André Rocha: “Botafogo acerta um ataque e está na final. Flamengo não tem repertório”

Trinta e oito minutos do primeiro tempo. Rodrigo Lindoso, substituto de João Paulo como articulador no 4-2-3-1 do Botafogo de Alberto Valentim, acerta passe nas costas de Paquetá para Marcinho. O lateral chegou ao fundo e rolou para trás. Luiz Fernando apareceu às costas de Everton e antecipando a Rhodolfo para tirar de Diego Alves. Na comemoração, o atacante provocou o rival ironizando o ”cheirinho”.

Objetivamente, foi a única jogada bem engendrada pelas equipes em mais de noventa minutos. O gol da classificação do Botafogo. Dentro de uma atuação com mais intensidade na marcação, especialmente na primeira etapa. Foram 12 desarmes corretos contra dez do Flamengo, mas nove dos alvinegros contra apenas um rubro-negro nos primeiros 45 minutos.

A derrota no estadual não deveria ser trágica para um time disputando a Libertadores. O que é preocupante e muito no Flamengo é o desempenho. A atuação foi pluripatética. Infelicidade desde a escolha de Jonas e Willian Arão como os volantes para a mudança do sistema para o 4-2-3-1, deixando Cuéllar no banco. Um absurdo.

Passando pelo impasse entre Paulo César Carpegiani e Vinícius Júnior. O treinador queria o jovem atacante pela direita, mas o menino se sente mais à vontade do lado oposto. O resultado é que muitas vezes Paquetá e Vinícius, que deviam ocupar os flancos, ficavam no mesmo lado abandonando Pará à própria sorte pela direita.

Nas redes sociais houve muitos protestos de flamenguistas contra o post deste blog sobre a classificação do Fluminense na semifinal da Taça Rio. O texto afirmava que o time de Abel Braga tem mais repertório que o rival, ainda que este tenha finalizado muito mais vezes e permanecido no campo de ataque por mais tempo depois do gol de Gum que abriu o placar no Estádio Nílton Santos.

O que é difícil de fazer entender é que um time que fique com a bola, mesmo que rode, rode, rode até levantar na área, inevitavelmente vai conseguir finalizar. No abafa, na vitória do atacante na impulsão, no corte para dentro e chute. Mas não significa que há jogada. Repertório. Não existe.

O Flamengo é um deserto de ideias. O time que vivia do pivô de Paolo Guerrero para dar sequência às jogadas e sofria porque não tinha o centroavante na área para finalizar agora tem Henrique Dourado sem a mínima qualificação técnica para fazer a parede e mesmo finalizar. Mesmo cabeceando na trave na segunda etapa.

Um dos 45 cruzamentos do time na semifinal. Treze de Diego. Três corretos, sempre na bola parada. Impressiona como Tite pode pensar no camisa dez como um meio-campista organizador. Desde o ano passado saltava aos olhos a total falta de criatividade do meia. Repetindo pela enésima vez: domina, gira, dá mais um toque e, com a marcação do adversário montada, o passe para o lado ou para trás. Quando arrisca algo mais objetivo vem o erro.

O ensaio do início da temporada com mobilidade dos meias no 4-1-4-1 foi abandonado pela falta de sequência com qualidade. O time continua vivendo de cruzamentos e lampejos. O mesmo da segunda metade do trabalho de Zé Ricardo e no período sob o comando de Reinaldo Rueda.

Uma carga muito pesada para os ombros de Paquetá e Vinícius Júnior. Jovens precisam de um trabalho coletivo para potencializar o talento. Tudo que o Flamengo não tem. Realidade dura para quem investe tanto. Mas é preciso aceitar. E mudar o quanto antes.

O Botafogo nada tem a ver com isso. Lutou, buscou pressionar mais o adversário com a bola, bloqueou de forma organizada com duas linhas de quatro e contou com Jefferson, substituto de Gatito Fernández a serviço da seleção paraguaia, para suportar a pressão aleatória do rival. Faltou coordenar mais contragolpes para tirar o oponente um pouco da própria área. Não conseguiu, mesmo com a entrada de Rodrigo Pimpão na vaga de Leo Valencia.

Finalizou 12 vezes, três no alvo. A única bola na rede no clássico. A solitária jogada bem pensada e executada. O melhor estava por vir depois da fratura de João Paulo: a final do Carioca que parecia improvável.

(Estatísticas: Footstats)

Reprodução: Blog do André Rocha

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  • Sempre na hora do cruzamento ficam 3 jogadores no 2ºpau ea bola na maioria das vezes vai no 1ºpau ou vem baixa ou fraca, si os jogadores tivessem mais inteligência, pelo menos 1 ficaria no 1ºpau, quando ficam todos juntos a chance é menor d alguém concluir!!! foram mil cruzamentos e nada, sou mais o Cuéllar titular doq o Jonas, Jonas tem pouca técnica, 1ºvolante é marcação, mas precisa ajudar na saída d bola, vide aquele q não vou citar o nome, SRN

  • Parecia que o Botafogo é q estava jogando pelo empate…O Botafogo como nao tem elenco so marcou e saiu nos contra ataque… fez o mínimo e ganhou o jogo…..Nao tem outra palavra a dizer senao VERGONHA desse elenco..time sem alma…esses jogadores jamais representará a história do Flamengo….

  • A chamada da matéria está péssima.
    A impressão que tem eh que o Botafogo não fez nada. Apenas o gol. E por analogia o flamengo.

    • Está perfeita, o foguito jogou como time pequeno que é recuou e rezou a Deus para fazer um gol. FluC, foguinho, vascaíndo, todos jogam contra o Fla por uma bola.

      • Esse tipo de análise eh quase um teste de qi. E sinto em dizer vc foi muito mal. Futebol eh aquilo lá. Todo mundo sabe o que eh. 11 pra cada lado. Ganha que fizer mais gol do que o adversário. Estratégia cada time faz a aula perseguindo o objeto. Regra igual pra todo mundo. Tirando isso fera. São devaneios pouca cognição

        • Futebol e mágico por isto, 10 pessoas assistem o mesmo jogo e veem de forma diferente o resultado, cada um procura suas convicções para analisar a partida. Se fosse teste de qi acho que o seu não estaria muito diferente dos demais. Respeito a opinião de todos, mas que o foguito jogou como time pequeno que é, isto é fato. SRN

          • Já estou com preguiça de replicar. SRN

  • O André Rocha foi no ponto.Virou meio que lugar comum reclamar que esse elenco não tem raça e não tem alma,quando na verdade o problema é outro.Falta futebol.

    O Flamengo é pessimamente treinado,não consegue fazer uma jogada trabalhada e não tem triangulação,enfim é um bando em campo.Na verdade o jogo do Flamengo se resume a alçar bolas na área na busca do Dourado e vive de lampejos de algumas de suas individualidades.

    Ontem Carpegiani conseguiu errar simplesmente tudo.Cuellar não pode ser reserva;o Éverton Ribeiro,mesmo não lembrando nem de longe os tempos de Cruzeiro,tem que jogar,pois é o único que ainda tenta o passe diferente;e o Diego,mesmo não se omitindo,só carrega e bola e não consegue fazer o meio de campo jogar.Mas não dava pra esperar algo de um técnico que não faz um bom trabalho há muito tempo.

    Difícil aceitar que nem contra rivais quase falidos um time que tem um dos maiores orçamentos do país não consegue se impor.Que o Lomba consiga realmente fazer as mudanças que disse que vai fazer,porque tá duro de aguentar tanto fracasso.

    • ER 7 tem que jogar e, digo mais, na posição do Diego. Diego deve ser sacado ou bota ele na direita pra marcar o lateral adversário ou quem sabe de segundo volante. Diego tem grandes qualidades, mas efetivamente como armador não é melhor que ER7.

  • Realmente esse Carpegiani está indo pelo mesmo caminho do ex…porra meu Cuellar é disparado o melhor do meio e o cara simplesmente o tira!!! Com ele em campo é nítida a melhora na criação e saída de bola. Era o que se criticava do ex, por insistir com o “pereba” limitado dele. Carpegiani está cometendo os mesmos equívocos: Vinicius Jr é na esquerda cara e ele teima em “obrigar’ o garoto a fazer o que ele quer jogando pela direita, nitidamente fora da sua zona de conforto. INCOERENCIA TOTAL. O pior é realmente a atuação ruim da equipe, sem um padrão claro, uma forma de jogar definida, e claramente sem variação de jogadas. Está fácil de marcar o time, o Flamengo não intimida, não se impõe. Inadmissível Diego jogar mal desse jeito, Everton Ribeiro o mesmo e parece que nada se faz…São atletas caros e que já deveriam estar jogando mais. Medo de cobrar? De dizer umas verdades a eles? Essa falta de “colhão” do RC, BM é impressionante. DECEPÇÃO E VERGONHA. Só o que sinto nesse momento.

  • jornalista ganha a vida escrevendo bobagens com interpretações bizonhas, induzindo os tolos a lerem bobagens, e sempre achando que é o mais inteligente e culto dos seres. Não tem nada ver com falta de repertório. Todos sabem que o fla ontem foi derrotado pelo próprio técnico, fazendo aquela lambança que fez, colocando um time em campo da forma que deve treinado duas vezes no máximo antes do jogo. Foi muita burrice do Carpegiane. O botafogo jogou igual ao flu, colocou os 11 recuados e esperou a sorte divina por uma bola. Já o fla com uma escalação que ninguém nunca viu, se esforçou de mais através do seu técnico pra perder do botafogo.

  • Botafogo nao jogou nada! Esses elogios a eles é mais por raiva do desempenho do flamengo do que por méritos do botafogo! Se defendeu o jogo todo! Todo! Caiu mais de 10 vezes (eu contei) no segundo tempo para fazer cera! Mas fizeram correto, o jogo deles era esse mesmo, incompetência nossa que não soubemos virar o jogo! Para mim o erro crucial foi abandonar o 4-1-4-1! Professor pardal inventando de novo! Arao não da pra ser titular! Era para ter mantido o Everton ribeiro junto com Paqueta, Diego e Vinicius Junior com everton na lateral, mas foi medroso! Arao, o Sonso, sobrecarregou o Jonas na marcaçáo, nao subiu ao ataque para dar opcão e errou passes faceis! Sao coisas que é dificil de entender em Carpegiani! Mas a historia dele mostra isso! É professor Pardal! Segundo tempo mecheu certo e o time melhorou absurdamente! Só deu Flamengo! Mas vai e inventa de novo! Coloca Marlos Moreno e fica de 424! Pqp! Ai embolou o meio campo de vez! Tinha q ter colocado Vizeu ou Linconl no lugar do Paqueta ( q não jogou porr@ nenhuma) para ter mais uma referencia de area, mas o PP inventou de novo! A gente torce, mas com esse cara inventando todo jogo, vai ser dificil…

    • Exatamente ele pensa que o Flamengo é laboratório, para ele fazer suas experiências, e não é a primeira vez, basta lembrar da lambança que fez na sua última passagem pelo clube.
      Vá com Deus, mas arrume outro lugar para fazer de laboratório, professor PARDAL.

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