Fonte: Cosme Rimoli
Foi a desmoralização total de Joseph Blatter. Do comando do futebol mundial. Se o suíço tivesse um pingo de hombridade, vergonha, pediria demissão. Foi assustadoramente simbólica a agressão do comediante Simon Brodkin. Ele estava credenciado para acompanhar a coletiva do presidente da Fifa, em Zurique, na Suíça.
Assim que Blatter começou a falar, o comediante levantou, carregando duas pilhas de dinheiro. E as atirou para o alto na direção do homem que comanda o futebol mundial.
Foi uma metáfora cruel em relação à toda a corrupção que cerca a Fifa. Simon desmoralizou de vez Blatter. A imagem do dirigente embaixo da chuva de dinheiro é constrangedora. Representa a ganância de uma entidade que se perdeu na manipulação.
Constituída por homens corruptos. Bastou uma investigação do FBI e sete já estão na cadeia. Um deles, o nosso digníssimo representante, José Maria Marin, ex-presidente da CBF. Outras pessoas estão na alça de mira do Departamento de Justiça Norte-Americana. O atual presidente da CBF, Marco Polo del Nero, nem viajou para a importantíssima reunião que definirá o sorteio das Eliminatórias. Não foi porque teme a extradição aos Estados Unidos.
Blatter havia avisado que renunciaria ao seu cargo. Ficaria até o início de 2016. Mas, logo depois pareceu mudar de ideia. Deixou vazar a informação que estaria disposto a cumprir seu mandato. O que gerou uma onda de protestos. E grande pressão das UEFA.
O dirigente teve de voltar atrás e confirmar. A eleição para o novo presidente será mesmo no dia 26 de fevereiro.
O grande medo de Blatter parece mesmo ser uma investigação interna. Principalmente na busca das estranhas escolhas de Rússia e Catar como sedes das próximas Copas do Mundo. O suíço quis ficar no cargo mais esse tempo para tentar assegurar um candidato de situação forte. Seu interesse: evitar uma devassa na Fifa e, principalmente, uma investigação como a entidade votou a favor dos russos e catarianos.
Esse candidato seria, a princípio, o francês Jérôme Valcke. Ele é o secretário-geral e homem de confiança de Valcke.
O presidente da UEFA, Michel Platini, está angariando apoio para ser candidato. O real candidato de oposição. Nomes como o de Zico não são levados a sério no cenário geral. Basta lembrar que, para ser candidato, é necessário ao menos apoio de cinco países.
Blatter comanda a FIFA há 17 anos. Desde 1998. Aprendeu como controlar as federações do mundo todo com João Havelange, de quem foi secretário-geral. Foram 24 anos de ditadura brasileira. Quanto a ausência de Marco Polo del Nero, deixando o Brasil sem representante na importante reunião, ele minimizou. Deixou muito claro que entendia o motivo. De Marin, ele nada falou. Sabia porque não estava presente. Continuava preso.
A farra acabou. Não só graças à pressão internacional diante dos escândalos de corrupção, lavagem de dinheiro, propinas. O FBI foi importantíssimo. Mas tudo ruim quando os patrocinadores bilionários avisaram que não estavam dispostos a seguir. Sujar sua imagem com Blatter e sua postura vergonhosa, digna de filmes B da Máfia.
Não houve outra saída a não ser a renúncia. Antes, o suíço terá de fazer a reforma que prometeu. Limitar os mandatos para quem o suceder. Serão apenas dois. A eleição e o direito a apenas uma reeleição. Além disso, a hora é de maior transparência.
As prisões feitas pela polícia suíça, a pedido do FBI mudou a Fifa para sempre. A desmoralização de Blatter chegou ao seu ponto mais baixo hoje. Só que ele também está sendo investigado. Assim como quem fez da Rússia e do Catar sedes dos próximos mundiais.
Blatter jura que eles estão mantidos. Mas não tem a menor certeza do que fala. Um próximo presidente da Fifa, a partir do dia 27 de fevereiro de 2016 pode mudar todo o cenário. Há tempo. Se ficar provado que foi a corrupção e propina que determinaram as sedes, tudo pode ser cancelado.
Com o sangue frio de um ator experiente, ele brincou sobre o seu futuro. Disse que voltará ao jornalismo. Quer trabalhar em rádio.
Sobre a renúncia quis se fazer de vítima.
“Sigo em vida após o tsunami que sacudiu a Fifa. Aqui estou. Vocês sabem o que aconteceu, mas a situação é que após eu ser reeleito no congresso começou uma pressão a que estava submetida a Fifa. Foi uma interferência política e agora estou aqui.
“Estávamos recebendo muita pressão e também dos meios de comunicação. Eu decidi [renunciar] para fazer algo pela Fifa. Eu quero defender a Fifa e não a mim.”
A imagem de Blatter debaixo de uma chuva de notas estava no inconsciente coletivo de muita gente. A partir de hoje, não está mais. A imagem foi real. Ficará para a história.
Jornalistas na Suíça brincam.
A única irritação de Blatter foi que os dólares eram falsos.
A desmoralização do presidente da Fifa foi cinematográfica.
Humilhação inesquecível.
Como deveria ser.
E que sirva de aviso para quem sucedê-lo.
A farra acabou…




























Queria entender:
O cara não é suíço? Aquele povo e país perfeitos? Aquele lugar onde não existem ladrões? Não é para baixo da linha do Equador que estão as mazelas? Ou será que nunca foi bem assim…apenas gostamos de nos auto enxovalhar por completo e BABAR no que é de fora e acima da linha do Equador?
Comecemos a nos valorizar como povo diverso, país diverso e continental, com nossos problemas, mas, comecemos a exaltarmos no que prestamos também, todas as nações tem coisas boas e ruins.