O Flamengo surgiu num contexto de grandes transformações de natureza econômica, social, política e cultural. O Brasil, e mais notadamente o Rio de Janeiro, então Capital Federal, começavam a deixar para trás o entulho monarquista, renovando as esperanças de que a expectativa gerada pela chegada de um novo regime trouxesse uma vida melhor em todos os sentidos, enterrando o atraso que mantinha a cidade e o país distantes do progresso.
Numa ordem cronológica, o Flamengo nasceu um pouco depois da Abolição, da República, do jogo do bicho, do telefone, dos bondes elétricos, e um pouco antes do cinema, do automóvel, da indústria fonográfica, e mais, do futebol, do samba e das religiões vindas da África entrarem definitivamente no cotidiano da vida carioca e nacional.
O Flamengo vai se situar também, em seus primeiros anos de existência, com uma cidade de 500 mil habitantes, na qual cerca de 100 mil vivem na tênue fronteira entre a legalidade e a ilegalidade, participando às vezes simultaneamente de ambas, dada a precariedade de escolas e as oportunidades de trabalho. E vai conviver com as primeiras manifestações do movimento feminista, com o tímido surgimento de uma literatura essencialmente brasileira, com o começo de uma intensa imigração, com o aparecimento das primeiras favelas, com as doenças transmissíveis que ainda faziam do Rio, naquela virada de século da cidade, um lugar às vezes inabitável – e logo em seguida com a política da erradicação das epidemias, levada adiante, com muito custo, pelo médico Oswaldo Cruz, que acompanhou a política de reforma urbana chamada de “bota-abaixo”, posto em prática pelo prefeito Pereira Passos, e que mudou para sempre a cara da cidade.
Mas o Flamengo vai ser sobretudo parte importante do crescimento do esporte como atividade física e entretenimento, pedindo licença para integrar definitivamente a vida social da cidade e também do próprio país, num processo em que o clube carioca, pela dimensão que alcançará em um médio prazo, terá importância absolutamente fundamental.
Quisera ser imortal para viver a glória eterna do Flamengo.
Fonte: Lancenet
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