Fonte: ESPN / Deixou Chegar
No dia em que o Flamengo se transformar, de fora para dentro, nenhum outro clube vai querer estar lá para testemunhar o que acontecerá. Será o dia em que a torcida do Flamengo tomará o clube e o guiará. O clube voltará a se significar e encontrará, dentro de si, a resposta para os dilemas que impedem o seu crescimento.
No dia em que o morro descer e não for Carnaval, o Flamengo, como o Brasil, se equilibrará. Ele se livrará das cinzas relações entre público e renda, jogadores e clube, torcida e jogadores. A salvação do Flamengo está em si mesmo, na sua democracia. Como é o principal e mais amado clube do país, a revolução do Flamengo é a guerra civil necessária ao futebol brasileiro.
Tomemos a última noite como exemplo. Enquanto o Flamengo fazia a felicidade de grande parte dos brasileiros, um senhor em Brasília, que, apesar de flamenguista, não parece gostar muito do povo brasileiro, deu um golpe na democracia do país. As mesmas pessoas, que estão cada vez mais longe dos jogos do Fla nas arenas de Copa do Mundo, receberam uma rasteira dada da maneira mais baixa possível. Eduardo Cunha: jamais esqueçamos desse nome, e dos que o acompanharam. Como não podemos nos esquecer dos empreiteiros e governantes responsáveis pelos estádios de plástico construídos, do público afastado por eles, do futebol cada vez mais exclusivo. Dos dirigentes presos na Suíça, nos Estados Unidos, correndo escondidos em aeroportos para não serem reconhecidos.
Se o morro descer e não for Carnaval, será para tomar o Flamengo e o Brasil à mão, corrigir séculos de injustiça e construir um futuro mais justo para todos nós. Um futuro verdadeiramente democrático, sem golpistas e manobras para interromper o despertar de uma população maltratada. Um futuro inclusivo, com oportunidades e igualdade. Esse dia há de chegar.
“Wilson das Neves – O dia em que o morro descer e não for Carnaval”

Esse dia há de chegar…