Fonte: República Paz & Amor
Se a vitória chegasse eu não resistiria. Domingo, 5 de julho de 2015. Maracanã nublado, frio e chuvoso. Por um instante pensei em mil lugares. Bem longe dali. De Conchinha. Mas, nenhum deles me preencheria tanto quanto ver o Flamengo jogar. O juiz apita o início do jogo. Do lugar mais alto da arquibancada observava um time sem vida, sem criatividade, sem Flamengo. Sim, é possível ser Flamengo SEM ser Flamengo. Aquele bando em campo legitimava isso. Um time dos primeiros minutos, do é lutar para não cair, do somos um time para meio de tabela, do esse ano vai ser assim. Um time que faz do Maraca um lugar comum. Não para mim, apesar do que fizeram com ele. Não para 20.769 torcedores presentes. Mas, para os adversários. A mediocridade PUNE. Uma derrota humilhante para o Figueirense. Sim, eu me sinto humilhada por um resultado daqueles. Para muitos, acidente. Para outros, coisas do futebol. Para quem respira Flamengo uma derrota VERGONHOSA dentro da nossa casa. Nossa? E ainda bem que o universo também é habitado por esses que não se conformam. Que resistem. Que lutam por dias, jogos, times melhores. Essa resistência apaixonada por tudo aquilo que reduz ou iguala o Flamengo aos pequenos. Aos medíocres. Seja Rubro-Negro, Seja Heroi. Por mais parangolés, e menos pangarés no Flamengo.
E a madrugada acalentaria a nossa paz. Quarta-feira, 8 de Julho de 2015. Chego na aula de dança e sou “ovacionada” pelos cavalheiros. Não tanto pelo meu gingado. Mas, pelo meu camisa 9. Eles estavam tensos. Tinham dificuldades em me conduzir. Minha alma rubro-negra toma conta do salão. E sem que eu dissesse uma palavra. Sem que eu mencionasse o jogo que aconteceria horas depois, vascaínos, tricolores, botafoguenses exalavam recalque. Ao som do samba de gafieira, enquanto eu escrevia meu nome no salão, a torcida arco-íris se incomodava. Começava o efeito Guerrero na minha vida. Depois de duas horas de dança, eu ainda estava tensa pela estreia. Parei no bar para tomar uma Stella (que nossos atletas não me escutem), e claro, minha performance de torcedora sofreu sérias consequências.
Quis o destino que eu chegasse em casa com 12 minutos de bola rolando. Meu elavador tremeu. E eu estava sozinha nele. Escutei gritos, e uma ETERNIDADE se deu até que eu achasse a porra da minha chave, abrisse a porta, ligasse a TV e, em estado de choque, visse o GUERRERO comemorando seu primeiro gol no Flamengo. SETE meses esperando um JOGADOR que prestasse. Um goleador. Um vitorioso. Um jogador que fala em G4 nas suas entrevistas e não na mediocridade do meio da tabela. Esse discurso série b, adotado – vergonhosamente – pela diretoria e por parte, ainda que pequena, de uma torcida passiva. Quis o destino que eu estivesse no elevador. E a culpa é da Stellinha. Que ironia. SETE meses de “planejamento” e eu não vi o gol do Guerrero. Implorei por um replay. Liguei o computador. Ajoelhei, levantei as mãos para o alto, agradeci pelo ano de eleição. Eles abriram o cofre. Guerrero, um semestre depois, foi o tiro certo. Ainda quero o meia. Quero. E quero com força. Se virem. Brigo por um elenco decente há meses. Agora estamos aí. Com César. Com a defesa inconstante. Com nenhuma – ou agora – quase nenhuma criatividade. Para o Flamengo quero antes o lirismo dos loucos, o lirismo dos bêbados (sim, deles), o lirismo difícil e pungente dos bêbados. Quero a poesia de um Bandeira.
Sou um ser (rubro-negro) tomado por dualidades. Meus onze leitores já sabem disso. Circulo entre a passionalidade e a razão. Entre a paixão e a crítica. Entre uma derrota ridícula dentro de “casa” e uma vitória ÉPICA fora dela. Entre o ódio mortal do tal acordo de cavalheiros, e o amor pelo Flamengo que me faz ir ao jogos COM ou SEM jogadores. Entre um time inexpressivo, sem tesão, sem vontade. SEM. E um time de uma brisa boa. Uma brisa que faz mudar o posicionamento, que faz marcar, que faz acertar passes, que faz criar jogadas, que faz manter resultado, que faz correr, faz lutar, faz marcar gols, faz chutar a gol, faz quebrar tabus. Fica oh brisa, fica. Ainda tem muito campeonato. E quem sabe o inesperado me faça uma surpresa e traga o HEPTA para ficar e me escutar. Fica, Oh Brisa, Fica.
Pra vocês,
Paz, Amor, Eu e a Brisa.
