Mansur – Desigualdade de forças, jogos mais duros, outros mais fáceis e eventuais zebras. Tudo isso faz parte do futebol. O que não faz parte é o desequilíbrio ser rotina e transformar a competição numa entediante sequência de duelos com vencedor previsível. Talvez por isso quase não houvesse público no Maracanã nesta quinta-feira. Em parte do jogo, suspeitou-se de que não havia também adversário. Os 16 clubes do Estadual abrem espaço para times como o Bonsucesso, que em nove jogos fez apenas um gol. Quinze minutos de empenho máximo do Fluminense foram mais do que suficientes: 3 a 0.
A questão é que há vários “Bonsucessos” no Estadual. Nova Iguaçu, Boavista, Barra Mansa, todos são “Bonsucessos”. É um padrão. Jogam sem chance de sucesso. Em 30 jogos, os grandes venceram 24 e só perderam um. Nesta rodada, todos venceram em jogos praticamente desertos. Faltam seis rodadas para o fim da Taça Guanabara. Depois vêm a promessa de alívio: as semifinais, as finais e alguma perspectiva de emoção.
Em ocasiões assim, cabe ao time grande fazer gols. Em 15 minutos, o tricolor fez três. Para manter em alta as esperanças de futuro, o fez com nova contribuição dos jovens. Gérson, que aliás mostrou critério nos passes e boa participação, acertou bom chute de fora da área aos quatro minutos. Aos nove, uma trapalhada da defesa rival deixou Kenedy livre para ampliar. E aos 15, Édson fez 3 a 0 de cabeça. Se o jogo acabasse, pouca gente protestaria.
O que se seguiu foi o pior dos efeitos colaterais do campeonato inchado. O Fluminense perdeu o ímpeto. Virou treino. Mas um treino ruim, sem capricho. Os jogadores só se exaltaram em trocas de desaforos, cotoveladas e pontapés que não combinavam com a frieza reinante. Foram oito cartões amarelos e um vermelho.
Se as chances de gol já eram raras, o segundo tempo serviu para a volta de Gum. Uma preparação para o futuro, embora o Bonsucesso não o obrigasse a trabalhar tanto na zaga. Até o Fla-Flu da penúltima rodada, quando deverá jogar classificado, o tricolor ainda encontrará quatro pequenos pela frente. Uma longa procissão. Então, trata de testar. Wagner terminou o jogo de lateral-esquerdo após a entrada de Vinícius. E foi o meia quem chutou na trave, aos 33 do segundo tempo. Serviu para quebrar a monotonia. Só faltam seis.
