Técnicos costumam buscar com especial interesse os meias que, na linguagem atual, jogam “de área a área”. Ajudam a marcar, iniciam o jogo e sabem se infiltrar na área rival para finalizar. Willian Arão pode não ser um extraclasse, mas é justamente este tipo de jogador, competente em tais funções. Como mostrou em Volta Redonda, ressalvadas, é claro, as limitações do rival. Foi o grande nome dos 5 a 0 do Flamengo sobre a Portuguesa.
Já é possível perceber progressos no Flamengo de Muricy Ramalho. Como a proximidade dos três atacantes e a movimentação constante de Marcelo Cirino e Emerson Sheik para tentar abrir defesas. Ou a capacidade de infiltração dos meias. E sem um adversário que impusesse grande resistência no Raulino de Oliveira, o time praticou um exercício de controle de jogo e mudança de ritmo para ser veloz no terço final de campo, perto da área rival. Resta saber até que ponto tanto controle resultou da pobreza técnica da Portuguesa.
O caso é que o domínio poderia ter produzido mais chances claras, em especial nos primeiros 25 minutos. Natural para um time que vem assimilando uma nova forma de jogar. Há movimentos que precisam ser ajustados. Por vezes, quando Willian Arão iniciava as jogadas, era possível ver Mancuello junto aos três atacantes, já infiltrado em meio aos zagueiros, aguardando o desenrolar do ataque. Em seu primeiro jogo como titular, ainda buscava o lugar ideal no campo. Mas o resultado era uma redução de opções de passe no meio-campo.
Quando os meias surgiam como elementos surpresa, aí sim, a aparição deles surtia efeito. Eis a especialidade de Willian Arão. O segundo gol, marcado por ele em belo passe de Sheik, foi um exemplo claro.
Antes, o Flamengo tivera a seu favor um destes pênaltis modernosos que o futebol convencionou assinalar em toques de mão: Sheik desperdiçou. Mas o time abriu o placar numa bola parada, recurso que parece ter ganho com Mancuello. O argentino cobrou e Guerrero, em ótimo início de ano, marcou de cabeça.
Na nova formação, Willian Arão pareceu ser mais claramente um segundo volante, à frente de Márcio Araújo, com Mancuello livre para se mexer, inclusive pelo lado direito. Ficou mais nítido o desenho no segundo tempo. Após a troca de passes pelo setor, Arão surgiu de trás para fazer seu segundo gol no jogo. Mais tarde, surgiria pelo centro do campo para dar a Sheik o passe que acabou no pênalti do goleiro Márcio. Sheik fez 4 a 0, o goleiro foi expulso e a Portuguesa, a esta altura, já tinha nove homens e um zagueiro no gol. Rezava para o jogo acabar. O Flamengo já nem acelerava tanto. Mas Rodinei decidiu chutar. Encontrou pela frente o o zagueiro Fernando vestido de goleiro. Sua queda no lance provou o quanto estava deslocado na função: 5 a 0.
Fonte: Carlos Eduardo Mansur
