Fonte: Goal
O início do Campeonato Brasileiro para o Flamengo não está sendo nem de longe como os torcedores esperavam. Com oito derrotas em apenas 13 partidas disputadas, a equipe rubro-negra ocupa a 15ª posição na tabela e flerta com a zona de rebaixamento, fato que para o clube mais popular do país vem se tornando uma rotina.
O desempenho da equipe na derrota para o Corinthians por 3 a 0 em pleno Maracanã no último domingo, assim como o baixo rendimento contra o Vasco e Figueirense, fizeram a diretoria acender o sinal de alerta e a situação do técnico Cristóvão Borges poderá em breve ter o mesmo destino de seu antecessor, Vanderlei Luxemburgo. A pressão vinda das arquibancadas é cada vez maior e isso pode tornar a crise insustentável. Nem mesmo as vitórias contra o Internacional e Náutico, pela Copa do Brasil, fizeram os ânimos acalmarem.
Até o Maracanã, sempre apontado como uma das principais armas do time carioca, parece não estar surtindo efeito neste ano. Ao fechar a 13ª rodada, apenas 4 pontos foram conquistados no estádio, que até então era considerado como fator de preocupação para os adversários.
Analisando o momento da equipe Rubro-Negra, a Goal conversou com profissionais que acompanham o time e torcedores para entender a atual fase do clube.
De acordo com jornalista Fábio Azevedo, da Rádio Bradesco Esportes, a posição não chega a ser uma surpresa, ainda que a tradição do time seja bem diferente da que se passa atualmente.
“Houve muitas mudanças e falta de entrosamento das novas peças. Nunca acreditei que o Flamengo brigaria lá em cima. Minha aposta sempre foi em águas mais tranquilas, sem dificuldades e é o que vai acontecer com os novos reforços.”, disse o jornalista.
Já para o comentarista da Rádio Transamérica, Maurício Filardi, o técnico Cristóvão Borges ainda possui respaldo do presidente Eduardo Bandeira de Mello, mesmo que admita que o profissional esteja sofrendo constante pressão por melhores resultados e precise rever os seus conceitos.
“Cristóvão pode continuar no comando, desde que mude o esquema tático. Jogar com três volantes não tem tanta efetividade. Poderia dar mais chances ao Arthur Maia e Jajá. O time ainda é muito limitado e precisa se reforçar. A falta de um criador de jogadas no meio de campo ainda é clara”.
“O presidente gosta do trabalho do Cristóvão e já garantiu que ele fica por enquanto. Quanto ao rebaixamento, há equipes com mais chances, acredito que o risco seja pequeno”, completou.
Enquanto para Fábio Azevedo, o treinador ainda não conseguiu criar empatia com o torcedor e criticou o esquema com três volantes.
“O problema do Cristóvão é que ele não criou empatia com o torcedor, que é sempre quem joga junto. Acho ele bom treinador, mas tem sido muito defensivo, fechando a “casinha”, como eles dizem. Escalar três volantes é duro. A troca não é suficiente se a mudança de conceito não for feita. Flamengo precisa ousar um pouco mais.”, disse o jornalista.
Com o status de pior mandante na competição, com apenas 22% de aproveitamento, o Urubu foi derrotado quatro vezes dentro do estádio que é considerado a sua casa, e venceu apenas um jogo, contra a Chapecoense.
Fora do G4 há 127 rodadas
A campanha fraca do Flamengo no Brasileirão não é um assunto desconhecido para os torcedores. Longe do G4 há 127 rodadas, a equipe da Gávea entrou pela última vez na zona de classificação para a Copa Libertadores em 2011.
E como aqueles que representam a paixão pelo clube encaram esta desconfortável rotina? Questionado sobre o retrospecto da equipe, que nos últimos anos teve o 10º lugar como a sua melhor classificação, o torcedor Sergio Chiapetta afirmou que apesar do início abaixo do esperado, não se assusta com o risco de rebaixamento.
“Depois de 2005, nenhuma campanha do Flamengo me assustou mais. Nunca acreditei realmente que o Flamengo poderia ser rebaixado nos anos subsequentes, porém isso não torna as campanhas menos desagradáveis.”, disse o Engenheiro, de 27 anos.
Ainda que dentro de campo o time não venha convencendo, o torcedor diz que os maus resultados são reflexos da política imposta pela direção do clube, que prioriza a saúde financeira da instituição. Sendo assim, ele garante o seu apoio e entende que a fase é passageira.
“É perfeitamente normal que a torcida acumule frustrações apesar dos títulos da Copa do Brasil e do Campeonato Carioca que aconteceram neste período. Mas eu, particularmente, acho que seja consequência direta de uma política de austeridade financeira adotada em 2013, que já está na sua fase derradeira. Em breve isso ficará para trás e será lembrado como um rápido período de ajuste.”, completou.
Guerrero e Emerson Sheik, os salvadores?
Apesar da turbulência na Gávea, a torcida rubro-negra ganhou dois reforços de peso recentemente e que podem aliviar o sufoco da equipe. Sheik, e principalmente Paolo Guerrero, ganham status de “salvadores” após cada resultado negativo no Brasileirão.
Mesmo demonstrando imparcialidade quando aborda os assuntos financeiros, o apaixonado torcedor não se contém ao falar da presença dos novos jogadores da equipe. De acordo com Chiapetta, o Rubro-Negro acertou ao trazer a antiga dupla de ataque do Timão para o Rio de Janeiro.
“Guerrero efetivamente era a peça que o Fla precisava. Tecnicamente é um centroavante de alto nível cuja qualidade de marcar gols já foi devidamente provada, mas acho que a sua contribuição não se limitará a isso. É capaz de puxar marcação e criar espaços para os demais companheiros produzirem ofensivamente. Enquanto o Sheik terá importância no aspecto psicológico, por ser um jogador já experiente, carismático, competitivo e com poder de liderança. Um grande problema desse elenco do Flamengo é a apatia.”, analisou Sergio.
Ainda que reconheça a qualidade dos atletas, o jornalista Fábio Azevedo é um pouco mais contido e diz que o time precisa rever sua organização em campo, mesmo com a presença desses jogadores.
“Eles dão mais qualidade ao time, mas ainda é preciso organizar a equipe. Não sei se com o Cristóvão, que vem sendo muito pressionado. De qualquer forma, não acho que a aposta nos três volantes seja suficiente para dar esta subida na tabela. Prefiro um esquema mais ofensivo para que a bola chegue em melhores condições ao Guerrero e Sheik, com dois armadores.”, analisou.
Neste sábado, Guerrero fará a sua estreia no Maracanã diante do Grêmio, às 18h30 (hora de Brasília), quando o Flamengo buscará a vitória que trará mais tranquilidade na campanha do Brasileirão.
Nos dois jogos com a camisa Rubro-Negra (contra o Internacional e Náutico), o peruano já balançou as redes duas vezes, deu assistência e foi decisivo. Será que neste sábado a estrela do jogador vai brilhar novamente? É o que a torcida espera e acredita.




























