Comissão de Arbitragem considera corretas as decisões de Daronco após revisão por “Dogso”, mas não revela os outros lances contestados pelo Flamengo
A CBF divulgou na noite desta sexta-feira (09) o áudio do VAR do pênalti e da expulsão de Jorginho no Santos 2 x 2 Flamengo. Além disso, a Comissão de Arbitragem considerou corretas as duas decisões de Anderson Daronco.
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Daronco: Não faz (falta), mesmo critério de lá (em relação à disputa Paquetá e Barreal no gol do Danilo).
Toski (VAR): Eu não vejo uma alavanca de perna, vejo contato normal de perna. Não tem falta nem em cima e nem embaixo. Eles estão disputando a bola. Não temos um “Dogso” claro porque são bolas disputadas. É factual, o contato da mão é dentro da área.
AVAR: Rodolpho (Toski), como é a mão, é um “Dogso” e sem disputa. Se usou a mão, não tem disputa.
Toski (VAR): Eles estão disputando ali, não?
AVAR: Não, ele usou a mão no chão. Não tem disputa.
Toski (VAR): Mas ele está em movimento de queda. Cai pela disputa. Pode ser um “Dogso” com disputa.
AVAR: Temos dois atacantes que poderiam fazer o gol
Toski (VAR): Checando o “Dogso” ou não. Nós temos um contato de jogo natural aqui. Ele está em queda. A bola está parada naquele momento, não tem um jogador que joga. Uma bola que parou no braço porque um jogador está caído fruto de uma disputa anterior. Tem um braço que impede o jogador de prosseguir, mas como é dentro da área seria um “Dogso” fruto da disputa essa queda dele. Ou alguém vê um “Dogso” claro?
Assistentes concordam, e Toski avisa ao Daronco:
Toski (VAR): Decisão factual, é dentro da área, seria um pênalti confirmado.
Daronco: Perfeito. E o disciplinar, está ok?
Toski (VAR): Se você deu por um ataque promissor…
AVAR: Fala para ele que é um “Dogso”.
Daronco: Toski, ou tu me chama (sic.) ou não.
AVAR: Chama porque é um “Dogso”. Para ele interpretar “Dogso”.
Toski (VAR): Ataque promissor não é. Nós temos um “Dogso”. Se você deu cartão, não é um ataque promissor. Sugiro revisão por “Dogso”. Sugiro revisão porque você deu por promissor onde a situação é um “Dogso”. Você tem que analisar se tem disputa ou não.
AVAR: Ele falou que era promissor. Se para nós é “Dogso” chama.
Toski (VAR): Você vê claramente que era um “Dogso”, ele ia enfrentar o goleiro.
Após revisar o lance no monitor.
Daronco: Para mim seria uma situação de “Dogso”, perfeito.
Toski (VAR): Agora analisa se tem o ponto na mão, e ele não tem disputa para você, correto?
Daronco: Não é questão de disputa, é uma mão. Vou voltar com uma questão factual de pênalti e cartão vermelho para o jogador, é isso? Por “Dogso”.
Toski (VAR): Correto, por “Dogso”.Porque ele já está em queda e é um braço dentro da área.
No monitor, Daronco também pediu para rever a disputa entre Rony e Jorginho e manteve a decisão que não houve falta.
O material mostra a conversa entre Daronco (RS), o VAR Rodolpho Toski Marques (PR) e o assistente de vídeo (AVAR). Durante a revisão, o trio discute se o volante impediu uma oportunidade clara de gol. A regra chama essa situação de “Dogso”, sigla em inglês para Denying an Obvious Goal-Scoring Opportunity.
O lance foi o único da partida de quinta-feira (08), na Vila Belmiro, com áudio revelado. Dessa forma, a entidade não mostrou as análises de outras jogadas que o Flamengo contesta. O clube reclama da não expulsão de Barreal por carrinho por trás em Carrascal e da falta sobre Neymar na origem do segundo pênalti.
O que mostra o áudio do VAR em Santos x Flamengo
A jogada aconteceu no segundo tempo, quando o Flamengo vencia por 2 a 0. Rossi saiu jogando curto com Jorginho, que acabou pressionado por Rony. Na disputa, o volante caiu e tocou a bola com o braço sobre a linha da grande área.
Em campo, Daronco marcou falta e mostrou o cartão amarelo. De acordo com o relato, o árbitro explicou à cabine que advertiu o jogador por “impedir um ataque promissor”.
Primeiro, a equipe de vídeo checou se Rony cometeu falta sobre Jorginho e concluiu que não houve infração. Em seguida, a discussão passou para o toque de braço e para o tipo de punição. Os árbitros de vídeo, então, convenceram Daronco de que o lance configurava “Dogso”.
A conversa durou cerca de cinco minutos. Depois disso, o árbitro gaúcho ainda passou outros três minutos diante do monitor. Por fim, ele confirmou o pênalti e trocou o amarelo pelo vermelho. Neymar, que entrou no intervalo, converteu a cobrança e diminuiu o placar.
Comissão de Arbitragem endossa pênalti e cartão vermelho
Junto com o áudio, a Comissão de Arbitragem apresentou sua avaliação do lance. O parecer sustenta que Jorginho fez um movimento adicional com o braço depois do primeiro contato com a bola. Veja o texto divulgado:
“Pênalti e cartão vermelho corretamente aplicados. O jogador da equipe visitante, após a bola bater no seu braço que se encontrava em uma posição natural em um primeiro momento, faz um movimento adicional na sequencia e toca com o braço na bola, impedindo com isso uma oportunidade clara de gol à equipe adversária”.
A posição da CBF contraria diretamente a nota oficial em que o Flamengo aponta erros graves de Daronco, publicada mais cedo nesta sexta. No texto, o clube afirma que Jorginho tocou a bola sem movimento deliberado. Além disso, classifica a intervenção do VAR como desastrosa.
O Flamengo também criticou a duração da revisão. Segundo o clube, a partida ficou parada por 9 minutos e 56 segundos, recorde de interrupção por VAR no Brasileirão. A nota ainda lembra que Daronco e Toski estão escalados para Palmeiras x Corinthians, no domingo (11).
Barreal e segundo pênalti ficaram sem áudio
Os outros dois lances questionados pelo Flamengo seguem sem explicação pública da cabine. No primeiro tempo, Barreal atingiu Carrascal com as travas da chuteira e recebeu apenas o cartão amarelo. Segundo o clube, o VAR sequer recomendou a revisão da jogada.
Já o segundo pênalti saiu poucos minutos depois da expulsão. Luiz Araújo derrubou Gabigol na área, e Neymar empatou o jogo na nova cobrança. Entretanto, o Flamengo sustenta que a falta sobre Neymar, na origem da jogada, não existiu.
Jorginho critica Daronco e desfalca o Flamengo
Logo após o apito final, Jorginho já havia detonado os critérios de Daronco em entrevista coletiva. Sobre o lance da expulsão, o volante disse:
“No lance do pênalti, ele ainda consegue fazer o pior cenário possível. Ele conseguir ir ao VAR olhar e teve a oportunidade de voltar atrás. Mas ele deu a penalidade, não dá para voltar. Só dá para seguir adiante e melhorar.”
O jogador não ficou sozinho nas críticas. O analista de arbitragem Paulo Caravina, por exemplo, também contestou o cartão vermelho aplicado ao volante.
Enquanto a polêmica continua, a expulsão já produz efeito no calendário. Jorginho cumpre suspensão automática no Fla-Flu, no domingo (11), às 17h30, no Maracanã. Além disso, o volante também desfalca o time na ida da semifinal da Libertadores, contra o Estudiantes (ARG), em La Plata.
Nesse caso, porém, a punição decorre da expulsão diante do Independiente del Valle (ECU). Assim, Jorginho perde 2 jogos seguidos em plena reta decisiva da temporada.
O empate levou o Flamengo a 61 pontos. Por outro lado, o Palmeiras venceu o Bahia e chegou a 60, como mostra a tabela atualizada após a 29ª rodada. Com isso, a vantagem rubro-negra na liderança caiu para apenas 1 ponto.
