Mansur: “Há razões para crer no bi brasileiro na Libertadores”

Uma pergunta sempre rondou a Libertadores: por que era tão difícil para brasileiros — em maior escala — e para argentinos fazerem valer o maior poderio técnico e, principalmente, financeiro? Uma das explicações está na característica imprevisibilidade de um torneio jogado num continente exportador de jogadores, com constantes mudanças de elenco. Não por acaso, nas últimas cinco edições, 19 clubes diferentes ocuparam as 20 vagas de semifinalistas.

É neste ambiente que sete clubes brasileiros vão tentar a sorte na fase de grupos da Libertadores de 2018. Com um alento: a mudança de calendário promovida pela Conmebol no ano passado já produziu efeitos positivos para as principais escolas do continente. Com a Libertadores e a Copa Sul-Americana jogadas ao longo de todo o ano, a sensação é que as disputas se tornaram menos aleatórias do que eram quando jogadas num modelo frenético, condensadas em um semestre. Tanto que, em 2017, as duas competições tiveram finais entre brasileiros e argentinos: o Grêmio ganhou a Libertadores ao bater o Lanús e o Independiente derrotou o Flamengo pela Sul-Americana.

O Flamengo aposta na manutenção de sua base, embora não tenha reforçado setores em que o elenco oferece poucas peças, como o meio-campo. Parece faltar, ainda, um zagueiro mais rápido para sustentar o modelo de jogo de Paulo César Carpegiani. No entanto, o grande obstáculo inicial é a falta da torcida nos dois primeiros jogos da fase de grupos, contra River Plate e Independiente Santa Fe, da Colômbia. O clube foi punido pelos distúrbios causados pelos torcedores na final da Sul-Americana.

AO MENOS, QUATRO FORÇAS

Já o Vasco, com capacidade modesta de investimento e muitas perdas em relação à temporada passada, teve como boa notícia a decisão de Zé Ricardo de permanecer. No entanto, uma interrogação cerca o time: as boas atuações nas fases preliminares contrastaram com um desempenho apático e caótico na Bolívia, contra o Jorge Wilstermann, em jogo que quase custou a vaga na fase de grupos.

Fora do Rio, pelo menos quatro times parecem ter motivos para alimentar boas esperanças de ir longe na competição. Com Mano Menezes em sua terceira temporada no clube, elenco mantido e reforçado, o Cruzeiro impressionou pelo nível de futebol jogado já no inicio de 2018. A chegada de Fred atraiu a torcida, mas são jogadores como Arrascaeta, Rafinha e Ariel Cabral que têm dado o tom de um ótimo desempenho técnico.

O Grêmio tentará defender seu título enquanto lida com alguns problemas. A “camisa 9” segue sendo o principal deles. Ainda que Barrios não fosse unanimidade nas últimas temporadas, sua saída deixou um vazio.Renato Gaúcho já improvisou Cícero, tentou usar Luan na posição, mas o clube segue na busca por um reforço. Se Arthur permanecer durante toda a temporada — é cobiçado pelo Barcelona —, o time terá, ao menos, mantido seu meio-campo, fundamental no estilo de jogo de posse de bola e troca de passes implantado no clube.

CORINTHIANS ENFRAQUECIDO

É este mesmo estilo de construção de jogadas que Roger Machado vem tentando adotar no Palmeiras. O trabalho ainda está no início e, claro, as atuações alternam de nível. Mas a força do elenco faz o clube paulista, que trouxe Lucas Lima como principal reforço, sempre um forte candidato.

O Corinthians, campeão brasileiro em 2017 com uma campanha até surpreendente, parecia ter pela frente um ano difícil. Sem tanto dinheiro para contratar, perdeu o atacante Jô, o lateral Arana e o zagueiro Pablo. Mas a continuidade do trabalho do técnico Fabio Carille parece facilitar a busca por soluções dentro do próprio elenco. Foi o que ficou claro na recente vitória sobre o Palmeiras, por 2 a 0, pelo Campeonato Paulista, com Rodriguinho e Jadson improvisados como “falsos atacantes” num 4-2-4.

Já o Santos de Jair Ventura é uma incógnita. Em tese, tem um elenco mais modesto do que o dos rivais, com poucas peças para o treinador trabalhar. No entanto, o retorno de Gabriel Barbosa, que após ser formado no clube teve passagem sem brilho pela Europa, mudou o panorama. O jogador iniciou bem a temporada e se tornou a grande esperança de gols do santistas.

Reprodução: Carlos Eduardo Mansur | O Globo

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  • Tirando a parte que deixou de citar,que o flamengo nao reforçou os seus setores mais carentes de contrataçoes,que sao as laterais;do resto eu gostei do Texto.

  • sempre foi difícil porque a arbitragem sempre prejudicou times brasileiros

  • O coluna pra Android está horrível, por favor mudem, vocês tentam solucionar e só pioram! Não inventem, façam o que já estava dando certo!

    • só android não, no momento estou no computador e também tá uma merd@

      • Os caras já foram mais ligados, estão dormindo!

  • Apesar do nosso grupo ser uma pedra no sapato, estou otimista com o nosso time nesse ano. Seria legal coroar o legado do Bandeira com um título expressivo (ele renasceu um Flamengo que muitos de nós não conseguimos ver, por mais que ele tenha pecado muitas vezes “dentro do campo”). Enquanto aos outros times aposto no Cruzeiro como maior inimigo nas disputas em copas, e no Santos como a “zebra” da coisa. O Santos é sempre uma incógnita no início do ano, mas chega nas cabeças rotineiramente. Talvez agora com um bom técnico as coisas elevem de patamar para eles, mesmo não tendo um elenco tão forte em nível individual. Ah, e é bom abrir os olhos pro Cruzeiro… Eles sempre foram uma espécie de papa copas, assim como o técnico Mano Menezes, e esse ano estão com um time completo e muito competitivo.

  • Muito bom o texto.
    Falou de todos os times sem ser chato.
    Acho que de todos quem passa fácil na primeira fase eh o conrithians que tem um grupo fácil Palmeiras e Cruzeiro vão sofrer.
    Já o Mengão não sei oq dizer o grupo eh dificilimo,Santa fé eh chato river tem camisa e o Emelec só perde suando sangue,talvez esse grupo tenha muitos empates ai a Vitória como mandante vai valer muito.

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