Fonte: Deixou Chegar
Não há ocasião melhor para se jogar como visitante no Brasileirão do que contra o Flamengo no Maracanã. Foram seis jogos do Rubro-Negro como mandante no estádio no campeonato, incluindo o clássico de torcida dividida contra o Fluminense. Ao todo, o Fla conseguiu uma vitória (Chapecoense), um empate (Sport) e quatro derrotas (Flu, Atlético-MG, Figueirense e Corinthians).
O roteiro é quase sempre o mesmo. Empolgado pela torcida e na base do “Vai pra cima deles Mengô!”, o time pressiona nos primeiros 10 minutos de jogo. Arranca alguns suspiros da galera, consegue escanteios, às vezes até perde uma chance clara de gol.
Pautado pela obrigação imaginária de “propor o jogo” (por estar jogando em casa), o time tenta controlar a posse de bola e se lança ao ataque. Aos poucos, porém, o adversário deixa a poeira baixar, bota a pelota no chão e percebe que o monstro não é tão assustador assim.
É a partir desse momento, geralmente marcado pelos 15, 20 minutos da primeira etapa, que o jogo muda e o visitante começa a dominar a partida. Toque de cá, de lá, e pronto, a primeira chance de gol para eles. E outra. Opa, mais uma, todas intercaladas por ataques mal construídos do Flamengo do outro lado. Até que, finalmente, o adversário abre o placar.
Sem ter virado um jogo sequer no campeonato, o Rubro-Negro se desespera com o gol sofrido, escancara o seu meio-campo e parte de maneira totalmente desorganizada para tentar o empate. O cenário se desenha perfeitamente para que o visitante amplie a diferença em um ou outro contra-ataque. São 2, 3 a 0, que poderiam ser 5, 6, 7, tivesse o adversário um pouco mais de sangue nos olhos. Como não tem sido o caso, ele passa o restante da partida palitando os dentes, observando Flamengo, torcida e bola tentarem chegar a um acordo. É um martírio para todos.
Depois, as entrevistas explicam como o time tinha um jogo equilibrado “até tomar o gol”, como o bandeirinha errou em um lance aqui, como o time levou azar em certos momentos e poderia sair com um resultado melhor. Mas não, não poderia. E não poderá enquanto achar que jogar em casa é sinônimo de se expor ao adversário, principalmente quando este é sabidamente superior.
Pensando bem, fez todo sentido o Consórcio Maracanã tocar o hino do Corinthians para os torcedores do alvinegro antes do jogo. Muitos flamenguistas se sentiram ofendidos com isso na arquibancada, mas de que importa? A ideia parece ser fazer o visitante se sentir o mais confortável possível no Maracanã. É como se o Fla abrisse a porta de sua casa aos visitantes e dissesse: “Venham, cantem o hino, joguem à vontade, façam quantos gols quiserem, mas não esqueçam de sair com os três pontos daqui, hein?”.
O Flamengo transformou o Maracanã numa piada, na fase bônus do campeonato. Temos o salão de festas do Brasil. Bem disse Adílio em vídeo exibido no telão antes da partida: “Antigamente era muito difícil ganhar da gente no Maracanã”. Hoje em dia? Nem tanto.
