Na Capela Sistina a “fumaça branca” é o sinal mostrando que os católicos têm um novo Papa. Geralmente, há muita esperança em torno de todo novo pontífice.
Ontem, no Rio de Janeiro, a “fumaça branca” mencionada pelo consultor jurídico da Liga Sul-Minas-Rio, Eduardo Carlezzo, significou que vai ter a Liga, sim, ou seja, teremos a primeira disputada da nova Liga nesse próximo ano. Uma notícia muito positiva ou, para ficar em linha com a “fumaça branca”, uma notícia alvissareira.
O ponto mais forte e positivo dessa notícia nem é a confirmação de que teremos a competição e sim o fato de os dirigentes dos clubes terem se reunido, discutido e chegado a um acordo.
Sem que um “poder superior” assim determinasse, fosse de uma confederação ou qualquer outra coisa forte o bastante para mandar.
Nada disso. Os dirigentes dos principais clubes envolvidos tiveram o que é hoje, mais do que nunca, necessário ao futebol brasileiro: maturidade, inteligência e visão.
O Cruzeiro voltou atrás em sua decisão de não participar e seu presidente seguirá presidindo a nova Liga. A questão dos direitos de transmissão será discutida mais adiante, fato que traz alguma preocupação, mas que, acredito, será levado a bom termo. Lembrando que por enquanto sequer há o que ser discutido, pois não há acordo fechado com nenhuma rede de televisão.
Novas lideranças e passividade diante da CBF
A Liga Sul-Minas-Rio é o embrião da tão desejada liga dos grandes clubes brasileiros. É o primeiro passo para levar à sua criação, sem tutela ou permissão de confederação. O que deve determinar o nascimento de uma liga é o desejo de seus participantes, nada mais, pois qualquer tutela, por melhor intencionada que seja, implica uma relação de poder nem um pouco desejável para os clubes.
Foi muito positivo o recém-reeleito presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, atuar como articulador desse encontro dos clubes e com ele chegar à decisão que poderá ser muito significativa para o futuro de nosso futebol. Essa postura, por outro lado, também aumenta sua responsabilidade na busca pelo acordo sobre a divisão dos direitos de transmissão, certamente o ponto ainda mais importante a dividir os clubes.
Outros dois presidentes, Daniel Nepomuceno, do Atlético Mineiro e Romildo Bolzan Júnior, do Grêmio, também vêm se destacando nos esforços pela criação e consolidação da Liga. São dois nomes novos no setor, com ideias e práticas aparentemente mais sintonizadas com os novos tempos e necessidades do nosso futebol. Não é coincidência o Atlético Mineiro ser o vice-campeão brasileiro e o Grêmio o terceiro colocado, fechando muito bem um ano que só prometia dissabores.
Por fim, é fundamental destacar o comportamento do presidente do Clube Atlético Paranaense, Mario Celso Petraglia, que abriu mão da co-presidência da entidade, fato que desagradava ao primeiro presidente eleito, o cruzeirense Gilvan Tavares, abrindo caminho para a realização da competição com todos os clubes definidos inicialmente.
Infelizmente, como já comentado em post específico, os grandes paulistas caminharam em sentido oposto ao da modernidade, ao fecharem um acordo definido pela federação estadual – um “poder superior” como citado no início desse post – e votarem em bloco no candidato de Del Nero para o lugar deixado vago com a prisão de José Maria Marin.
Um vice-presidente, e também ex-presidente até poucos meses atrás, está preso. O presidente anterior denunciado por corrupção pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, assim como o atual presidente da entidade, no momento sob licença, e que desde o 27 de Maio (esse dia bem poderia ser um feriado – o Feriado do Futebol) não sai do Brasil.
Mesmo assim os grandes clubes de São Paulo votaram como se nada mais grave estivesse acontecendo.
Se o Flamengo não votou no candidato de Del Nero, tampouco nada fez em sentido diferente, o que, na prática, significou deixar o caminho aberto para a manutenção da atual situação. Mas deveria ter feito, assim como Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, deveriam também ter tomado uma posição muito diferente em relação à confederação. Mesma postura que deveria ter sido adotada por todos os clubes da Liga.
Nada fazendo, perderam todos uma excelente oportunidade para começar a mudar o futebol brasileiro também em seu órgão máximo diretivo.
A fumaça branca da esperança está, por enquanto, restrita aos limites da Liga.
Fonte: Olhar Crônico Esportivo
