Fonte: O Globo
A cada derrota do Flamengo no Maracanã, a diretoria precisa renovar o crédito do técnico Cristóvão Borges, dando garantias de que o trabalho não será interrompido. Neste domingo, a aposta no resultado a longo prazo voltou a ser testada, após os 3 a 0 diante do Corinthians. E, se a cúpula rubro-negra mantém a confiança no treinador, a paciência da torcida parece ter chegado ao limite. Ao trocar o atacante Gabriel pelo meia Alan Patrick, aos 12 minutos do segundo tempo, já com o time perdendo por 2 a 0, Cristóvão foi xingado e ouviu o sempre temido coro de “burro”.
O julgamento da arquibancada foi aceito com resignação pelo técnico.
— A reação da torcida é compreensível. Perder por 3 a 0, jogando em casa, não dá para ficar satisfeito, e o torcedor tem direito de manifestar sua insatisfação. Nós estamos aqui para dar resultados positivos, e estamos oscilando bastante — afirmou Cristóvão.
Quase todos os jogadores do Flamengo deixaram o Maracanã sem falar com a imprensa. O zagueiro Wallace, um dos poucos a atender os jornalistas, ainda em campo, reconheceu que falhou no segundo gol corintiano. Indagado se também tinha contas a prestar do resultado, Cristóvão Borges chamou para si a responsabilidade:
— Quando a equipe perde, sou eu que erro, porque sou eu o responsável, sou eu que escalo o time. Os jogadores estão ali para cumprir o que eu determino. Traçamos uma estratégia de jogo, às vezes somos felizes, às vezes não, mas a responsabilidade é do treinador.
Sem medo do Maracanã
Pela quarta vez em seis jogos disputados até agora no Maracanã, neste Brasileiro, o treinador rubro-negro teve de explicar um resultado adverso. O que deveria ser uma vantagem — jogar diante da torcida — começa a ser visto com preocupação pelo treinador. Ele só não concorda que pensem que o time do Flamengo já teme o Maracanã.
— Esse negócio de medo não existe, mas temos de controlar a ansiedade. Não tem como não propor o jogo diante da nossa torcida, só que não dá para cometer tantos erros — lamentou.
Contra o Corinthians, o time não contou com Emerson e Guerrero, que retornam quarta-feira, contra o Náutico, fora de casa, pela Copa do Brasil. Ontem, Emerson não foi ao Maracanã, mas Guerrero acompanhou o jogo, ao lado da namorada, no camarote do Flamengo. A volta dos dois é a esperança da torcida e do treinador para fazer o time engrenar na temporada.
— São jogadores experientes, entrosados, e já vimos a contribuição deles para a equipe (na vitória sobre o Inter) — disse o técnico.
