Enquanto fervilham as águas antes plácidas e azuis, o futebol rubro-negro parece se equilibrar melhor no segundo turno do Brasileiro. Longe da fanfarronice do novo velho VP, parecendo se sentir o último Biscotto do pacote. Se ele tem memória curta, a minha chega a dez anos e ainda não esqueceu a lambança dele na mesma função em 2005. E que não se anime o candidato da oposição azul por ter encontrado um trunfo nessa infeliz escolha do candidato da situação azul. Seria razoável o candidato e também ex-VP de futebol azul, de muito tristes recordações para os rubro-negros, olhar para ontem e calçar as sandálias da humildade. Não sei dizer quem foi pior VP de futebol no Flamengo, o Biscotto de 2005 ou o Wallim de 2015.
Voltando ao campo de jogo do meu gosto, não atribuiria de forma categórica a recuperação do time, pelo menos agora, já se tratar da ação do Oswaldo de Oliveira. A valorização da posse de bola, talvez, embora já houvesse uma tímida tentativa com o técnico anterior. Quase estou convicto para creditar ao novo técnico a abolição dos cruzamentos a esmo para o ataque. Quase, porque pode ter sido uma reação esperada dos próprios jogadores pela ausência do Guerrero. Enfim, há um esboço de melhora, de mais consistência. Só, por enquanto.
Isso não me impedirá de criticar o último jogo, pela maneira desinteressada de jogar contra um adversário com dez em campo desde o primeiro tempo. Preocupou-me não ter ouvido uma avaliação mais crítica sobre isso por parte do técnico. Mesmo considerando uma e outra oportunidade de gol perdida, faltou tesão, disposição, o termo preferido de quem quiser, para atacar um time fragilizado e resolver o jogo para não correr riscos numa famigerada bola alçada ao apagar das luzes em nossa defesa confusa. O jogo estava sob um suposto controle, mas levamos contra-ataques desnecessários. Espero assistir algo melhor hoje na terceira partida dessa fase. Pode ser que com o Oswaldo dando essa repaginada, o retorno do Guerrero e do Ederson, além de um afastamento menor do Sheik, tenhamos um pouco menos de sobressaltos no momento decisivo da competição.
A propósito de repaginar, precisam repaginar o Sheik. O seu comportamento impulsivo e equivocado já deveria ter merecido uma enquadrada da direção, caso fosse efetiva. Inadmissível a sua atitude irresponsável de estilingar adversários às vésperas de confrontos importantes e de agredir de forma rasteira, ao vivo e em cores, a arbitragem. Alguém precisa dizer ao Emerson que deixe essa função para os torcedores. Se ele é um deles, se comporte de forma mais inteligente como jogador, como um dos líderes, como o mais experiente do elenco, como exemplo aos mais jovens. Para desequilibrar o grupo, dentro e fora de campo, já temos outros protagonistas. Pedir desculpas depois em nada ajudará. Vem um gancho aí que coincidirá com ausências do Guerrero e do Ederson, tudo na conta do clube. Caso eu esteja certo, uma aplicação de multa caberia muito bem. Descontem dele as ausências, como a qualquer trabalhador. Mexam no órgão mais sensível do corpo humano: o bolso.
Alexandre Fernandes
MAGIA NELES!
Fonte: Magia Rubro Negra
