É a nossa ideia, mas é muito difícil. A gente vem brigando neste sentido, de começar a pré-temporada com o time pronto ou quase pronto.
Léo Moura.
O Léo moura é uma situação peculiar por ser um jogador muito identificado com o Flamengo. Está indo para o seu décimo ano no Clube, ou seja, tem muita história. Uma história de títulos, e a gente está tentando, não existe ainda uma definição. Temos mantido um contato quase que diário com o Eduardo Uram, que é empresário dele, e só hoje falei duas ou três vezes com ele tentando achar um caminho que seja bom para o jogador e para o Flamengo. Mas ainda não há uma definição. Eu sou constantemente abordado sobre esse assunto. Se fica ou não fica, tem gente que defende, outros não, o que é comum… No dia que saiu uma matéria sobre o Luís Fabiano recebi 50 e-mails e mensagens no whatsapp. A metade xingando e a outra dizendo que é maravilhoso. Não existe unanimidade, nunca vai ter, mas é unânime que o Léo tem história no Flamengo, e a gente não pode esquecer disso. Estamos buscando um caminho, e acho que até semana que vem a gente vai ter uma definição com relação a permanência dele.
Custo-benefício de Léo Moura.
Eu acho que este é um dos pontos (declínio na carreira), mas por outro lado acho que não podemos ser tão frios e falar que ele ‘não vale’ e ponto final. Talvez com outro jogador a gente tivesse essa postura, mas é o Léo Moura, que está conosco há anos, o que não quer dizer também que a gente vá comprometer o orçamento… Nós tentamos buscar o equilíbrio, até porque se ele não permanecer, nós temos que tomar um cuidado enorme na sua saída para resguardar e enaltecer toda a história que ele tem pelo Flamengo.
Valorização de ídolos.
Eu tenho o maior cuidado com isso, me policio muito. Um dia destes teve uma reportagem com o Felipe em que ele falou algumas coisas e eu disse que não iria responder, por respeito. É a posição dele. Eu tenho o maior cuidado de proteger e de, se amanhã um tiver que sair, que saia pela porta da frente, com dignidade e ser lembrado por tudo aquilo que fez.
Então o histórico do Léo Moura vai pesar?
É um processo, temos que colocar tudo na mesa. Certamente, se fosse um jogador indisciplinado, que trouxesse problemas ao Flamengo, que tivesse conquistado poucos títulos, teria outra condução. Então, eu acho que tem que ter toda essa reciprocidade. Nós não podemos esquecer tudo aquilo que ele representa e que já deu pelo Flamengo. Então, faz parte de todo um contesto.
Luiz Antônio é a principal moeda de troca do Flamengo?
Eu acho ele um bom jogador, foi um dos mais usados pelo Vanderlei, tem muito mercado e foi sondado por pelo menos quatro times, até do exterior. E ano passado ele teve uma participação brilhante na final da Copa do Brasil, depois teve aquele imbróglio, mas é muito versátil por jogar na lateral também. É um bom jogador, a gente conta com ele, tem mercado, é novo…
Perdas na concorrência.
Primeiro, esse negócio de perder negociação só faz parte quando você compete com outros Clubes, onde você vai na medida da sua possibilidade. Muita coisa do que sai não é verdade, e te digo que 90% é especulação. São nomes que surgem e que jogam ali. Já vi vários que o Flamengo nem sondou. Eu vi agora, a pouco tempo, um cara afirmando que o Flamengo estava praticamente fechado com um jogador. E o que acontece? Aí esse jogador vai e fecha com outro time, e ‘tá vendo? O Flamengo perdeu’. Te dou um exemplo: Lucas Pratto. O Flamengo não fez proposta por ele. Há dois meses a gente vem mapeando o mercado, então a gente busca jogador pra cada posição, estuda ele, faz os cálculos, vê quanto tempo, quantos gols, quantos passes… Temos esse departamento dentro do Clube que está caminhando junto com a gente, nesse sentido. O Lucas é um jogador muito falado e já foi citado anteriormente. O Flamengo até chegou a sondar, mas não fez sequer uma proposta. Então, amanhã ele vai para o Galo e vão falar que o Flamengo perdeu. Não é verdade, o Flamengo não fez proposta. O que eu te digo é que o Flamengo tem conversado com alguns. O que a gente definiu? Vamos ter determinados jogadores vindo da Base, ponto. Vamos contratar três ou quatro apostas, como é o caso do Thallyson e do Arthur Maia, e talvez mais um ou dois no máximo. E vamos tentar buscar dois ou três para tentar ser titular. A gente está brigando diuturnamente. Eu falava com o Ximenes, agora com o Caetano, cinco, dez, quinze vezes por dia. Ontem era meia noite e meia e estava falando com ele. Depois conversamos seis horas, discutindo planejamento. Às vezes procuramos um jogador, aí surge um problema, um terceiro empresário… Então, tem tanta coisa envolvida que não é fácil. Lógico, quando você busca um jogador como aposta a negociação desenvolve com mais tranquilidade. E a gente tem tomado um cuidado muito grande nessa questão de tentar fazer as coisas dentro da nossa realidade. É buscar um equilíbrio. Ninguém sofreu mais que eu vendo o time dentro de campo. Não me agrega nada ver o time brigando pra não cair. Isso me traz um sofrimento danado. Mas, temos brigando muito para buscar esse equilíbrio de no sentido de ter um time mais forte, e tenho certeza que a gente terá, e não tenho dúvida nenhuma quanto a isso. Agora, estamos trabalho em silêncio.
Pará e o Léo (ex-Atlético-PR) é um caminho para uma transição na lateral?
Ainda não tem nada definido. Há uma tentativa de resolução com o Grêmio. Eles têm uma dívida com o Flamengo, ainda da época do Rodrigo Mendes. O Fla venceu em todas as instâncias e agora nós estamos conversando no mais alto nível para uma composição dessa dívida. Essa história se arrasta a muito tempo, é uma dívida a favor do Flamengo, o que não quer dizer que a gente vai lá e amanhã já receba. O Flamengo venceu a batalha judicial, mas ainda não recebeu. E esse recebimento demora por todos os trâmites burocráticos. O Grêmio está tentando uma composição desta dívida, que eventualmente pode envolver jogadores. O Pará é um destes jogadores. Ele foi indicado pelo Vanderlei porque já trabalhou com ele em outras oportunidades. Gosta muito e o histórico apresenta poucas lesões. É um jogador raçudo, que pouco se machuca e é muito regular. É difícil ver uma nota 9 ou 10, mas também uma 4 ou 5. Ou seja, está sempre numa regularidade constante e importante. Existe a possibilidade de vir, mas ainda não está finalizado essa transação.
Mattheus Biteco.
Ele também era um dos jogadores que eventualmente nos interessava. O Grêmio está numa composição com investidor (o tricolor gaúcho só tem 40% do passe dele). Mas neste momento o Biteco está fora da negociação, e estamos caminhando mais para um acerto com o Pará, além de uma composição financeira.
Tentaram o Barcos?
É… Tentamos também (risos).
Dudu.
É um jogador que nos despertou interesse, não só do Flamengo, mas também de outros Clubes. Nós chegamos a sondar a questão financeira. Ouve uma sondagem, conversa com empresário, mas não caminhou pelos valores pedidos. E não acredito num desfecho favorável neste sentido.
O Flamengo está de olho nos jogadores do Fluminense?
O Flamengo está olhando para o mercado num todo.
E está olhando para a África?
Não.
A gente já pesquisou muito sobre ele, é um jogador caro, está na mira de vários Clubes, e da Europa também. É uma negociação extremamente complicado para o Flamengo, a não ser que haja um investidor.
Marcelo Cirino.
O Marcelo seria um sonho, mas é um jogador que já foi sondado um milhão de vezes. Tem jogadores que são de senso comum, é excepcional.
Thiago Mendes.
Sondamos, mas os valores são muito altos. Tem o Welliton, o Thiago, o próprio Amaral que é bom também…
Lucas Barrios.
Todo dia surgem milhares de nomes… Há um tempo atrás me ligou um repórter e disse ‘me ajuda, me revela um nome e tal…’. Aí eu disse: ‘primeiro que não tem nada fechado, estamos prospectando ainda, e qualquer coisa que eu te diga vai nos prejudicar’. Aí ele me respondeu: ‘então se você não me disser eu vou ter que especular, vou ter que jogar nomes na imprensa’. E eu falei que isso é uma liberdade dele. Então, muita coisa que acontece por aí é assim que acontece. O Rômulo por exemplo é um excepcional jogador, mas pelo que eu sei tem um mercado ainda forte na Europa e o Lucas Barrios também, um jogador extremamente qualificado. O Flamengo realmente chegou a tentar o Lucas Barrios, só que ele acabou indo para o Montpellier na época.
Joel, do Coritiba, é um bom nome?
(Risos) É o que eu disse, ‘não me deixem mal aqui’… Mas deixa eu falar uma coisa. Quando eu não respondo é para preservar o Flamengo, porque senão o preço sobe, mais Clube aparece interessado… E não tenha dúvida de que eu tenho um sonho de vir aqui e anunciar nomes, e isso vai acontecer.
Diego do Wolfsburg.
Às vezes a gente acaba sondando determinados jogadores que custamos a acreditar nos salários que são pagos… São cosias absolutamente fora. O Flamengo está olhando para o mercado todo. Existe um departamento basicamente voltado para isso.
Recado final.
Eu tenho o maior carinho por vocês, pelo Programa, e não é de hoje. E o meu sonho é o sonho de vocês, é o sonho de todo mundo. E antes de tudo eu sou um rubro-negro completamente apaixonado, e as vezes eu me vejo naquela linha do torcedor de querer a todo custo montar um bom time, mas do outro lado a gente tem que ter essa sensibilidade de saber o que é bom, até onde podemos ir, de manter essa linha que a gente imagina… E temos convicção de que isso vai levar o Flamengo a um grande time e aonde queremos. Então, a gente vem trabalhando muito, diuturnamente, sem parar. Eu mal durmo pensando nisso, acho que vamos chegar lá e em breve teremos novidades. Vamos montar um time, mesmo que não seja dos nossos sonhos, e não quero ser leviano porque ainda não será, mas vai ser um time que certamente vai ser mais qualificado, mais encorpado, nos dando mais tranquilidade, e que vai servir de trampolim para que possamos dar esse salto de qualidade.
Entrevista realizada pelo Programa Tozzacam*
Entrevista realizada pelo Programa Tozzacam*
Matéria redigida por Eduardo El Khouri



























