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André Rocha: “Carpegiani no Flamengo em 2018 é aposta maior que em 1981”

Ao desembarcar no Rio de Janeiro, Reinaldo Rueda disse que foram irresponsáveis e precipitados os que divulgaram a negociação em curso com a federação do Chile. Para horas depois confirmar a saída do Flamengo para comandar a seleção campeã das últimas Copas América.

Se esperou demais pela resposta do treinador colombiano, ao menos o clube agiu rápido e anunciou seu substituto: Paulo César Carpegiani.

68 anos, vindo de um trabalho até interessante no Bahia, embora tenha assumido a equipe na 14º e entregado na 12ª no Brasileiro. Mas nem esta passagem, nem a também curta pelo Coritiba em 2016/17, ambas com a missão de livrar as equipes do rebaixamento, são parâmetros para a sua nova empreitada.

Os motivos são óbvios: visibilidade tão grande quanto as cobranças e maior capacidade de investimento. Mas principalmente a obrigação de jogar como protagonista, no campo de ataque e com posse de bola. Por mais que Coxa e o tricolor baiano tivessem uma proposta ofensiva em muitos momentos, não é o mesmo que carregar a responsabilidade de se impor.

A passagem vitoriosa em 1981/1982 serve ainda menos como referência. Estreante na nova função com apenas 32 anos, comandando aqueles que tinham sido seus companheiros de treinos, jogos e concentrações poucos meses antes. Sucedendo Dino Sani para resgatar os conceitos e a maneira de jogar consagrada por Cláudio Coutinho. A única mudança significativa foi a escalação de Lico montando uma equipe móvel e de toque curto liderada por Zico e com conceitos avançados para a época: sem pontas de ofício, com os laterais Leandro e Júnior liberados para apoiar ao mesmo tempo e um centroavante, Nunes, que não ficava fixo na área e abria espaços para os companheiros que chegavam de trás.

Time que em maio de 1982 ”unificou” os títulos, algo só alcançado pelo Santos de Pelé vinte anos antes. Era o último campeão estadual, brasileiro, sul-americano e mundial. Todas as conquistas com Carpegiani. Mas era outro esporte se comparado com o atual. Mais lento, menos intenso e dinâmico.

A segunda passagem, em 2000, foi polêmica pela demissão inexplicável de Carlinhos, campeão estadual e da Copa Mercosul no ano anterior e querido por todos na Gávea. Os jogadores não derrubaram Carpegiani, mas sentiam falta do antigo comandante e, mesmo com o investimento da ISL, um 5 a 1 aplicado pelo Vasco na rodada final da Taça Guanabara com show de Romário num domingo de Páscoa resultou em demissão e fez voltar Carlinhos, que seria bicampeão carioca.

Alguns bons trabalhos, como no Cerro Porteño que o credenciou a comandar a seleção paraguaia na Copa de 1998. Mas também a fama de ”Professor Pardal” por improvisações mal sucedidas. Participou da campanha do rebaixamento do Corinthians em 2007. Último título em 2009, o estadual pelo Vitória. Com as transformações recentes no esporte, ainda que no Brasil elas aconteçam de forma bem mais vagarosa, não há como vislumbrar a linha de trabalho do velho/novo treinador rubro-negro.

Carpegiani aprecia jogadores versáteis e exige mobilidade e agilidade na frente. Mas seus times costumam render aproveitando o espaço cedido pelo adversário e não criando brechas para infiltração. Assim foi na execução do 4-1-4-1/4-2-3-1 no Bahia. Ou seja, o mesmo problema dos tempos de Zé Ricardo que Rueda não conseguiu encontrar uma solução.

Sua vantagem em relação à maioria de seus contemporâneos é ser mais antenado com a dinâmica do futebol atual. No Flamengo, o risco de ser tratado com desdém pela lógica boleira de ”ganhou o quê?” é menor por ter sido o comandante nas conquistas mais importantes do clube. Foi companheiro no meio-campo e depois treinador de Zico. Certamente terá a aprovação e críticas mais brandas dos ídolos daquela geração, sempre chamados a opinar sobre os rumos do futebol.

Ainda assim, hoje é uma aposta maior do que era há quase 37 anos. Naquele período, sua missão era dar continuidade ao que funcionava. Agora é transformar o jogo burocrático, sem ideias, em algo criativo e moderno. O Flamengo precisava de ruptura, uma guinada de 180 graus na visão de futebol. Na urgência resolveu olhar para o passado, o mais glorioso de sua história.

Uma incógnita do tamanho da missão de Carpegiani.

Fonte: André Rocha/Uol

35 Comentários

  • André….o grande problema do Flamengo está aí….nas suas últimas linhas.. SEMPRE APOSTAR,SE APEGAR AO PASSADO..Por essas e outras q Adriano,Vagner Love,Júlio César e outros ainda são fantasmas q assombram a Gávea…Torcida e diretoria tem q DESAPEGAR do passado…deixar de lado essa história de ” FOI um dos grandes técnicos,laterais e por aí vai…Tomara Deus q eu esteja enganado e q como sempre acontece no Flamengo o ERRADO de CERTO..Pra mim não termina nem o primeiro semestre…

    • Quanto mais os rubro-negros se apegam ao passado, mais tempo ficaremos pra trás (como já estamos, pois o Fla só é referência dentro do Rio, e fora dele perdeu crédito com o tempo).

      • Exatamente Vinícius…pra mim a contratação do Carpeggiani com todo respeito a sua história no Flamengo é um retrocesso….queria muito uma quebra de paradigmas como foi quando contratou o hj mau caráter Reinaldo Rueda…Tinha q tentar um nome forte diferente como Ariel holan,Marcelo bielsa ou até mesmo Felipão para quem sabe dar uma quebrada nesse processo sanfona…sempre os mesmos nomes..

        • Compreendo. Mesmo não sendo quem eu queria, irei apoiá-lo da mesma forma que foi com ZR e Rueda.

  • Torcida medíocre…
    Em vez de abraçar…só critica, ou melhor tudo critica….ha é velho…ha é muito novo….ha é estrangeiro, há faz panelinha….haaa vai se ferra torcida hipócrita!

    • E quem falou que não vai apoiar o técnico? O cara tem sua história marcada no clube.
      Contudo escolhe-lho por esse passado tende a ser um erro, porque ocorreu há muito tempo, mais de 30 anos.
      Enfim… resta torcer… mas que a probabilidade dele continuar a não ganhar nada é maior daquela de ganhar um título, quanto mais a libertadores.

    • Se vier o Guardiola ou o Mourinho pode ter certeza que vão inventar mil maneiras de criticar e reclamar. Acho que nem se Jesus Cristo voltar e resolver ser técnico vai ser poupado. Tbem não é meu preferido mas o que vou fazer além de torcer? Nada. Não sou eu nem torcedor nenhum quem contrata.

  • Não era o cara que eu queria. Porém, como torcedor irei apoiá-lo. Seja jogando pra frente ou retrancado, quero um título decente!!

    • “Não era o cara que eu queria. Porém, como torcedor irei apoiá-lo. Seja jogando retrancado ou pra frente, quero um título decente!!”

      * me permita a troca da sequência de palavras, pois agora vai, rimando frente e decente teremos os títulos.
      SRN

  • Nós últimos 20 anos o cara só levou um campeonato baiano. Anotem aí, mais um ano de merda. Sem reforços e com um técnico ruim. Me arrependo muito de ter pedido a cabeça de Zé Ricardo.

  • Ano cheio de apostas de merda, apostas nos jogadores que foram mal ano passado e agora em um técnico que foi mal nos últimos 20 anos. Enquanto isso a barca permanece no Fla exceto por Márcio Araújo.

  • Engraçado que pra IMPRENSA7x1 o Roger Machado não é APOSTA no Palmeiras, mas se estivesse no Flamengo seria…

  • O grande problema, a meu ver, é que não temos bons treinadores no Brasil. à exceção de Tite.

    Todos os demais são “mais do mesmo”.

    Para separarmos o jio do trigo deveríamos, primeiro, ter um calendário decente, para dar oportunidade de os treinadores treinarem as equipes. Daí veríamos quem é bom.

    SRN

    • Será mesmo? Carille no seu primeiro ano como profissional foi campeão brasileiro, no restante do continente técnicos com estrutura fraca e baixo orçamentos jogam de igual pra igual com os maiores orçamentos, muitas vezes eliminando nós brasileiros.

          • Não questionei isso, quis dizer que teve mais tempo pra treinar que outros

          • Aposto que se o Flamengo jogasse como o Corinthians o campeonato Brasileiro, você séria um dos primeiros a aparecer aqui para questionar o Futebol do Flamengo, porque só jogando retrancado.

            Outro dia perguntaram ao Joel Santana o que ele achava do chamado futebol moderno. Ele usou o Corinthians como exemplo para justamente mostrar que aquilo no tempo dele era tido como treinador retranqueiro.

          • Bom, comento aqui a pelo menos dois anos, procura aí eu cobrando futebol bonito, eu quero é empilhar títulos amigo, fod* se como e por quem.

      • Acho que o Carille pode ser um bom nome. Inclusive, em outro post, o chamei de “Tite genérico”, por ter sido por alguns anos seu auxiliar.

        Mas mesmo ele tem que se provar em outro clube com outra cultura.

        SRN

        • Analisando o seu trabalho, me parece ser superior a maioria dos treinadores do Brasil, e tem na veia o gosto pela vitória, venceu num cenário caótico, tirando o máximo de cada atleta visto como porcaria, não consigo diminuir seus méritos por estar “em casa”, teria mais dificuldade se acabasse de chegar em um novo clube? Sem dúvidas! Mas o que é importante pra um treinador de ponta ele mostrou que tem, que é os conceitos de jogos atualizados.

    • Esse daí já passou de “panelinha”, tá mais pra tacho. Vamos torcer que surja algo bom no trabalho dele, apesar que, a data limite dele será o carioca…

    • Pelo menos ele já começou dando aval para negociarem o M.Araújo, já é um bom sinal de que ele tbm não conta com jogador que só faz uma função, e tbm parece ter sinalizado que não vai contar com o Vaz, outro bom sinal.
      Mas acho que o jogo mudou e acelerou muito na última década, alguns treinadores não se adaptaram e é sempre mais complicado para os veteranos se adaptarem às mudanças do jogo. Tomara que a comissão técnica que o Carpegiani vai montar tenha bastante conhecimento e esteja o mais atualizada possível, principalmente na parte de movimentação sem bola, um defeito gravíssimo da maioria dos jogadores desse elenco que foi montado.
      Mas tbm estou bolado com a chegada do Carpegiani.

      • Vi a entrevista dele, e fiquei com a leve impressão de que ele terá mais foco em ser um escudo, cobrar jogadores, falar firme do que o treino em si, tá vindo um auxiliar, espero que haja uma interação, porque os métodos de trabalho do Carpegiane são bem retrógrados.

  • Na minha opinião, eu preferia o Abel, mas o próprio não sai do Flu, então a melhor opção q tinha no mercado era o Cuca. Não vejo o Carpegiani como um bom treinador, não vi nenhum grande trabalho dele ultimamente. Teve um bom momento no Bahia, mas foi no segundo semestre, fora isso, o q mais ele fez nesses últimos anos ?! De qualquer forma, vou torcer para q dê certo e q o Carpegiani torne-se um treinador de grandes conquistas na atualidade, como na década de 80 e início da década de 90 com o Cerro Porteno. Afinal, o próprio conhece bem o clube. Agora, tomara q em 2019 o Flamengo tenha um Presidente q entenda de finanças o tanto qto entende de futebol e q principalmente consiga tomar decisões mais rapidamente. Se não puder as duas coisas, q pelo menos tenha humildade de colocar quem entenda a frente do futebol do clube. Pq ultimamente, tudo na diretoria do Flamengo tem acontecido por amizade, inclusive a vinda do Carpegiani. SRN

  • Vamos ser sinceros. Se ele fizer o time jogar no 4.4.2 terá muito sucesso.

    Acredito que esse time do Flamengo com pontas burros, jogando no 4.3.3 nem Tite consegue fazer funcionar.

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