O Flamengo aguarda Rodrigo Caetano para o cargo de diretor executivo de futebol. Apesar do prestígio da função no mundo da bola, o Rubro-negro viu a derrapada de profissionais desde que abraçou o cargo em junho de 2010 sob a batuta do ídolo Zico. De lá para cá, mais quatro diretores ocuparam o posto com média de permanência de aproximadamente um ano. São diversos problemas registrados e a certeza de que o novo comandante terá de driblar obstáculos para triunfar.
Flamengo coleciona problemas no comando do futebol.
O Flamengo sempre deu autonomia ao vice-presidente de futebol. Entretanto, a gestão Patricia Amorim apostou no cargo de diretor executivo em 2010. O clube convenceu Zico, o maior ídolo, a ocupar a função. Parecia o início de uma nova era, principalmente pela utilização da imagem do Galinho.
Mas as acusações do Conselho Fiscal em relação às negociações com supostas participações dos seus filhos minaram completamente a continuidade do trabalho e revelaram pela primeira vez um desafio da função: a fervura do caldeirão político rubro-negro. Zico inaugurou o posto no Flamengo e o deixou após quatro meses. O eterno camisa 10 foi quem menos tempo ficou na função.
Na sequência, a administração Patricia Amorim apostou no retorno do ex-presidente Luiz Augusto Veloso, que permaneceu por 16 meses como diretor executivo de futebol. O início do trabalho foi produtivo, mas não suportou o desgaste do dia a dia. Em Sucre, na Bolívia, durante a pré-temporada de 2012, dirigente e técnico Vanderlei Luxemburgo discutiram asperamente. Veloso, que também já havia batido boca com o então gerente de futebol Isaías Tinoco, pediu demissão pouco tempo depois.
Zinho foi escolhido para o cargo em maio de 2012. A pouca experiência fez o profissional ter problemas com Ronaldinho dias antes de o astro entrar na Justiça e deixar o clube. A sequência do trabalho apresentou dificuldades, mas o ex-meia chegou ao final da temporada.
A questão política causou a saída sete meses depois. A diretoria comandada pelo presidente Eduardo Bandeira de Mello assumiu o clube e mostrou resistência desde o início com os remanescentes da gestão Patricia Amorim. Zinho recebia em torno de R$ 100 mil como diretor executivo. Com a contratação de Paulo Pelaipe para a função, uma proposta de R$ 60 mil foi apresentada para que ele assumisse o cargo de gerente de futebol.
Não houve acordo e ficou claro mais uma vez o papel da política na tomada de decisões. Pelaipe permaneceu por mais tempo no Flamengo. Foram 17 meses de trabalho com os títulos da Copa do Brasil de 2013 e do Campeonato Carioca de 2014. O gaúcho deixou o cargo em maio após a demissão de Jayme de Almeida e por não concordar com as decisões da diretoria.
VEJA O TEMPO DE CADA EXECUTIVO NO FLAMENGO
Zico
4 meses
Luiz Augusto Veloso
16 meses
Zinho
7 meses
Paulo Pelaipe
17 meses
Felipe Ximenes
6 meses
Rodrigo Caetano
?
Na Gávea, talvez a principal dificuldade do executivo seja a interferência constante do Conselho Diretor. O cargo ainda não tem a independência necessária e quem passa pelo clube não esconde o descontentamento. Os relatos de que Luiz Eduardo Baptista, Wallim Vasconcellos e Rodrigo Tostes, vice-presidentes de marketing, patrimônio e finanças, respectivamente, influenciam diretamente nas decisões são constantes nos bastidores da Gávea.
Último a sair, Felipe Ximenes ficou apenas seis meses no posto. Ele foi contratado quando a diretoria recebeu resposta negativa na primeira investida em Rodrigo Caetano, que estava no Vasco. Ximenes perdeu o grupo logo no começo do trabalho, jamais teve boa relação com o técnico Vanderlei Luxemburgo e ainda foi acusado de autorizar a venda de Hernane sem garantias bancárias.
O desejo do Flamengo em demiti-lo já era conhecido desde setembro nos corredores e foi consumado na última terça-feira. Agora, a bola da vez parece ser mesmo Rodrigo Caetano. Com trabalhos de sucesso e dificuldades nas duas últimas temporadas, o provável novo executivo rubro-negro terá de estudar bastante as particularidades do clube. Experiente, ele sabe que no Flamengo se tornou comum tropeçar em incômodos e conhecidos obstáculos.
Fonte: UOL
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