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Receitas estacionadas em 2014… Em viés de baixa para o futuro?

Redação
Redação
Publicação: 26/08/2015
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Atualização: 26/08/2015
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Análise Econômico-Financeira dos Clubes de Futebol Brasileiros de 2015 – Dados Financeiros de 2014 – Parte II

Alerta necessário

Os autores desse estudo trabalharam unicamente com os documentos oficiais dos clubes sobre suas movimentações financeiras e patrimoniais, que são os balanços.  Algumas informações referentes ao panorama geral, a receitas futuras diversas, por exemplo, foram obtidas através da imprensa. Não há, portanto, informações privilegiadas ou obtidas de outras fontes.

Comentários Itaú BBA

No campo das Receitas temos boas e más notícias. Começando pelas más, as Receitas Totais caíram 3% em 2014, dando sequência ao movimento visto em 2013.

Entretanto, quando tratamos apenas das Receitas Recorrentes, que são as Totais excluindo a Venda de Direitos Econômicos, o grupo de equipes analisadas apresentou crescimento de 7%, desempenho superior ao de 2013, quando as Receitas ficaram estáveis. Lembramos que com a inflação na casa dos 6,5%, este crescimento nada mais é que a reposição inflacionária, ou seja, não é exatamente um motivo para comemorações.

É muito interessante observar estes movimentos em conjunto, mas para uma análise mais apurada é fundamental entendermos que estamos falando de dados consolidados. Nos próximos blocos entraremos em mais detalhes que explicam esta movimentação, mas o fato é que houve incremento de Receita que tem boa chance de se repetir no longo prazo, no lugar da Receita mais volátil e incerta.

Mas, isoladamente, este dado significa pouco. O Futebol pode ter gerado mais Receitas, mas o mais relevante é saber quem se apropriou dela e como a utilizou.

Crescimento em diversas frentes

Na composição das Receitas vemos movimentos positivos. Entre as seis principais linhas de Receita, a Venda de Direito Econômicos e as receitas com Estádios sofreram redução, enquanto todas as demais cresceram, com variações módicas, dentro do que foi a inflação do período. No que diz respeito às Receitas que sofreram redução, os Estádios podem ser explicados pela questão da Copa do Mundo, que em algum momento retirou interesse dos Torcedores pelos jogos locais. Além disso, como vários estádios ficaram prontos muito próximos aos jogos, passaram praticamente todo o primeiro semestre fechados. Na Venda de Atletas temos uma volta à normalidade, com a Receita próximo à média histórica. Em 2013 a venda de Lucas pelo São Paulo gerou um valor acima do usual. De qualquer forma, mesmo com o crescimento das Receitas com Bilheteria, impulsionadas pelos programas de Sócios Torcedores e pelas novas Arenas e mesmo de Publicidade, as Receitas com Direitos de TV continuam a ser as mais relevantes na estrutura de Receitas dos Clubes. Após sofrerem redução em 2013, pois em 2012 houve recebimento de luvas pelo contrato, voltaram a crescer e representam 39% do Total das Receitas.

Direitos de transmissão

Não houve grandes novidades em termos da distribuição das Cotas de TV. As oscilações entre 2013 e 2014 foram reflexo de mudança de Divisão dos Clubes, eventuais acréscimos de receita de Pay Per View e pequenos ajustes. Ou seja, o cenário continua o mesmo: Flamengo e Corinthians num bloco acima dos demais, com Palmeiras, Atlético Mineiro e São Paulo um pouco atrás, para a partir daí se observar uma distância crescente. Importante ressaltar que não questionamos a prática comercial entre as partes – Clubes, Federações e Emissoras – mas salientamos que há um desnível de Receitas, aceito por todos. De outra forma, observamos que estas receitas, a despeito das diferenças, não impediram o Cruzeiro de ser Bicampeão Brasileiro em 2013 e 2014.

Comentário OCE: é importante destacar que os direitos de transmissão são formados por um conjunto de receitas de diferentes competições: Campeonato Brasileiro, que é, sem dúvida, o de maior valor e peso, mas também os campeonatos estaduais e as copas continentais e doméstica: Libertadores, Sul-Americana e Brasil. Ou seja, dependendo do quanto cada clube disputou e avançou nas copas, há sensíveis diferenças nos valores totais dos direitos de transmissão.

Servimos bem para servir sempre

Se em 2013 tivemos alguns movimentos incomuns que fizeram com que as Receitas de Venda de Direitos Econômicos crescessem 68%, em 2014 retornamos à normalidade, com um volume de Receitas próximo à média histórica. Em 2013 as vendas de Lucas, Neymar e Bernard, bem como os montantes apresentados por Corinthians, Internacional e Botafogo, geraram um salto absurdamente elevado. Para 2014 não observamos vendas tão relevantes, mas movimentos regulares. Mesmo clubes que apresentaram valores acima das suas médias, como Atlético Paranaense e Flamengo, mostraram dados comparativamente comportados. As explicações podem estar associadas ao fato das principais estrelas terem sido levadas antes da Copa do Mundo, e em 2014 os clubes Europeus terem vindo com menos sede ao pote, esperando justamente os destaques da competição. Fato é que vendemos menos Direitos de Atletas, o que gerou menos Receitas aos Clubes. Quando avaliados individualmente é possível identificar clubes que, dependendo de como geriram suas Receitas em 2013, tenham sofrido mais em 2014. Quando o clube se compromete com Custos pensando nas Receitas de Venda de Atletas, podem estar cavando um buraco sem fim. Vejamos os casos de Botafogo, Corinthians e São Paulo. As vendas de 2013 estiveram bastante acima da média. Se utilizaram estes recursos para pagar dívidas e investir na Base, ótimo. Mas se gastaram investindo em outros atletas, para reforçar seus elencos, pode ser que devido a menor Receita, em 2014, esta não tenha sido suficiente para arcar com os novos salários e o resultado terá sido déficit, atrasos e novas dívidas.

Publicidade e Marketing – Receitas crescem, mas nem todos aproveitam

Observamos um bom crescimento nas Receitas consolidadas de Publicidade, mesmo num ano de forte concorrência comercial com a Copa do Mundo. A grande questão é que nem todos se aproveitaram das oportunidades. Na prática, quando entramos no detalhe dos Clubes observamos que Flamengo e Grêmio foram quem melhor souberam surfar a onda da evolução na sua gestão esportiva e do aumento de credibilidade da marca em função disso. Ao mesmo tempo, clubes como São Paulo e Palmeiras sofreram com suas questões políticas internas e o Santos com a ausência de Neymar. Agregar Receita de Publicidade está associado diretamente à Credibilidade da marca. Boas gestões, com salários em dia, sem discussões políticas internas que extrapolam os muros do clube são aspectos fundamentais para que uma empresa tenha seu nome associado às marcas do Futebol.

Bilheteria e Sócio-Torcedor

O grande salto de qualidade na gestão das Receitas de Bilheteria está na ampliação dos programas de Sócios Torcedores. São estes programas que fidelizam e mantém as Receitas estáveis, garantindo montantes importantes aos Clubes. A despeito da falta de informações completas de todos os clubes, é possível avaliar que o crescimento dos programas de alguns deles, como Internacional, Cruzeiro, Flamengo e Grêmio tenham sido a mola propulsora do acréscimo das Receitas observados a partir de 2013. Ainda que as receitas de Bilheteria, que congregam a venda avulsa e os programas, tenha crescido 4% em 2014, quando analisamos este número aberto, vemos que os programas tiveram crescimento de 21%, e se as informações de Cruzeiro e Palmeiras estivessem detalhadas, este crescimento teria sido ainda maior. Mas há que se ter uma série de fatores convergindo para que estes programas funcionem: Credibilidade da Gestão, investindo com qualidade; estádios com tamanho que gere mais demanda que oferta de assentos; equipes de qualidade e lutando por título; programa de incentivo que seja mais que um “vale ingresso”.

Comentário OCE sobre as Receitas – A volta do velho dragão

Sim, ele voltou, o dragão da inflação. E está mais forte nesse corrente 2015.

Em 2013 as receitas operacionais dos clubes – repetindo: as receitas sem as transferências de atletas – ficaram praticamente estáveis em relação a 2012, com um crescimento nominal de 1%. Como naquele ano, porém, a inflação oficial foi de 5,91%, isso representou na prática uma queda na receita operacional real.

Em 2014 essas receitas apresentaram um crescimento nominal de 6,9%, mas a inflação oficial do período foi de 6,41%, ou seja, a rigor tivemos um crescimento real de apenas 0,5%.

Certamente vocês repararam que nos dois parágrafos anteriores usei a expressão “inflação oficial”. Há duas razões para isso. A primeira é formal – esses são os índices oficiais, de acordo com o IBGE. A segunda é de caráter, digamos, opinativo: muitas pessoas, inclusive boa parte dos especialistas no assunto, entendem que a inflação real é superior à oficial. Opiniões à parte, porém, é sabido e reconhecido que diferentes setores apresentam diferentes índices inflacionários. E o futebol não se caracterizou por redução nos custos e gastos, muito pelo contrário.

O resultado disso tudo é que, com absoluta certeza, as receitas operacionais ou recorrentes de nossos clubes, vêm diminuindo. Daí o título dessa segunda parte conter o tímido e precavido “em viés de baixa” seguido pelo ponto de interrogação.  Infelizmente, acredito que esse ano de 2015 apenas confirmará essa tendência, o que saberemos com certeza em março e abril próximos.

A separação das receitas obtidas com transferência de atletas é muito interessante, em linha com o que publica esse OCE há anos. Essa é uma receita que, pelos sinais recebidos, está em baixa e assim continuará, como já vimos também no correr desse ano, refletindo o panorama geral do futebol brasileiro em termos de qualidade: há algum tempo diminuiu sensivelmente o número de jogadores brasileiros nas listas de melhores ou mais desejados ou mais valorizados, exceção feita a Neymar, sempre e, em menor escala, a alguns defensores.

Com relação às Receitas Recorrentes ou Receitas Operacionais, 2014 não foi nada brilhante como exposto na primeira parte desse comentário, e tampouco deveremos ter grandes mudanças para esse ano corrente, excetuando pelos resultados de bilheterias e sócios-torcedores de alguns clubes. Contudo, para 2016, haverá um forte incremento nos valores pagos pelos Direitos de Transmissão, o que provocará alterações significativas no peso dessa receita frente às demais, assim como nos valores totais das receitas operacionais, vindo a configurar um ano de crescimento.

Em parte fictício…

Porque muitos, talvez a totalidade dos clubes, já avançaram sobre essas receitas através dos adiantamentos. Ou seja, trocando em miúdos, 2016 será, certamente, um ano de crescimento apenas contábil nas receitas, tendo ainda de descontar a inflação desse 2015, que, acredito eu, muito dificilmente ficará abaixo de 10%, oficialmente.

É em função desse cenário, apesar de um ou outro indicador positivo, que acredito que as receitas dos clubes estejam entrando em um ciclo de baixas reais, ainda que com crescimento nominal, ou seja, o crescimento, se houver, ficará abaixo dos índices de inflação.

Fonte: Olhar Crônico Esportivo

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